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Consciência planetária é um movimento social que propõe mudar a relação de dominação do ser humano sobre a natureza e criar um modo de produção e de consumo respeitoso com o meio ambiente. Como todo movimento social, também este aglutina um conjunto de ideias, valores e projetos, dos quais, como observa o sociólogo Pedro de Assis Ribeiro de Oliveira (2009), a Carta da Terra é a melhor expressão.

Leonardo Boff (2009) apresenta que a Carta da Terra pressupõe uma consciência planetária como um dado indiscutível, pois se estruturam nos seguintes eixos: respeito à comunidade de vida; integridade ecológica; justiça social e econômica; democracia, não-violência e paz. A consciência planetária e a Carta da Terra visam a construção de uma sociedade global mais justa, sustentável e pacífica, levando em conta que existe uma interdependência entre os seres vivos cuja responsabilidade pelo planeta deve ser compartilhada por todos os seres humanos.

Consciência planetária e meio ambienteEditar

A consciência planetária ocorre através da percepção das complexas relações entre cada ser vivo e o meio ambiente, que não há indivíduos isolados e que toda vida depende de múltiplas relações. Desde meados do século XX essa consciência vem ampliando o seu raio de abrangência. Já não é apenas o meio ambiente imediato (cidade, região ou país) que conta, mas o meio ambiente mais amplo (planeta). Pode-se falar de consciência planetária para tratar a relação entre a humanidade – gênero humano com seus diferentes povos e culturas – e o seu meio ambiente, ou, em termos mais precisos, o macroorganismo vivo que James Lovelock chama de Gaia. A consciência planetária implica numa consciência ecológica, de responsabilidade diante da vida no planeta, mas vai muito além desta, porque no limite ela representa o ser humano como um componente do sistema de vida do planeta. O ser humano que vive e se relaciona com o planeta pensa e fala e de diferentes modos expressa sua consciência – que justamente por isso distingue-se dos demais componentes do planeta – mas nem por isso pode arrogar-se no direito de impor sua vontade sobre os demais. Para o ser humano, o meio ambiente deve ser entendido como o espaço físico e biológico mediado pela cultura, ou seja, um espaço que também é sociocultural.[1]

Fenômeno recente e um novo paradigmaEditar

Leonardo Boff observa que a consciência planetária é o efeito do processo histórico-social da humanidade que se descobre como espécie que ocupa a única Casa Comum, o planeta Terra. Dá-se conta de que entre Terra e Humanidade não há separação. Possuem a mesma origem e o mesmo destino. Daí nasce o sentimento de pertença e de responsabilidade pela sua preservação, de resgate de sua integridade ameaçada. Pedro Ribeiro (2009) aponta que a consciência planetária é um fenômeno recente. Começa a ganhar forma no final de século XX. Este tipo de consciência é algo novo e diferente no campo do pensamento, da cultura, da ciência e dos valores, o que aponta para um novo paradigma da civilização ocidental. O paradigma vigente – o cartesiano – confere ao ser humano o domínio total sobre toda a natureza. A consciência planetária propõe uma relação de igualdade entre os humanos e a totalidade de componentes do planeta Terra, e visa repensar a relação entre o ser humano e a natureza, e para isso se torna necessário ir além da ciência produzida pelo Ocidente, sem, contudo, menosprezá-la. A ciência moderna levou o desenvolvimento da técnica para o controle do mundo. Atualmente há em curso uma reflexão sobre a técnica como mediadora das relações entre o ser humano e a natureza, que por milênios tem sido uma relação tensa e prenhe de ameaças de morte para os humanos. Agora, porém, a relação se inverteu quem está ameaçado de morte é a natureza e com ela os seres humanos. O progresso tecnológico aliado ao consumo excessivo de recursos naturais mostrou-se nos últimos tempos uma ameaça para o equilíbrio da Terra. A hipótese de emersão de um novo paradigma da consciência planetária tende a afetar toda a ciência do século XXI e a relação entre os seres humanos e o meio ambiente. Na perspectiva da consciência planetária exige-se um novo ensaio civilizatório. Os defensores desta concepção de consciência apontam que a Terra e a natureza foram feitas meros objetos de uso e de exploração a ponto de colocarem em risco as condições de vida no planeta.

Referências

  1. «Cópia arquivada». Consultado em 15 de julho de 2013. Arquivado do original em 18 de outubro de 2012 
  • BOFF, Leonardo. A Carta da Terra e a consciência planetária. Um olhar “de dentro”. In: OLIVEIRA, P.A.R.; SOUZA, J.C.A. (Orgs.) Consciência Planetária e Religião – Desafios para o século XXI. São Paulo: Paulinas. 2009.
  • LOVELOCK, J. A vigança de Gaia. Rio de Janeiro: Intrínseca,2006.
  • OLIVEIRA, P.A.R. A Carta da Terra e a consciência planetária. Um olhar “de fora”. In: OLIVEIRA, P.A.R.; SOUZA, J.C.A. (Orgs.) Consciência Planetária e Religião – Desafios para o século XXI. São Paulo: Paulinas. 2009.
  • Sustentabilidade da vida e espiritualidade / Sociedade de Teologia e Ciências da Religião – Soter (org.) – São Paulo: Paulinas, 2008.