Abrir menu principal
Monumento à Chega de Bois - Montalegre

A chega de touros, luta de touros (designações na Terra Fria Transmontana) ou chega de bois (Terra Quente Trasmontana) é uma parte importante da actividade dos criadores de gado de Trás-os-Montes. De origens ancestrais, as chegas de touros foram impulsionadas nas última décadas como incentivo à criação das raças autóctones portuguesas, principalmente as raças Mirandesa e Barrosã.

Em Vieira do Minho realizam-se anualmente 4 chegas de bois , com 6 emparelhamentos em cada uma. Em Fevereiro na Feira do Fumeiro, em Junho na Agro Vieira, em Outubro na Feira da Ladra e em Novembro no Mercado da Castanha.

Anualmente, no período do Verão realizam-se o Campeonato Nacional de Chega de Bois da Raça Barrosã em Montalegre, e o Campeonato Nacional de Chega de Touros da Raça Mirandesa em Vinhais.

Índice

HistóriaEditar

Não é possível determinar a origem do ritual das lutas de touros, presumindo-se que esteja ligada à crença de que Dionísio, divindade da vegetação e das colheitas, podia assumir a forma física, do touro como representação simbólica de masculinidade e valentia. Terá sido a partir da reminiscência de festas pagãs dionisíacas, comuns a diversas culturas da Europa e África, que as lutas de touros tenham sobrevivido até à actualidade estando presentes anualmente nas mais importantes festas de Verão. As lutas de touros terão surgido como um ritual religioso, evoluindo para uma actividade lúdica.[1]

Com a substituição do uso do gado por meios mecânicos nas diversas actividades da agricultura, assistiu-se a um acentuado decréscimo das populações da raças autóctones portuguesas, devido também à menor produtividade (em carne e leite) comparativamente com outras raças vindas do exterior do país. Para contrariar esta tendência, várias associações ligadas à criação de gado de raças autóctones portuguesas (como os Solares das Raças, associações de criadores de gado e autarquias) resolveram no início do século XXI criar Campeonatos de Chegas de Touros como forma de incentivar a criação dessas raças e premiar os melhores exemplares.[2]

Estes campeonato têm um efeito muito positivo, sendo possível assistir a um aumento da população de gado autóctone, alguns dos quais criados especificamente para competição, associado a um crescente aumento de espectadores, traduzindo-se em maiores comparticipações financeiras distribuídas pelos criadores. Segundo um dos mentores do Campeonato da Raça Mirandesa, a prova "contribui para o aumento da qualidade da raça mirandesa", fomentando a selecção dos melhores exemplares.[3]

A ChegaEditar

O princípio das chegas de touros é simples: trata-se de aproximar, ou “chegar” dois machos, que manterão as cabeças encostadas para determinar o mais forte. Raramente estas lutas implicam algum tipo de ferimento para algum dos animais tratando-se antes de recriar um processo natural em que os animais se observam, exibem a sua corpulência e, eventualmente tratarão de medir forças, através do encosto das cabeças, apenas o necessário para que um deles sinta estar em desvantagem, isto é, dê sinais de recuo ou de fuga. Em alguns casos, o animal dominante fará uma breve perseguição ao mais fraco, o suficiente para confirmar o seu poder, sem consentir dúvidas ao adversário. As chegas de touros podem durar vários minutos como apenas alguns segundos (ou nem chegar a principiar caso um animal recuse "dar a cabeça"), em que os imponentes animais chegam a pesar 1200Kg no caso da Raça Mirandesa.[4]

Paralelamente às chegas é natural estabelecer-se um sistema de apostas sobre os vencedores, consistindo em mais uma fonte de receita para os criadores. Actualmente, a maioria dos animais são pertença de criadores de gado, cujo este é o seu meio de subsistência, mas recuando a tempos anteriores à segunda metade do século XX, os touros eram um bem comunitário, pertença de uma aldeia, e que era cuidado colectivamente. Este costume fazia parte das tradições comunitárias que eram um traço marcante da região transmontana, sendo uma das suas funções a reprodutiva. Ainda hoje é possível encontrar os “bois do povo” em algumas, embora poucas, aldeias de Trás-os-Montes, estando no entanto ainda bem presente na Ilha Terceira, nos Açores.

Campeonato Nacional de Chega de Bois da Raça BarrosãEditar

Campeonato Nacional de Chega de Bois da Raça Barrosã com lutas entre 2 animais apurando-se o vencedor, em eliminatórias sucessivas até ser encontrado o campeão.

Lista de vencedoresEditar

Campeonato Nacional de Chega de Touros da Raça MirandesaEditar

No Campeonato Nacional de Chega de Touros da Raça Mirandesa, são admitidos a concurso todos os elementos masculinos da Raça Mirandesa dividos em duas categorias (A - mais de cinco anos e B - menos de 5 anos), com lutas entre 2 animais apurando-se o vencedor, em eliminatórias sucessivas até ser encontrado o campeão.

Entre 14 de julho e 18 de agosto de 2013 disputou-se o 5º Campeonato Nacional de Chega de Touros da Raça Mirandesa em Vinhais. A edição de 2013 envolveu cerca de 40 animais (ambas as categorias) e teve como grande surpresa a eliminação do campeão em título bem como do vencedor das 3 primeiras edições Pinheiro de Quintela, ambos na 1ª eliminatória.

'Rouxinol de Quintela (A) e Galante de Bragada (B) sagraram-se Campeões Nacionais de 2013.

Lista de vencedoresEditar

Chega dos CampeõesEditar

A 20 de Maio de 2012 em Vinhais disputou-se a Chega dos Campeões entre o tri-campeão Mirandês Pinheiro de Quintela e o campeão Barrosão Mantorras de Montalegre. Venceu o Pinheiro sagrando-se Campeão dos Campeões.

Referências

Ver TambémEditar

Ligações ExternasEditar