Eclogito

Os eclogitos são rochas metamórficas de grão grosseiro. Apresentam um interesse especial por duas razões. Primeiro, formam-se a pressões superiores às que existem tipicamente na crosta da Terra. Segundo, são rochas invulgarmente densas (densidade 3,3 a 3,4), que podem desempenhar um importante papel nos processos de convecção no interior do planeta.

A rocha não alterada apresenta os seguintes minerais:

- Minerais principais: granada vermelha a rosa (almandina ou piropo) e piroxena rica em sódio (onfacite).

- Minerais acessórios: distena, rútilo, quartzo, coesite, anfíbolas, paragonite, zoisite, dolomite, corindo e, mais raramente, diamante e feldspatos.

FormaçãoEdit

Os eclogitos resultam tipicamente de metamorfismo regional de alta pressão sobre rochas ígneas máficas (geralmente basaltos ou gabros), quando estes são arrastados para o manto numa zona de subducção. Antes de possuírem as características que os permitem classificar como tal, os eclogitos passam por uma fase em que se denominam xistos azuis. Mais raramente, é possível encontrar eclogitos de origem magmática, que cristalizaram a partir de magmas no interior do manto.

Fácies eclogíticaEdit

A fácies eclogítica é definida pela temperatura e pressão requeridas para metamorfizar rochas basálticas (ou equivalentes) e transformá-las numa rocha eclogítica.

As condições típicas de formação de eclogitos ocorrem a cerca de 45 km de profundidade, com pressões de 1,2 GPa (12 kbar) e 400 a 1000°C, geralmente sempre mais de 600 °C. O diamante e a coesite (polimorfo de sílica) ocorrem como constituíntes acessórios em alguns eclogitos que se formam a pressões muito elevadas. De facto, o metamorfismo regional de alto grau está actualmente definido dentro da fácies eclogítica, mas a pressões superiores às quais se verifica a transição quartzo - coesite. Pensa-se que a génese de algumas rochas deste tipo de metamorfismo tenha ocorrido a mais de 150 km de profundidade.

A fácies eclogítica é geralmente alcançada a partir da fácies de xistos azuis, embora seja possível de alcançar através das fácies dos xistos verdes, fácies anfíbolítica ou fácies granulítica. No entanto, nestes últimos casos, a rocha raramente é preservada, dado que o calor excessivo que se gera na transição destas fácies para a fácies eclogítica provoca eposódios de fusão parcial, destruindo em parte a sua natureza metamórfica.

Importância dos eclogitosEdit

Os eclogitos são rochas raras mas bastante importantes, por serem formadas em condições que são apenas encontradas (tipicamente) no manto.

Os eclogitos são úteis no auxílio à compreensão dos processos de tectónica de placas, dado que podem representar troços de crosta oceânica que foram subduzidos para zonas a mais de 35 km de profundidade e posteriormente regressaram à superfície.

Na realidade, o aparecimento de eclogitos à superfície pode ser considerado uma sorte, dado que estas rochas são instáveis fora das condições de pressão e temperatura a que se formam. A sua ocorrência à superfície pode ser atribuída a processos relativamente rápidos, como a ocorrência de falhas. Quando a sua exumação se faz de forma lenta, geralmente existe tempo necessário para proceder ao reequilíbrio da rocha nas novas condições de pressão e temperatura (retrometamorfismo), perdendo-se assim grande parte da sua informação. Durante a exumação lenta, os eclogitos regridem quase na totalidade para rochas das fácies anfíbolítica ou granulítica.

OcorrênciasEdit

Em Portugal, os eclogitos encontram-se ligados ao maciço de Bragança e à Cadeia Varisca e presentes no maciço Hespérico.

No Brasil há ocorrências de eclogitos retrogradados (retroeclogitos) relacionados à formação do supercontinente Gondwana, ou seja, referentes ao Ciclo Brasiliano e com idades em torno de 600 milhões de anos (Neoproterozóico). São situados nos municípios de Forquilha, Estado de Ceará, Bodocó e Floresta, Estado de Pernambuco, entre os municípios de Liberdade, Andrelândia e Pouso Alegre, no Estado de Minas Gerais[1][2].

No resto do mundo, afloram eclogitos em Espanha (Norte da Galiza), nos Alpes, Alemanha, Noruega, Estados Unidos da América (Califórnia) e Japão.

Referências

  1. Ancelmi, M. F. ; Santos, T. J. S. ; Reginato, R. A. ; Amaral, W. S. ; Monteiro, L. V. S., 2013. Geologia da Faixa Eclogítica de Forquilha, Domínio Ceará Central, noroeste da Província Borborema. Brazilian Journal of Geology 43, 235-252.[1] Arquivado em 1 de março de 2014, no Wayback Machine.
  2. Santos, Ticiano José Saraiva; Wagner Silva (1 de outubro de 2015). «U–Pb age of the coesite-bearing eclogite from NW Borborema Province, NE Brazil: Implications for western Gondwana assembly». Gondwana Research. 28 (3): 1183–1196. doi:10.1016/j.gr.2014.09.013 

Ligações externasEdit