Convento de Rilhafoles

O Convento de Rilhafoles, depois Hospital de Rilhafoles e desde 1911 Hospital Miguel Bombarda GOB, pertenceu primeiramente à Congregação da Missão de São Vicente de Paulo e foi fundado por autorização pontifícia (Breve de 10 de Setembro de 1717) e do Cardeal-Patriarca D. Tomás de Almeida (alvará de 4 de Janeiro de 1717). Também era designado por: Casa Mãe da Congregação da Missão, Casa da Congregação da Missão em Rilhafoles, Casa de São João e São Paulo, Casa de Rilhafoles.

Fachada do Edifício Principal do antigo Hospital Miguel Bombarda.

HistóriaEditar

O Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, inicialmente instalado no edifício da Congregação da Missão dos Padres de São Vicente de Paulo, construído entre 1730 e 1750 na antiga Quinta de Rilhafoles, adquirida por aquela instituição religiosa em 1720.

Após a extinção das ordens religiosas em Portugal, o edifício do ex-convento de Rilhafoles albergou o Real Colégio Militar, a partir de 1 de Setembro de 1835, instituição que ocupou as instalações até que, por decreto de 14 de Novembro de 1848, referendado pelo duque de Saldanha e barão de Franco, por ocasião das reformas legislativas do ensino e do exército realizadas na época, foi transferido para o edifício do Convento de Mafra.[1]

Após a saída do Colégio Militar foi destinado para o hospital de alienados, isto é destinado a doentes mentais, transformando-se no mais antigo Hospital Psiquiátrico do país, fundado em 1848.

Em 1853 é construído o Edifício do Balneário, inaugurado pela rainha D. Maria II, para banhos terapêuticos aplicados em psiquiatria, considerado o melhor da Europa.[2]

Após a nomeação do Prof. Miguel Bombarda para Diretor do Hospital, em 1892, são construídoe e inaugurados outros edifícios de excepcional valor arquitectónico e histórico. Da autoria do Arq.º José Maria Nepomuceno, o Edifício das Enfermarias em Poste Telefónico (1886-1894), o Pavilhão de Segurança (1892-1896) para doentes vindos da Penitenciária, que é um edifício único e vanguardista[3] em termos internacionais, revelado em 2009 pelo estudo de Vítor Albuquerque Freire, que antecipa em 30 anos o design e a arquitectura moderna das décadas de 1920 e 1930, (arredondamentos de arestas racionalistas generalizados em bancos, portas e janelas, para evitar contusões, proporcionar maior resistência e facilitar a limpeza) e um dos seis edifícios deste género (sistema inventado por Jeremy Bentham) no mundo e o único com pátio a descoberto (para os doentes permanecerem ao ar livre durante o dia, melhorando o seu estado de saúde e evitando a transmissão de doenças).[2]

A instituição evoluiu entretanto para o Hospital Miguel Bombarda, em homenagem a este médico psiquiatra, Grande-Oficial da Ordem de Benemerência a 29 de Novembro de 1948,[4] encerrado em 2011.

Atualmente alberga o Museu Miguel Bombarda, de Arte de Doentes e Neurociências, com a maior coleção do país de arte outsider ou art brut, "arte pouco ou não influenciada pela arte institucionalmente aceite, produzida geralmente por autores sem formação ou autodidatas, desligados, pelo seu isolamento ou atitude, dos circuitos culturais, em muitos casos artistas com perturbação mental ou afastados e não reconhecidos pela sociedade".[2] Nas visitas guiadas podem observar-se o Gabinete onde o Prof. Bombarda foi assassinado em 1910, a Igreja rocaille, o salão nobre e o Balneário D. Maria II.

Fica ao cimo da Rua Dr. Almeida Amaral, próximo da Rua de Gomes Freire, na zona do Campo dos Mártires da Pátria

Os edifícios do Balneário D. Maria II (1853) e o Pavilhão de Segurança (1896) foram classificados como Conjunto de Interesse Público (CIP) em 24 de Dezembro de 2010, e a sua zona especial de proteção integra todos os edifícios do Hospital.

Em Outubro de 2014, o edifício principal (antiga Casa da Congregação da Missão de São Vicente de Paulo) ficou abrangido pela classificação já existente para o Balneário D. Maria II e Pavilhão de Segurança do Hospital, estando em Vias de Classificação (como Conjunto de Interesse Público).[5]

FuturoEditar

Em 2022, a câmara de Lisboa propôs, nos terrenos do Miguel Bombarda sejam construídos três novos lotes de habitação, com seis a oito pisos, destinados a arrendamento acessível. Está também prevista a construção de um estabelecimento hoteleiro, com um número de camas ainda por definir, que ficará instalado no edifício do antigo convento de Rilhafoles e onde funcionou o hospital psiquiátrico Miguel Bombarda. Há ainda um quinto lote, que ocupará a antiga cozinha, e a que será dado um uso comercial, previsivelmente de restauração.

No âmbito desta operação urbanística, uma parte dos terrenos (que são propriedade do Estado) será cedida à Câmara de Lisboa para a construção de uma escola básica 123 (com os três ciclos do ensino básico), com capacidade para mil alunos, e um jardim infantil. Já o conjunto classificado desde 2010 como sendo de interesse público - que abarca o pavilhão Panótico, uma singular construção em círculo que funcionou como enfermaria/prisão, e o Balneário D. Maria II - será requalificado, ficando como "equipamentos culturais/museológicos"[6].

Referências

  1. Colégio Militar
  2. a b c Museu Miguel Bombarda, Associação Portuguesa de Arte Outsider
  3. Freire, Vítor Albuquerque (2009). Panóptico, Vanguardista e IgnoradoO Pavilhão de Segurança do Hospital Miguel Bombarda. [S.l.: s.n.] 
  4. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Hospital de Miguel Bombarda". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 23 de fevereiro de 2015 
  5. Diário da República, 2.ª série — N.º 192 — 6 de outubro de 2014
  6. «Renda acessível, um hotel, uma escola e uma nova rua: o futuro dos terrenos do Miguel Bombarda» 

Ligações externasEditar

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