Comité monetário

Um Currency Board, por vezes traduzido para comité monetário ou fundo de estabilização cambial é uma autoridade monetária a quem incumbe manter uma paridade cambial fixa em relação a uma moeda estrangeira, é o sistema que se utiliza quando se quer adotar uma genuína "âncora cambial", o que faz com que a moeda de um país se torne um mero substituto de uma moeda estrangeira, é um dos arranjos monetários mais antigos e tradicionais do mundo.[1]

O Currency Board fica inibido de utilizar os instrumentos normalmente atribuídos a um banco central.

Para deixar mais claro o funcionamento de um Currency Board vamos exemplificar:

Primeiro tome nota do que são as Reservas Internacionais, essas reservas não são um dinheiro que é guardado num cofre, a reserva internacional é a quantidade de moeda internacional que existe no país. E que Base Monetária é a quantidade de moeda nacional.

Imagine que o Brasil vai instalar um Currency Board em relação à Libra Esterlina (Libra) usada no Reino Unido. De cara podemos dizer que qualquer variação no real depende de uma variação da moeda estrangeira no país de origem.

Agora que temos a moeda para fixar a taxa vamos fazê-la.

O Currency Board brasileiro faz a equiparação de: 1 Libra --- 2 Real

Tomando conta dos deveres do Banco Central o Currency Board assume o controle das reservas internacionais e começa a opera-las com 12bi de Libras. Note que ainda não houve ação sobre a moeda nacional.

Sabendo da quantidade de Libras em reserva o Currency Board para de imprimir Real. E agora passa a realizar troca de câmbios onde o dinheiro sempre passa pelo Currency Board.

Digamos que você vai EXPORTAR uma mercadoria e seu comprador vai pagar 1mi de libras. Esse dinheiro entra nas reservas do Currency Board que agora possui 12bi e 1mi de libras. E agora imprime uma quantidade equivalente de real, nesse caso 2mi de reais. Você pode escolher ficar com as Libras ou ir trocar no Currency Board por reais. Como o Currency Board faz a troca imediata você pode realizar escambo direto com outras pessoas já que as pessoas não irão perder com a troca.

Agora imagine que você vai IMPORTAR uma mercadoria e seu vendedor ainda receoso com a moeda nacional só aceite em Libras, você deve pagar 2bi de libras. Para isso você deve ir ao Currency Board onde ela recolherá 4bi de reais, o preço equivalente, e aí repassará os 2bi de libras para o vendedor. mantendo assim uma relação estrita à quantidade de libras e de reais nas reservas.

Para resumir tudo isso, levando em conta a taxa aqui estabelecida, no sistema de Currency Board, para cada Libra injetada no Brasil o CB imprime uma quantidade equivalente de reais, ou seja, para cada 1 libra que entra o Currecny Board imprime 2 reais. E a operação inversa acontece quando para cada libra que é retirada das reservas o Currency Board recolhe dois reais e repassa as libras para o destinatário estrangeiro. Dizemos assim que o princípio do Currency Board é obedecido ortodoxamente.

Desse modo para que haja equilíbrio a base monetária deve ser inferior ou no máximo igual às reservas internacionais, isso por que caso seja melhor é só imprimir mais notas para chegar ao equilíbrio. Em tese, como a quantidade de libras nas reservas internacionais é, por definição, igual ou superior à base monetária, é impossível haver qualquer ataque especulativo, pois seria impossível exaurir as reservas internacionais (a base monetária teria de ser toda mandada pra fora, algo por definição impossível), ele é um regime câmbial mais resistente ao colapso. [2] Essa é a principal atratividade do sistema: ele dá segurança aos investidores estrangeiros, que deixam de temer uma súbita desvalorização da moeda nacional, o que causaria enorme prejuízo para eles quando fossem repatriar seus lucros. [3][4]

Note que, sob um Currency Board, a variação da base monetária é completamente passiva.  Ela aumenta e diminui estritamente de acordo com a entrada e saída de moeda estrangeira.  O Currency Board não faz política monetária.  Ele não pode criar moeda nacional e injetá-la na economia em troca de um ativo qualquer (quantitative Easing).  Ele só pode emitir moeda nacional se receber um valor equivalente em moeda estrangeira.

Sob este regime de câmbio estritamente fixo e de política monetária totalmente passiva, quando há um superávit no balanço de pagamentos, a base monetária se expande e os bancos ficam com mais reservas.  Isso gera uma redução nos juros e, consequentemente, uma expansão no crédito e uma elevação nos preços.  Ato contínuo, as importações aumentam e tende a haver uma saída de capital especulativo do país (por causa da redução dos juros), o que gera uma saída de reservas do país.  Essa saída de reservas reduz a base monetária (mas não necessariamente a oferta monetária, pois os bancos continuam operando normalmente com reservas fracionárias).  Os juros sobem, isso atrai capital estrangeiro (e a economia se desacelera) e o balanço de pagamentos volta ao equilíbrio.

Esse arranjo funciona exatamente como funcionaria um padrão-ouro, com uma moeda estrangeira fazendo o papel do ouro.  (Com o tempo, o balanço de pagamentos tende ao equilíbrio, de forma que tais flutuações econômicas sejam mínimas.)

Ou seja, em vez de haver um Banco Central manipulando juros e base monetária com o intuito (impossível) de fazer uma "sintonia fina" na economia, em um arranjo de Currency Board juros, base monetária e crédito são determinados pelas forças de mercado, e como o governo passa a ser impossibilitado de imprimir dinheiro ao seu bel prazer, isto impõe ao governo Responsabilidades fiscal. [5]

HistóriaEditar

Eles chegaram a ser usados na Argentina, Hong Kong desde 1983, Cingapura, em algumas das novas repúblicas no Báltico (Estônia e Lituânia), em Brunei e em Djubuti, e no Brasil de 1906 a 1920. [6]

O dólar de Cingapura nasceu ancorado à libra esterlina, depois passou para o dólar, e depois para uma cesta de moedas, forneceu preços estáveis (uma das menores inflações de preço do mundo) e uma moeda plenamente segura e conversível, o que atraiu investimentos estrangeiros maciços. [7][8]

Na ArgentinaEditar

 
Índice de preços na argentina em parte do período em que vigorou o Currency Board

Em abril de 1991, a inflação de preços que havia sido de 1.344% em 1990, caiu para 84% em 1991, para 17,5% em 1992, para 7,4% em 1993, para 3,9% em 1994, para 1,6% em 1995 e, de 1996 até o final de 2001, a média foi de praticamente 0%, o arranjo vigorou até 2001.

Já o governo conseguiu baixar o gasto público de 35,6% do PIB em 1989 para 27% do PIB em 1995.  Igualmente, o déficit fiscal saiu de 7,6% do PIB em 1989 para 2,3% em 1990 e, de 1991 até o final de 1994, ficou próximo de 0%.

As reservas internacionais, por sua vez, que estavam 3,81 bilhões no final de 1989, foram para 17,93 bilhões ao final de 1994.

O principal efeito desta política de abolição da inflação e de redução do estado foi a perceptível queda nos índices de pobreza.  Em outubro de 1989, o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza em Buenos Aires e adjacências era de 47,3%.  Em maio de 1994, tal valor já havia caído para 16,1%.

ColapsoEditar

A partir do momento em que o governo não mais conseguiu manter seu orçamento equilibrado (a partir de 1995) e passou a aumentar sua dívida de forma contínua, gerando incertezas quanto à capacidade de financiamento e aumentando a propensão a um calote, a confiança no sistema começou a desaparecer e o colapso era iminente. Como ainda as poucas características de Currency Board que havia no Banco Central argentino foram sendo gradualmente eliminadas. Ao determinar que o Banco Central poderia comprar títulos do governo e poderia fazer injeções de dinheiro no mercado interbancário — o que ia totalmente contra ao funcionamento de um Currency Board, a argentina experimentou 7 anos de baixa inflação, em Janeiro de 2002 a âncora cambial é abolida e o Peso Argentino passa a flutuar com o dólar.[9]

Exemplos na história recenteEditar

Moedas fixas em relação ao EuroEditar

Para lista completa leia Uso Internacional do Euro.

Moedas Fixas em relação ao DólarEditar

Para lista completa leia Dólar Americano.

Exemplos de Moedas
1 Dólar das Ilhas Cayman 1,20 Dólares Americanos
1 Dólar de Honk Kong 0,12 Dólares Americano
1 Dólar do Caribe 0,37 Dólares Americanos


Referências

  1. T., Baliño, Tomás J.; Charles., Enoch,; Fund., International Monetary (1997). Currency board arrangements : issues and experiences. Washington, DC: International Monetary Fund. ISBN 9781557756688. OCLC 37492756 
  2. «"Currency Boards"- Gustavo H. B. Franco». www.economia.puc-rio.br. Consultado em 6 de março de 2018 
  3. «Um pequeno histórico das políticas monetárias do real - e por que estamos em uma sinuca de bico». Mises Brasil. Consultado em 6 de março de 2018 
  4. «Cambalache - a história do colapso econômico da Argentina». Mises Brasil. Consultado em 6 de março de 2018 
  5. «Os três tipos de regimes cambiais existentes - e qual seria o mais adequado para o Brasil». Mises Brasil. Consultado em 6 de março de 2018 
  6. «The ABC of a currency board». The Economist (em inglês). Consultado em 6 de março de 2018 
  7. «Lee Kuan Yew, o homem responsável pelo que Cingapura tem de melhor e de pior». Mises Brasil. Consultado em 6 de março de 2018 
  8. «Como cingapura se desenvolveu - de favela a potência mundial. - Manual do Dinheiro». Manual do Dinheiro. 26 de abril de 2017 
  9. «Cambalache - a história do colapso econômico da Argentina». Mises Brasil. Consultado em 16 de março de 2018 

Ver tambémEditar

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