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Conde de Vilas Boas

1.º Conde de Vilas Boas, Ten. Fernando de Magalhães e Menezes

O título de Conde de Vilas Boas foi criado por decreto do rei D. Carlos I de Portugal, datado de 20 de Maio de 1907[1], a favor de Fernando Magalhães de Menezes CavTE, Tenente da Armada e proprietário em Barcelos e Amarante.


O 1.º Conde de Vilas Boas (15.2.1873 Paço de Vilas Boas, Barcelos - 3.12.1951, Porto), era filho e herdeiro do General Fernando de Magalhães e Menezes. Era chefe da família Vilas Boas, de Barcelos, e Magalhães e Meneses, de Amarante, e proprietário do Paço dos Vilas Boas em Barcelos e da Casa de Airó, nos arredores de Barcelos. Foi o 3.º Barão de Vilalva Guimarães, por falecimento de seu irmão José, 2.º Barão, netos maternos do 1.º Barão de Vilalva Guimarães Guilherme Júlio Teixeira de Moura.

Fez o curso de Marinha na Escola Naval, e assentou praça, a 9.11.1889, passando a Aspirante de 2ª Classe, em 15.11.1890, e a Guarda Marinha a 5.11.1895. Entre 24.1.1897 e 6.4.1897, participou na coluna de operações da Campanha dos Namarrais. Aí tomou parte nas operações de Naguem, a 3.3.1897 e três dias depois tomou parte na expedição de Ibrahimo, recebendo pelos seus serviços a Medalha de Prata Rainha D. Amélia. Fez igualmente toda a Campanha de Gaza, participando na captura de Ngungunhane ou Gungunhana, entre 3.7.1897 e 8.9.1897. Lutou no Combate de Macontene, tendo recebido um louvor da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, por portaria de 10.12.1897, e novamente a Medalha de Prata Rainha D Amélia. No fim desta campanha é-lhe concedido o comando do Vapor “Chuabo”, a 20.9.1897, bem como o grau de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, representando Fernando de Magalhães e Meneses a quarta geração de uma linhagem de cavaleiros desta ordem.


Pertencendo à guarnição do vapor “Neves Ferreira” tomou parte nas operações de Magaio da Costa de 1.7.1898 a 8.7.1898. Durante o ano de 1899, ocupa o cargo de Adido à Majoria General da Armada, e à Direcção Geral da Marinha, sendo nomeado ajudante de ordens interino do Director Geral da Marinha. Realizou uma campanha em Macau entre 17.6.1900 e 4.3.1901, sendo louvado pelo modo “valente, digno, inteligente e patriótico” com que comandou a estação naval. A 28.4.1901 recebeu guia para a Divisão Naval do Índico, passando a operar em Moçambique. Aí tomou parte nas operações do Barué em 1902, comandando a Lancha Canhoeira “Obuz”, tendo por esta última recebido novamente a Medalha de Prata Rainha D Amélia.


Armas do 1.º Conde de Vilas Boas

Foi nomeado a 26.1.1903 Intendente interino de Chinde, cargo que ocupará durante um ano. Em 12.12.1903 é nomeado Governador do distrito de Zambézia, cargo que ocupa até 29.2.1904. Entre 1905 e 1907 foi adido à Majoria General da Armada, e à Direcção Geral da Marinha, passando a 23.3.1907 ao Departamento Marítimo do Norte, sendo agraciado dois meses depois com o título de Conde de Vilas Boas.


A 1.4.1908 é eleito Administrador do Concelho de Barcelos, cargo que ocupará até 25.10.1910.


Com a implantação da Républica, sucedem-se um conjunto de requerimentos. Fernando de Magalhães e Meneses pede para residir na Casa da Faia, em Amarante, ou na Quinta do Cedro, em Coimbra. Simultaneamente pede licença ilimitada a 5.12.1910, e requer liquidação do tempo de serviço. Tinha estado ao serviço da Marinha durante 24 anos, 1 mês e 14 dias.


Ainda irrequieto, pede nova licença a 28.1.1911 para residir temporáriamente no Estado de Amazonas, no Brasil. Em Junho desse ano é-lhe novamente concedido o pedido de regressar à Casa da Faia. Regressa do Brasil a 28 de Junho, apresentando-se na Majoria da Armada não pessoalmente mas por escrito, alegando doença. A 16.9.1911, pede finalmente a demissão de Oficial da Armada, concluindo um turbulento processo de transicção política, decerto pautada por perseguições de vária ordem. Por isso se ausentou de Portugal, refugiando-se em Madrid, onde nasceu sua filha Maria José Mécia, e mais tarde em Lugo, onde nascem os restantes filhos. Voltou para Portugal por volta de 1920. Era membro do “Integralismo Lusitano”, organização que procurava restaurar a monarquia em Portugal, liderado por António Sardinha. Fazendo parte do comité central desta organização, Fernando de Magalhães e Meneses foi um dos signatários da declaração de 1922, segundo a qual o “integralismo Lusitano” se colocava à margem do Pacto de Paris, não tencionando promover a sua execução.


José Cunha de Magalhães e Menezes, 4.º Conde de Vilas Boas

Foi reintegrado a 2.12.1931, na situação de reserva, uma vez finda a 1ª República, e após a promulgação do decreto que concedia reforma a todos os oficiais que tomaram parte em revoluções anteriores a 28.5.1926.


Enquanto afastado da armada exerceu diversos cargos, como Administrador do Concelho de Esposende, Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Presidente do Sindicato Agrícola de Barcelos, Presidente da Associação Comercial de Barcelos, Provedor da Stª Casa da Misericórdia de Barcelos, entre outros. Dedicou-se também a estudos genealógicos, de que lamentávelmente nada chegou aos nossos dias. Também compôs poemas, especialmente letras para músicas de ranchos folclóricos.

Casou com Maria Luiza Forjaz Kopke Shwerin de Sousa Lobo, filha de Dinis Kopke Shwerin de Sousa Lobo, Inspector de Fazenda, Fidalgo da Casa Real, e de sua mulher D. Maria José Pereira Forjaz de Sampaio.

TitularesEditar

1.º- Fernando Magalhães de Menezes, vd. supra.

2.º- Fernando Magalhães e Menezes Forjaz (11.4.1915 - 14.6.1958), filho do 1.º Conde de Vilas Boas, Engenheiro Técnico, faleceu sem descendência.

3.º- José de Magalhães e Menezes Forjaz (11.4.1918 - 17.4.1982), irmão do 2.º Conde de Vilas Boas, Engenheiro Civil pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tendo ocupado vários cargos de gestão industrial, entre os quais Chefe de Serviço e Director Técnico da Empresa de Celulose de Cacia, e Director Técnico da Metalurgia do Norte. Casou com Helena Cisneiros Ferreira Ferin Cunha, com descendência.

4.º- José Francisco Cunha de Magalhães e Meneses (5.7.1950 - ), filho do 3.º Conde, Licenciado em Direito, Procurador do Ministério Público em Portimão. O processo mais mediático sob a sua alçada foi o caso Madeleine McCann[2]. É casado com Maria Antónia Marreiros Duarte, com descendência.

Referências