Colégio Renascença


O Colégio Renascença, ou Colégio Hebraico Brasileiro Renascença é uma instituição particular de ensino brasileira, situada na cidade de São Paulo.

Essa instituição é considerada a maior escola judaica no Brasil e uma das cinco maiores da América Latina.[1] Tem atualmente cerca de 800 alunos, aos quais oferece classes que vão da educação infantil ao final do ensino médio.

Foi fundado na década de 1920 no bairro do Bom Retiro, mas se expandiu e mudou-se, em 2002, para Santa Cecília.[1] No início de 2018 mudou-se para a nova sede, no bairro da Barra Funda, onde ocupa a área do antigo estacionamento do parque de diversões Playcenter [2]

Contribuição do professor Walter Lerner nos seus 30 anos no Colégio Renascença (retirado do site www.walterlerner.com.br)

Em outubro de 1960, enquanto exercia minhas atividades no Departamento de Educação da Secretaria de Educação, lecionava Química, todas as manhãs, no Liceu Acadêmico São Paulo (desde 1957) e no Colégio São Judas Tadeu (desde 1958), assim como a noite ensinava Química em escolas técnicas.

Nessa época em virtude de exercer missões especiais por designação do Secretário da Educação Queiroz Filho, meu nome ganhou projeção na Mídia (O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, etc). Tive grande êxito nessas incumbências e graças a isso recebi a visita dos professores Abrão Block, Simão Faiguemboim e Cônsul Leon Feffer que na minha residência fizeram um convite para dirigir o então Ginásio Renascença por 60 dias, para resolver grandes problemas administrativos e pedagógicos que afligiam aquele estabelecimento de ensino.

Até então não conhecia o Renascença, mas atendi ao apelo e no dia 5 de Novembro de 1960, assumi o cargo de Diretor Geral do Ginásio Hebraico Brasileiro Renascença situado nas ruas Bandeirantes e Prates, no Bom Retiro. Em dezembro de 1960 fui efetivado no cargo.

Nascia então uma fase importante da minha vida profissional e social, que se prolongou por 30 anos. Recebi a escola com 500 alunos e a deixei em 1990 com 3.500 alunos.

Em 1961 e nos anos seguintes comecei a implantar meu sistema próprio de direção, rígido, controlando gastos e planejando o dia a dia da escola. Como conseqüência, nos 30 anos que se seguiram nunca mais a Sociedade Mantenedora precisou pedir donativos para manutenção da escola. Era a primeira vez que isso acontecia.

Mesmo com as construções que se seguiram de novos prédios, os empréstimos, realizados na Caixa Econômica foram pagos com sobras da arrecadação. Era a Filosofia Empresarial implantada na Direção, sem perder as características fundamentais da escola Judaica.

Mantive a equipe pedagógica existente e comecei uma reforma curricular que previa entre outras coisas o aumento do número de aulas semanais de Cultura Judaica e língua Hebraica de 5

para 10. Consegui no Conselho Estadual de Educação a introdução da língua Hebraica no currículo no lugar de Francês na categoria de língua estrangeira moderna.

Contava em todas as iniciativas com o apoio do Presidente Leon Feffer e de Dona Ida Flit, Presidente do Muterat, assim como de outros membros do executivo.

O deputado Jacob Salvador Zveibl, meu colega de ginásio, em 1937, conseguiu a assinatura de um Decreto Estadual, considerando o Renascença como de Utilidade Pública Estadual. Em seguida começamos a trabalhar pela utilidade pública federal e registro no Conselho Federal de Serviço Social, para se obter posteriormente isenção da cota do empregador no INSS.

Já na gestão como Presidente, de Abraham Kasinski, grande empreendedor, registramos nos órgãos competentes todos os professores e funcionários, legalizando completamente a escola e dando exemplo ás demais escolas Judaicas.

Em 15 de Novembro 1961 Kasinski inicia a construção do prédio novo na rua Prates com capacidade para mais de 1.000 alunos. Paralelamente Geni Rinski assumiu a Presidência do Muterat e minha mulher Branca Serra Netto Lerner compôs o maravilhoso HINO DO GINÁSIO HEBRAICO BRASILEIRO RENASCENÇA, depois também vertido para o Hebraico pelo Professor Uszer. Posteriormente Branca compôs também os Hinos do RENASCENÇA CINQUENTÃO E RENASCENÇA SESSENTÃO.

Em 1962 nos 40 anos do Renascença, consegui criar e instalar os cursos científico e clássico, pioneiros nas escolas judaicas de São Paulo. A escola atingiu 1000 alunos.

Em 1964 criamos a Escola Normal no Bom Retiro que desde o início foi muito prestigiada o que foi motivada pela minha filosofia de não manter professores leigos em qualquer nível da escola. Nesse ano introduzimos a Matemática Moderna. Em 1965 Kasinski inaugurou um novo prédio na rua Prates e pude criar os setores de Orientação Educacional e Pedagógica.

Em 1966, recebi na escola o Presidente de Israel Zalman Shazar, então em visita oficial ao Brasil. Paralelamente implantei o ginásio Vocacional (Moderno), em período integral sem prejuízo do ginásio tradicional. Fundei o Conservatório Musical.

Em 1967 o Renascença atingiu 1800 alunos. Os alunos do Renascença se destacam em todos os setores graças ao alto nível de ensino.

Introduzimos a Cerimônia de BAT-MITZVA com o rabino Diesndruk, pela primeira vez em escolas judaicas de São Paulo. Posteriormente o Muterat encampou a organização dessas solenidades.

Ainda em 1967, depois de uma pesquisa realizada pelas alunas da Escola Normal, no Bairro de Higienópolis fundei com a colaboração do Executivo a Escola Renascença de Higienópolis na Rua Bahia. O sucesso foi grande. Em 1968 começamos com o curso infantil e duas séries do curso primário. Posteriormente criamos o Ginásio e o Colégio já na década de 70.

Amplamente prestigiado na coletividade e fora dela criamos cursos extras curriculares de Ballet e Teatro. Criamos no Bom Retiro junto a Escola Normal os cursos de Administradores Escolares e Especialização pré primária. Essa unidade do Bom Retiro em virtude disso passou a se chamar Instituto de Educação.

A Seguir com Aron SAHM na Presidência começamos a planejar a construção de um prédio novo e próprio em Higienópolis. Adquiriu-se um terreno na Rua São Vicente de Paula,659. O prédio construído neste terreno foi inaugurado em 1981.

Criamos no Bom Retiro as Faculdades Renascenças das quais fui o primeiro Diretor em 1975.

Nesse ínterim em 1972 comemoramos 50 anos de Renascença com a presença do meu amigo Governador Laudo Natel, que a meu convite participou das festas. Consegui nessa ocasião realizar um desfile de 30 escolas estaduais no Bom Retiro pelo fato de exercer o cargo de Delegado de Ensino na região.

Em 1973 meu cargo foi transformado em Supervisor Geral com jurisdição sobre todo o complexo renascentista inclusive as Faculdades.

Em 1973, para comemorar os 25 anos do Estado de Israel a convite da Secretária de Educação Esther Figueiredo Ferraz supervisionei um concurso literário sobre Israel em toda a rede do Ensino Estadual. Milhares de estudantes participaram e o vencedor ganhou uma viagem a Israel.

Logo a seguir fundei o curso de Magistério em Higienópolis e propus que o mesmo fosse em período integral (Português manhã)            (Hebraico a tarde). A Federação Israelita apoiou o plano que pioneiramente incluía remuneração para as alunas se manterem.

Na minha segunda visita a Israel em 1975 para receber o prêmio SHAZAR como a melhor escola Judaica da Diáspora das mãos do Presidente de Israel, Efraim Katzir no Palácio Presidencial em Jerusalém consegui que as professoradas do curso de magistério fizessem um estágio naquele país de um ano para se aperfeiçoarem.

Entre outras realizações criei e editei por muitos anos o Anuário Renascença, criei o prêmio Jovem Renascentista e a Ordem Renascença.

Durante minha gestão recebi em meu gabinete visitas especiais com o governador Laudo Natel, Carvalho Pinto, o Prefeito Faria Lima a Secretária da educação Esther Figueiredo Ferraz o presidente Zaulmann Shazar o Patriarca Bem Gurion e outras personalidades.

Minha atuação de 30 anos com tantas realizações só foi possível graças ao apoio de uma equipe de professores e funcionários amigos. Desculpando-me por possíveis omissões desejo destacar: Simão Maghdman, Cláudio Malagol,, Ida Cymbalista, Miriam Smaletz, Elza Bianchini, Chaim Grinkraut, Frida Flaksberg, Henrique Grimbergas, Terezinha Rodrigues, Ângelo Sibnel, Sarita Kreimer, Branca Eisencraft, Geni Shanoft, Saul Biremboim, Eduardo Bianchini, Celso Pacheco, Regina Fioravante ,Aniela Honigsblun, Abrão Zweinam e outros.

Em 1989 informatizei toda a Escola e introduzi a informática no currículo escolar.

Elaborei a Filosofia de Educação do Colégio Renascença aprovada pelo Executivo e publicada no anuário Renascença.

As três unidades Bom Retiro, Higienópolis e Faculdades chegaram a ter mais de 3.500 alunos e 300 professores e funcionários.

Orgulho-me de ter registrado todos sem exceção e de nos meus 30 anos de gestão, não ter qualquer caso trabalhista ou qualquer problema junto a Secretaria de Educação.

Ao deixar o Renascença em 1990, por livre e espontânea vontade ( avisei da minha saída um ano antes) não deixei qualquer demanda ou dívida. Ao mesmo tempo em que no caixa havia considerável Superávit.

Trabalhamos em harmonia durante nossa gestão com Leon Feffer, Abrahan Kassinski, Aron Sahm, Benjamim e Ida Flit, Walter e Ida Simone, David Gorodevski, Ruvin Pikmam, Hanna e Rafael Halpern, José Knoplich, Nelson Kojranski, David Feldman, Carol Goldstein, Geni e Manuel Rinski, Póla Zajdeens,Matilde Ajbezyk, Helena Maghidman, Marcos Szmalets, Mauricio Scherman.

Referências

Ligações externasEditar

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