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Celestino Graça
Nome completo Celestino Pedro Louro da Silva Graça
Nascimento 9 de janeiro de 1914
Santarém
Morte 24 de outubro de 1975 (61 anos)
Santarém
Residência Grainho, Santarém
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Etnólogo
Religião Católica

Celestino Pedro Louro da Silva Graça, conhecido por Celestino Graça, ComMOMA (Santarém, 9 de Janeiro de 1914Santarém, 24 de Outubro de 1975) foi um etnólogo português, estudioso e defensor do folclore ribatejano e impulsionador da agricultura e da Festa Brava.[1]

Vida pessoalEditar

Nascido em Santarém em 1914, Celestino Graça cresceu e viveu no Grainho, freguesia da Várzea, concelho de Santarém. Estudou regência agrícola na Escola de Regentes Agrícolas de Santarém (hoje Escola Superior Agrária de Santarém), tendo-se formado em 1932. O seu diploma foi o 192º concedido por esta instituição scalabitana.

Faleceu em Santarém, em 24 de Outubro de 1975, aos 61 anos de idade.

ObraEditar

Grande defensor do folclore ribatejano e considerado um dos maiores etnólogos do País, Celestino Graça promoveu estudos profundos acerca das tradições, usos e costumes do Ribatejo, ao nível da cultura, música e trajes tradicionais. Para melhor preservar o Folclore Ribatejano fundou e dirigiu o agrupamento folclórico Pescadores do Tejo (1955), o Rancho Folclórico do Bairro de Santarém (Grainho e Fontainhas, em 1956) e, principalmente, o Grupo Infantil de Danças Regionais de Santarém (1956) e o Grupo Académico de Danças Ribatejanas (1957). Com estes dois últimos Grupos correu todo o País, incluindo Portugal Continental e Ilhas, e fazendo digressões às então Províncias Ultramarinas de Angola e Cabo Verde, bem como ao estrangeiro, a Países como Espanha, Brasil, França, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Suíça e Itália, levando assim bem longe o nome e a cultura de Santarém e do Ribatejo.

Fundou ainda, em 1953, na cidade de Santarém, o Festival Internacional de Folclore, que ainda hoje se realiza anualmente.

Grande aficionado e defensor da tauromaquia, Celestino Graça promoveu e dinamizou a realização de inúmeras corridas de toiros em Santarém, tornando a cidade num dos principais centros taurinos internacionais. Para substituir a anterior Praça de Toiros, mais pequena e envelhecida, integrou e dinamizou a Comissão Pró-Construção da Praça de Toiros, com vista à construção de um novo edifício. A nova Praça, a actual Monumental de Santarém, foi construída em tempo recorde e inaugurada em 1964 com lotação de mais de 14.000 lugares sentados, no que era de longe a maior Praça de Toiros de Portugal e que ao tempo deslumbrou com a sua grandeza e dimensão (tinha, e ainda hoje tem, mais do dobro do tamanho da segunda maior Praça portuguesa). Hoje, com 13.179 lugares, continua a ser a maior Praça de Toiros do País.[2]

Celestino Graça promoveu também a forcadagem, sendo usual exercer funções na selecção de novos forcados e na organização de treinos.[3]

O Comendador Celestino Graça foi o principal impulsionador e organizador da Feira do Ribatejo, cuja 1ª Edição decorreu de 23 a 30 de Maio de 1954. Devido à enorme projecção que foi tomando ao longo dos primeiros dez anos, o certame passou em 1964, por decisão do Governo, a ser também Feira Nacional de Agricultura. Celestino Graça foi Secretário-geral (principal organizador) da Feira de 1954 até 1974, quando se retira.[4]

HomenagensEditar

Por toda a sua vida e obra, Celestino Graça foi agraciado, em 29 de Junho de 1959, por Decreto do Presidente da República Almirante Américo Tomás com o grau de Oficial da Ordem do Mérito Agrícola. O mesmo Presidente da República concedeu-lhe igualmente, a 18 de Julho de 1972, o grau de Comendador da Ordem do Mérito.[5]

Celestino Graça recebeu muitas homenagens em vida, e outras ainda após a morte. Em 1977 a Santa Casa da Misericórdia de Santarém, proprietária da Monumental de Santarém, delibera que a Praça de Toiros passe a ter a designação oficial de Monumental Celestino Graça. Foi também inaugurada uma estátua em bronze de Celestino Graça em local contíguo à Praça, como homenagem da cidade de Santarém.

Também o Festival de Folclore que se realiza anualmente em Santarém desde 1953 passou a ter como nome oficial Festival Internacional de Folclore Celestino Graça.

CondecoraçõesEditar

Referências

  1. Jornal O Ribatejo. «Celestino Graça» 
  2. Maria João Lopo de Carvalho (2015). Grupo de Forcados Amadores de Santarém - Os Primeiros 100 Anos. [S.l.: s.n.] 
  3. Maria João Lopo de Carvalho (2015). Grupo de Forcados Amadores de Santarém - Os Primeiros 100 Anos. [S.l.: s.n.] 
  4. Diniz Ferreira e José Niza. A Feira a preto e branco. [S.l.]: Prime Books. 21 páginas. 978-989-8028-92-1 
  5. Chancelaria das Ordens Honoríficas Portuguesas. «Celestino Graça»