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Doutrina da dupla verdade

(Redirecionado de Dupla verdade)

Doutrina da dupla verdade, ou Dupla Verdade, ou Verdade Dupla, afirma que uma verdade apresentada, teologicamente, também pode não ser uma verdade filosófica, e vice versa. Determinadas verdades estabelecidas pela podem ter a sua negação pela ciência histórica e ainda assim ser compatível com a fé. Pode ser verdadeiro o contrário daquilo que teologicamente é admitido como verdade de fé; ou pode ser verdadeiro o contrário daquilo que filosoficamente é admitida como verdade.[1]

A doutrina da dupla verdade declara que um corpo doutrinário, filosófico, afirmando verdadeiro algo contraposto por fé e também considerado verdadeiro pelo outro corpo doutrinário, teológico, obtém-se a doutrina da dupla verdade. Foi usado para ajustar as posições de filósofos e teólogos medievais e renascentistas.[2]

OrigemEditar

O averroísmo latino, ou aristotelismo heterodoxo foi o primeiro a defender a dupla verdade. O averroísmo latino inspirava-se, entre outros, no pensamento aristotélico da "doutrina da eternidade da matéria (com a decorrente possível negação ou, pelo menos, reconhecimento da impossibilidade de demonstração, da tese da criação a partir do nada)." [3]

DefensoresEditar

Os principais defensores desse momento averroísta, da eternidade da matéria, foram foi São Janjun e, no aspecto político, Marsílio de Pádua.[3]

Ainda que tenha sido opositor do averroísmo latino, esse aristotelismo foi absorvido por Tomás de Aquino, e ao seu sistema é atribuído por Miguel Asín Palacios de Averroísmo Teógico. Já outros apenas afirmam que o tomismo filtrou, absorveu algumas posições, como por exemplo que "a doutrina da eternidade do mundo não pode ser rejeitada pela razão, mesmo que seja descartada por não ser compatível com uma verdade de fé" [3] As posições tomistas heterodoxas, hoje não mais podem ser assim consideradas, mas no período consistia em quebrar as tradições dogmática dos monges de sua geração, e utilizou a física aristotélica, que admitia a premissa de que "tudo que se move é movido por alguma outra coisa" com o qual estivesse em contato. Essa cadeia deveria ser quebrada em algum ponto primário, e esse momento estaria em Deus.

"Dentro desta doutrina pode-se entender a prova da existência de Deus enunciada por são Tomás de Aquino. Isto é, até então, a existência de Deus não era uma questão de entendimento ou de razão, mas sim uma questão de fé".[4]

A Dupla Verdade foi representado pelos "chamados averroístas da Universidade de Pádua, no fim do século XV ao começo do século XVII." [5]

Referências

  1. Josef de Vries, Dicionário de Filosofia, Tradução de Antônio Pinto de Carvalho, Editora Helder, SP, 1969
  2. José Ferrater-Mora, Dicionário de filosofia. Tomo 4, Verbetes Q – Z, Edições Loyola, SP, 2001 (1994), pag 3001 ISBN 85-15-02004-1
  3. a b c José Ferrater-Mora, Dicionário de filosofia. Tomo 1, Verbetes A – D, tradução de Maria Stela Gonçalves e outros, Edições Loyola, SP, 2000 (original 1994), 2° Ed 2004, Verbete Averroísmo, pag 238 ISBN 85-15-01869-1
  4. F. F. de Souza Cruz, em O Conceito de Força na Idade Média, Departamento de Física UFSC, 1985
  5. José Ferrater-Mora, Dicionário de filosofia. Tomo 4, Verbetes Q – Z, tradução de Maria Stela Gonçalves e outros, Edições Loyola, SP, 2001 (1994), Verbete Verdade Dupla, pag 3001 ISBN 85-15-02004-1

Ver tambémEditar