Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro

Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro
Tipo Museu
Inauguração 2008 (12 anos)
Website [3]
Geografia
País Portugal Portugal
Localidade Vimeiro

O Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro foi inaugurado a 21 de agosto de 2008, durante as comemorações do bicentenário da Batalha do Vimeiro e localiza-se no outeiro do Vimeiro (município da Lourinhã), junto ao monumento comemorativo do primeiro centenário da batalha.[1]

Construído de forma estratégica, o centro de interpretação possibilita uma visão privilegiada para o campo de batalha através de uma grande janela através da qual se pode observar o local onde se confrontaram os exércitos Anglo-Luso e Francês há mais de duzentos anos.

No âmbito de uma candidatura ao PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural) ocorrida em 2014, o espaço foi munido de mais recursos e novas exposições. No presente, reúne um espólio museológico e arqueológico de qualidade reconhecida com uma componente textual que permite aos seus visitantes desfrutarem do espaço de forma independente.[2]

Serviços disponíveis:

  • Receção;
  • Visita guiada;
  • Visita multimédia;
  • Serviço educativo;
  • Percursos pedestres;
  • Biblioteca e arquivo histórico
  • Recriações históricas.

A Guerra PeninsularEditar

A Guerra Peninsular afigura-se como um episódio marcante na história de Portugal do século XIX. Travado entre 1801 e 1814, o conflito pode caracterizar-se como uma guerra de desgaste que trouxe largas perdas em vidas humanas e em bens materiais.

Apesar do nome - Peninsular – reportar à Península Ibérica: Portugal e Espanha, a verdade é que envolveu o nosso País num conflito europeu que teve como pano de fundo as Guerras Napoleónicas.

Napoleão desejava a vitória sobre todas as nações que não aceitavam os ideais da Revolução Francesa. Senhor da Europa nos primeiros anos do século XIX, virava agora os seus esforços de guerra contra a Inglaterra, pretendendo isolá-la através de um bloqueio, conhecido por Bloqueio Continental. Portugal, por aliança antiga, mantinha os seus portos abertos a Inglaterra, e foi habilmente jogando com a Inglaterra e França um jogo diplomático, evitando o conflito com estes dois países. Numa primeira fase, Espanha aliou-se à França, o que acabou por resultar na primeira invasão a Portugal por parte de um exército espanhol em 1801. O conflito ficou conhecido por Guerra das Laranjas.

Embora derrotadas as forças portuguesas, foi possível através do jogo político, adiar uma guerra total com França. No entanto, a situação foi-se agravando a partir de 1801, quando o Príncipe Regente D. João manteve uma política pró Inglesa, visto que a Inglaterra dominava o mar e Portugal vivia das suas colónias ultramarinas. Mostrou-se, então, necessário manter a antiga aliança. Apesar dos esforços envidados, Portugal não conseguiu adiar mais o inevitável e em 1807 foi invadido por um exército sob o comando de Junot., por um segundo exército com Soult, em 1809, e por fim, em 1811, com Massena a comandar as tropas francesas. Embora, na altura, a Rainha e o Príncipe Regente estivessem refugiados no Brasil e com eles grande parte do Estado-Maior, o nosso exército, auxiliado por Inglaterra, obteve diversas vitórias militares que acabaram por expulsar os franceses até ao seu país.

Roliça, Vimeiro, Ponte de Amarante, Buçaco e as linhas de Torres Vedras tornaram-se episódios imortais de uma guerra que trouxe grande destruição a Portugal, mas que também fomentou, nas mentes de toda uma nova geração de portugueses, um novo ideal liberal. Em 1815 dá-se a ultima grande batalha em Waterloo, onde Napoleão é definitivamente vencido por Wellington.

A Batalha do VimeiroEditar

A Batalha do Vimeiro foi travada no dia 21 de agosto de 1808 entre o Exército Francês, comandado por Junot, e o Exército Anglo-Luso, sob o comando de Sir Arthur Wellesley.

Após os combates na Roliça no dia 17 de agosto, Sir Arthur marcha para a zona do Vimeiro a fim de fazer o desembarque de reforços na Praia de Porto Novo. As tropas anglo-lusas mantiveram uma posição defensiva no Vimeiro, aproveitando a geografia do terreno. Os franceses, reunidos em Torres Vedras, decidiram tomar a ofensiva, chegando à Carrasqueira na manhã de 21 de agosto. A partir desse ponto, Junot deu ordem de marcha para a batalha.

Os confrontos mais importantes e decisivos aconteceram no outeiro do Vimeiro. Após dois ataques fracassados e percebendo a impossibilidade de tomar o outeiro, Junot enviou tropas para tomar a localidade. Na zona da Igreja, travou-se uma sangrenta peleja que acabou com a retirada dos franceses, perseguidos pela cavalaria anglo-lusa. Sem conhecimento da situação do flanco esquerdo, duas brigadas francesas confrontaram os britânicos nos altos da Ventosa. Uma vez mais, os franceses viram-se forçados a recuar.

A Batalha do Vimeiro foi uma vitória inegável do Exército Anglo-Luso sobre as forças da França Imperial, pondo termo à Primeira Invasão Francesa. Junot perdeu cerca de 2000 homens, entre mortos, feridos e prisioneiros e o exército anglo-luso cerca de 700.

Recriações HistóricasEditar

Anualmente, na segunda quinzena do mês de julho, é organizada a Feira Oitocentista, a qual pretende recriar o ambiente em que a batalha foi travada. Apresenta bancas de artesanato, tasquinhas, animação de rua, vários concertos, atuações de ranchos folclóricos e tem como ponto alto a recriação histórica da batalha com a participação de recriadores nacionais e estrangeiros, nomeadamente os que integram o Grupo de Recriação Histórica do Vimeiro (GRHV).

Em fevereiro de 2015, foi constituída a Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro (AMBV), a qual deu origem ao GRHV. Este conta já com cerca de 20 recriadores que têm participado em diversos eventos recreativos.

Referências

  1. Especialistas querem fazer estudo arqueológico no campo da batalha do Vimeiro (21 de Agosto de 2008). LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.[1]
  2. Site do Município da Lourinhã [2]