Cuitelão

Cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla) é uma espécie de ave da ordem Galbuliformes, que integra a família Galbulidae. Endêmica do Brasil,[4] é encontrada às margens de rios, capoeiras e matas.[5] Possui cerca de 18 cm e vive em pequenos grupos.[6][5] Também é conhecida como bico-de-agulha e bicudo.[7]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaCuitelão
Three-toed Jacamar - Brazil S4E1094.jpg
Estado de conservação
Quase ameaçada
Quase ameaçada (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Galbuliformes
Família: Galbulidae
Género: Jacamaralcyon
Lesson, 1830
Nome binomial
Jacamaralcyon tridactyla
(Vieillot, 1817)[2]
Sinónimos
  • Cauax tridactylus[3]
  • Galbula armata[3]
  • Galbula ceycoides[3]
  • Galbula triactyla[3]
  • Jacamaralcyon brasiliensis[3]

Taxonomia e etimologiaEditar

O cuitelão é uma das 18 espécies da família Galbulidae. Está no gênero monotípico Jacamaralcyon,[8] e não possui subespécies.[9] Quando o descreveu pela primeira vez em 1807, o naturalista francês François Levaillant chamou a espécie de "jacamaralcion", uma combinação das palavras "jacamar" e "alcyon" - esta última uma forma da palavra "halcyon", que significa "guarda-rios".[10] O ornitólogo francês Louis Jean Pierre Vieillot atribuiu-o ao grande gênero Galbula quando estabeleceu um nome científico em 1817, batizando-o de Galbula tridactyla. Em 1830, o ornitólogo francês René Primevère Lesson criou o gênero Jacamaralcyon, separando-o de outras espécies de com base em sua estrutura incomum de pé;[11] o nome do gênero é uma referência ao nome comum anterior de Levaillant.[10] O nome tridactyla é uma combinação das palavras gregas tri, que significa "três", e dactulos, que significa "dedos do pé".[10]

DescriçãoEditar

Como todos os membros de sua família, possui pernas curtas e asas curtas. Empoleira-se ereto, com a cauda para baixo e o bico longo e pontiagudo voltado para cima.[12] É uma ave de tamanho médio, medindo 18 cm (7,1 in) de comprimento[13] e pesando entre 17,4 and 19,3 g (0,61 and 0,68 oz); as fêmeas são, em média, mais pesadas que os machos.[14] Os sexos têm plumagens semelhantes: preto em ardósia com um brilho verde-bronzeado acima e um pouco mais pálido abaixo. O ventre e o centro do peito são brancos. O adulto tem o gorro cinza-acastanhado e a garganta preta, e o gorro, o queixo e os lados da cabeça são finamente marcados com estrias fúlvas claras. Seu bico é preto e seus pés são cinza.[3]

Ao contrário de outros membros de sua família, possui três dedos em vez de quatro. Seus pequenos pés zigodáctilos estão sem um dedo do pé traseiro, e os dois dedos da frente estão fundidos na base.[12]

Habitat e abrangênciaEditar

Endêmico do sudeste do Brasil, é encontrado em partes mais secas da Mata Atlântica.[12] Atualmente está restrito aos estados do Rio de Janeiro (principalmente no vale do Paraíba do Sul) e leste de Minas Gerais, embora também existisse anteriormente nos estados do Espírito Santo, São Paulo e Paraná. Embora geralmente seja encontrado em florestas intactas, pode sobreviver em áreas mais degradadas, como plantações, desde que persista uma camada de sub-bosque nativa. Existem algumas evidências de que está associado a riachos, pois necessita de bancos de terra para se aninhar; também usa bancos criados por cortes de estradas.[13] É amplamente sedentária, embora os jovens se dispersem após a emplumação e os adultos às vezes se movam por curtas distâncias[12]

ComportamentoEditar

 
Ilustração de um cuitelão

Embora costume nidificar de forma comunitária,[15] a espécie é geralmente encontrada sozinha ou em casais. Às vezes se junta a bandos de espécies mistas.[12]

DietaEditar

É um insetívoro.[12] Alimenta-se preferencialmente de pequenas mariposas e borboletas de cores crípticas e de himenópteros, mas também consome moscas, libélulas, besouros, Hemiptera e cupins.[13] Caça a partir de um poleiro aberto no sub-bosque da floresta ou ao longo da borda da floresta, saltando atrás de uma presa que frequentemente bate em um galho; isso serve para atordoar o inseto e remover qualquer ferrão ou veneno,[12] assim como as asas.[16]

ReproduçãoEditar

A espécie se reproduzem durante a estação chuvosa no Brasil, com vocalizações e outros comportamentos de galanteio aumentando entre setembro e fevereiro.[16] Durante o galanteio, os machos rivais sentam-se lado a lado em um galho, batendo as asas e balançando as caudas enquanto cantam. Os territórios são defendidos vocalmente, com os rivais raramente recorrendo ao confronto físico.[12] A espécie escava um ninho em uma toca, usando um pé de cada vez para cavar em um banco de terra; evidências sugerem que a fêmea pode fazer a maior parte ou toda a escavação do ninho. As tocas têm 6 cm de largura e 6–9 cm de altura e podem se estender até 72 cm para dentro da margem.[16] A espécie tende a nidificar colonialmente.[12] TA fêmea põe 2–4 ovos.[12]

CantoEditar

O canto do cuitelão é uma série estridente de assobios curtos e ascendentes, que duram cerca de 20 segundos. Ao contrário da maioria dos jacamars, que normalmente cantam sozinhos, os machos desta espécie tendem a cantar em grupos de 2–6.[16]

Conservação e ameaçasEditar

O cuitelão é uma espécie em perigo; a perda de habitat e a degradação de habitat contribuíram significativamente para seu declínio acentuado e agora é classificado como uma "espécie quase ameaçada" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Sua população total é estimada em 1.300-5.400 indivíduos, que sobrevivem em pequenos e amplamente dispersos bolsões de habitat em todo o sudeste do Brasil e no sul da Bahia.[13]

ReferênciaEditar

  1. «Jacamaralcyon tridactyla». BirdLife International. 2020. Consultado em 17 de julho de 2021 
  2. «Comportamento alimentar e social de Jacamaralcyon tridactyla (Piciformes: Galbulidae)». Biblioteca Virtual da FAPESP. 2021. Consultado em 17 de julho de 2021 
  3. a b c d e f Sharpe, Richard Bowdler, ed. (1891). Catalog of the Birds in the British Museum. 19. London, UK: The British Museum. pp. 174–5 
  4. «Ação humana deteriora ambientes e ameaça aves endêmicas». Universidade Federal de Minas Gerais. 10 de dezembro de 2020. Consultado em 17 de julho de 2021 
  5. a b «PÁSSAROS E AVES DA FAMÍLIA GALBULIDAE». Klima Naturali. 2021. Consultado em 17 de julho de 2021 
  6. Marcos Pivetta (Março de 2014). «Asas da mata atlântica». Pesquisa FAPESP. Consultado em 17 de julho de 2021 
  7. «Cuitelão». Michaelis. 2021. Consultado em 17 de julho de 2021 
  8. «ITIS Report: Jacamaralcyon». Integrated Taxonomic Information System. Consultado em 9 de setembro de 2015 
  9. «ITIS Report: Jacamaralcyon tridactyla». Integrated Taxonomic Information System. Consultado em 9 de setembro de 2015 
  10. a b c Jobling, James A. (2010). The Helm Dictionary of Scientific Names. London, UK: Christopher Helm. pp. 210, 390. ISBN 978-1-4081-2501-4 
  11. Chenu, Jean Charles; des Murs, O. (1860). Encyclopédie d'histoire naturelle ou Traité complet de cette science, d'après les travaux des naturalistes les plus éminents de tous les pays et de toutes les époques: Oiseaux (em francês). Paris, France: Marescq. p. 38 
  12. a b c d e f g h i j Harris, Tim, ed. (2009). National Geographic Complete Birds of the World. Washington, DC, US: National Geographic Society. pp. 185–6. ISBN 978-1-4262-0403-6 
  13. a b c d «BirdLife Species Factsheet: Three-toed Jacamar (Jacamaralcyon tridactyla. BirdLife International. Consultado em 9 de setembro de 2015 
  14. Dunning Jr., John B. (2008). CRC Handbook of Avian Body Masses 2nd ed. Boca Raton, FL, US: CRC Press. p. 224. ISBN 978-1-4200-6445-2 
  15. «Cuitelão constrói ninho comunitário durante o período de reprodução». G1. 20 de março de 2017. Consultado em 17 de julho de 2021 
  16. a b c d Silveira, Luís Fábio; Nobre, Henrique Rocha (1998). «New records of Three-toed Jacamar, Jacamaralcyon tridactyla, in Minas Gerais, Brazil, with some notes on its biology» (PDF). Cotinga. 9: 47–51. ISSN 1353-985X. Consultado em 19 de novembro de 2020