Diferenças entre edições de "Camargo Guarnieri"

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Em decorrência das gestões para intercâmbio cultural entre Estados Unidos e Brasil, no âmbito da [[Política da Boa Vizinhança]] de Roosevelt, Camargo Guranieri se tornou o principal compositor brasileiro a atrair a atenção do meio musical norte-americano. O compositor [[Aaron Copland]] veio ao Brasil como enviado do Departamento de Estado para sondar compositores que receberiam bolsas de estudo nos EUA. Ele e Camargo Guarnieri tornaram-se amigos pessoais, e o compositor norte-americano tornou-se posteriormente um dos principais divulgadores da música de Guarnieri nos Estados Unidos. Além de Copland, Guarnieri travou contato com o flaustisa e musicólogo [[Carleton Sprague Smith]], que residiu muitos anos no Brasil como uma espécie de representante musical dos Estados Unidos. Outro importante personagem norte-americano com quem Guarnieri travou contato foi o diretor da Divisão de Música da União Panamericana, o compositor Charles Seeger. O contato entre ambos deu-se a partir de Luiz Heitor, que trabalho como secretário da Divisão de Música em Washington, em 1941.
 
De todas estas gestões, resultou um convite do Departamento de Estado norte-americano para que Guarnieri passasse uma temporada de seis meses nos EUA como bolsista, viagem que foi realizada entre outubro de 1942 e março de 1943. Na ocasião Guarnieri realizou importantes contatos e promoveu sua música em concertos. Sua obra recebeu apoio entusiasmado de [[Serge Koussevitzky]], regente Ada partirSinfônica de entãoBoston, passariaque acedeu contaro compódio espaçoa constanteGuarnieri nopara meio musical norte-americano, ondereger sua música''Abertura foiConcertante'' muitas- vezesa executadaprimeira emobra concerto,sinfônica editada emde partituramaior efôlego gravadado emcompositor discobrasileiro.
 
A ''Abertura Concertante'' tinha sido composta durante o ano de 1942, e estreada no Brasil. A intenção era suprir uma notável deficiência do catálogo da Camargo Guarnieri: a ausência de composições sinfônicas. Após as experiências frustradas de compor música sinfônica no início da década de 1930, Guarnieri continuava compondo obras para piano e canções. A composição sinfônica foi retomada após a volta de Paris, com o ''Concerto n° 1'' para violino e orquestra, estreado em 1940 no Rio de Janeiro, com a [[Orquestra Sinfônica Brasileira]], sob regência do compositor e tendo Eunice de Conte como solista. Apesar de ganhar prêmio em concurso internacional, que foi recebido por Guarnieri na Filadélfia em 1942, a obra nunca foi executada nos EUA, e permaneceu indédita até a edição da partitura feita recentemente por Lutero Rodrigues, que também foi responsável pela primeira execução da obra em quase 70 anos.
Em 1944, recebeu vários prêmios nos [[Estados Unidos]] que lhe conferiram notoriedade. Classificou-se em segundo lugar em um concurso realizado em [[Detroit]] para eleger a "Sinfonia das Américas".
 
Outra experiência de composição sinfônica foi a peça ''Encantamento'', escrita sob encomenda de Charles Seeger para o sistema de bandas sinfônicas dos EUA. A peça chegou a ser editada nos EUA em versão para clarinete e piano. Mas a composição original foi para orquestra sinfônica, sendo uma peça curta em movimento único.
Em 1950, Camargo Guarnieri publica a [[Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil]], na qual condena a técnica dodecafônica de composição. A carta faz referências veladas a [[Hans-Joachim Koellreutter]], líder do grupo [[Música Viva]].
 
Ou seja, quando recebeu o convite para ir aos EUA, Guarnieri não tinha nenhuma obra sinfônica de peso em seu catálogo. O que significaria a perda de grande oportunidade, visto que a música sinfônica estava em franca ebulição nos EUA, conjugando a presença dos mais notáveis regentes europeus que haviam fugido da guerra e do nazi-fascismo, juntamente com o surgimento das transmissões sinfônicas por rádio e da gravação de música sinfônica em LP. Preocupado em atender esta demanda foi que Guarnieri compôs a ''Abertura Concertante'', agora sim uma peça de maior fôlego, com cerca de 12 minutos de duração, apesar de ser ainda em movimento único. A peça foi dedicada a Aaron Copland, que manifestou opinião favorável a ela em carta a Guarnieri, elogiando especialmente o aspecto a respeito do qual Guarnieri sentia maior insegurança: a orquestração.
 
Durante a temporada nos EUA, Guarnieri comenta em carta a Mário de Andrade que já estava trabalhando em sua ''Sinfonia n° 1'', obra que veio a concluir apenas em 1945. Quando da conclusão desta peça, Guarnieri articulou uma turnê para estreá-la. Realizou concertos regendo sua obra em São Paulo, no Rio de Janeiro e, com a colaboração de Curt Lange, organizou também uma turnê de concertos em Montevidéu, Buenos Aires e Santiago. A capacidade de compor uma obra sinfônica de fôlego e, mais do que isso, estreá-la quase que simultaneamente em cinco importantes capitais sulamericanas serviu como testemunho da consagração definitiva de Camargo Guarnieri, e de seu estabelecimento como compositor amplamente reconhecido.
 
No livro ''150 anos de música no Brasil'', publicado por Luiz Heitor em 1956, Camargo Guarnieri já aparece como um dos três grandes compositores brasileiros vivos, a merecer capítulo individual ao lado de [[Villa-Lobos]] e [[Francisco Mignone]].
 
Em 1950, Camargo Guarnieri publicaenvolveu-se em uma ampla polêmica na imprensa, após publicar a [[Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil]], na qual condena a técnica dodecafônica de composição. A carta faz referências veladas a [[Hans-Joachim Koellreutter]], líder do grupo [[Música Viva]]. Por causa das posturas assumidas na carta, e do linguajar virulento utilizado, Camargo Guarnieri acabou sendo visto como um reacionário, posição que certamente não reflete o seu papel na música brasileira.
 
=== Uma referência na cultura brasileira: década de 1950 em diante ===
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