Conquista de Arzila

A conquista portuguesa de Arzila (em árabe: أصيلة، أرزيلة) ao Reino de Fez, em Marrocos, teve lugar a 24 de Agosto de 1471.

Conquista de Arzila
Guerras Luso-Marroquinas

O ataque português a Arzila numa das Tapeçarias de Pastrana
Data 24 de Agosto de 1471
Local Arzila, Marrocos
Desfecho Vitória portuguesa
Beligerantes
Portugal Sultanato Oatácida
Comandantes
D. Afonso V Maomé Xeque
Forças
30,000 homens
400 navios
Desconhecida
Baixas
Desconhecidas 2,000 mortos[1]
5,000 cativos[1]

História editar

O rei D. Afonso V decidira, com o espírito de cruzada contra os muçulmanos sempre presente, prosseguir com a sua política de expansão dos territórios portugueses em Marrocos e optara inicialmente por conquistar Tânger mas depois decidiu conquistar Arzila.

Tendo partido de Lagos com 400 navios e um exército composto por cerca de 30,000 homens[2] os portugueses alcançaram a costa marroquina na tarde de 22 de Agosto de 1471. O rei D. Afonso V convocou um conselho e decidiu atacar Arzila no dia seguinte de manhã. Sobreveio uma violenta tempestade e perderam-se alguns navios. Choveu durante os três dias que durou o ataque.[3]

A tempestade era tão forte que impediu os navios de bombardearem a cidade e só duas peças de artilharia pesada foram desembarcadas. Após um difícil desembarque em que morreram mais de 200 homens devido às grandes ondas e ventos fortes, o exército do rei D. Afonso V alcançou terra e sitiou a cidade, conquistando-a ao fim de uma porfiada batalha a 24 de Agosto de 1471.[1]

O conde de Valença D. Henrique de Meneses foi o primeiro a ser capitão de Arzila pelo rei.[4]

A vitória em Arzila abriu caminho para a conquista de Tânger quatro dias mais tarde, a 28 de Agosto de 1471, sem qualquer oposição.[3]

Tapeçarias de Pastrana editar

 Ver artigo principal: Tapeçarias de Pastrana

Em finais do século XV, um conjunto de quatro grandes tapeçarias foi encomendado pelo rei para comemorar a batalha. Foram feitas nas oficinas flamengas de Tournai, na Bélgica. São altamente notáveis pela maneira como representam um evento contemporâneo. A obra é tida entre as melhores tapeçarias góticas no mundo.[3]

Ver também editar

Referências

  1. a b c Diffie, Shafer, Winius "On August 24 the Portuguese captured the city killing some 2000 "infidels" and taking 5000 captives." p.145
  2. Black, "Asilah had been captured in 1471 by a Portuguese force of 400 ships and 30,000 men." p.18
  3. a b c «"The Invention of Glory: Afonso V and the Pastrana Tapestries", National Gallery of Art» (PDF). Consultado em 30 de julho de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 21 de dezembro de 2016 
  4. Quintella, p.181, p.182

Bibliografia editar

  • Jeremy Black, Cambridge illustrated atlas, warfare: Renaissance to revolution, 1492-1792 (1996) ISBN 0-521-47033-1
  • Bailey Wallys Diffie,Boyd C. Shafer,George Davison Winius, Foundations of the Portuguese empire, 1415-1580 (1977) ISBN 0-8166-0782-6
  • Ignacio da Costa Quintella, Academia das Ciências de Lisboa, Annaes da marinha portugueza, Volume 1 (1839)