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Convento de São Francisco da Cidade

Representação do Convento de São Francisco da Cidade, num painel de azulejos do início do século XVIII (Museu Nacional do Azulejo)

O Convento de São Francisco da Cidade em Lisboa, foi fundado em 1217 por Frei Zacarias, que três anos antes chegara a Portugal na companhia de Frei Gualter, ambos vindos de Assis. Actualmente já não existe.

HistóriaEditar

Munidos de credenciais atestadas pelo próprio fundador da Ordem Franciscana, obtiveram licença do rei D. Afonso II - cuja corte estava sedeada em Coimbra - para construírem dois novos conventos. Frei Guálter foi fundar um em Guimarães. Frei Zacarias foi para Lisboa, ali se dedicando à edificação do quarto convento construído nessa cidade (após os de São Vicente de Fora, de Santos, e de Chelas) desde que esta fora conquistada por D. Afonso Henriques, em 1147.

O local escolhido para a sua implantação foi o Monte Fragoso – local então ermo e despovoado, cuja escarpa (durante muito tempo conhecida como «Barrocal») era banhada pelo rio Tejo na antiga praia de Cataquefarás (actual Largo do Corpo Santo). Construído sobre um rochedo, o edifício original tinha a sua porta principal virada a sul, acedendo-se a ela, como ainda hoje, pela Calçada de São Francisco, a qual foi criada com sucessivos aterros.

A área do Convento de São Francisco da Cidade era tão grande que o povo lhe chamava «a Cidade de São Francisco».[carece de fontes?] Foi ampliado logo em 1246 e integrado na cidade após a construção, em meados do século XIV da «Muralha Fernandina», que tinha o seu limite na actual Rua do Alecrim – Lisboa passou então a estar defendida por uma longa muralha dotada de 77 torres, que resistiu durante vários meses ao cerco castelhano durante a crise de 1383-1385. A porta principal da cidade situava-se então junto ao actual Largo do Chiado, entre as duas igrejas.

O convento conheceu o seu período de maior fausto durante os séculos XV e XVI, tendo sido reedificado em 1528. Além de convento e templo, serviu também como albergue e hospital, e foi na sua Livraria que se reuniram as Cortes do país em 1579, 1619, 1642, 1668 e 1679. Em 1708 e 1741 foi porém pasto de dois terríveis incêndios. Por fim, quando acabava de ser reconstruído mais uma vez, foi arrasado pelo Terramoto de 1755 e o incêndio que a este se seguiu: «suas riquezas, sua igreja de três naves, sua preciosa livraria, obras de arte e raridades, desapareceu». Segundo Baltazar Matos Caeiro, ali pereceram nessa altura 600 pessoas «e apenas se encontraram intactos um cálice e um incensório».

 
Fachada do Teatro D. Maria II. As seis colunas do pórtico são originárias do antigo Convento de S. Francisco da Cidade.

Começou depois a lenta construção de uma nova igreja – com traço de Honorato José Correia – que se pretendia majestosa. Mas não estava ainda concluída quando foram extintas as Ordens religiosas, em 1834. As dependências do convento e as suas extensas galerias passaram então a servir como depósito geral do espólio livreiro vindo dos demais conventos do país, ali ficando instalada a Biblioteca Nacional de Portugal a partir de 1836, até ser transferida para as actuais instalações no Campo Grande em 1965.

Também em 1836 começou a funcionar no primeiro piso do edifício a Academia de Belas-Artes, que em 1862 passaria a designar-se Academia Real de Belas-Artes (atual Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa); nesse mesmo ano é aí instalada a Galeria Nacional de Pintura, que, a partir de 1911, daria origem ao Museu Nacional de Arte Contemporânea (atual Museu do Chiado).

Em 1839 demoliu-se o edifício que fora implantado no lugar da antiga igreja. As colunas jónicas que ostentava no exterior foram integradas nas fachadas da Escola Politécnica e do Teatro Nacional D. Maria II. Mais tarde, ali seria instalada a Escola Superior de Belas Artes, que a partir de 1965 ocupou as áreas tornadas devolutas após a transferência da Biblioteca Nacional.

No Capítulo Geral celebrado no ano (1217) na Porciúncula, S. Francisco de Assis enviou os seus irmãos na missão e, com Frei Gualter e Frei Zacarias vieram também mais cinco frades que passaram por Portugal a caminho de Marrocos, onde pagaram com a vida a sua missão, sangue este que constituiu parte importante para o crescimento e o carisma franciscano em terras lusas.

ReferênciasEditar