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Além de uma concepção sobre a [[patologia]] humana, suas causas e tratamentos, contém prescrições sobre a vida e "adaptação" do ser humano de acordo com o sexo e faixas de idade, distinguindo diferentes ciclos: sazonais (5 estações), ciclos circadianos (''[[Yin/Yang na Medicina Tradicional Chinesa|Yin/Yang]]'') e ciclos infra e ultradianos ("a grande circulação da energia" que obedece aos cinco elementos e o ciclo vital) que delimitam a relação dos órgãos internos com as fases do dia ou períodos comuns da vida humana envolvendo o [[nascimento]], [[maturação]] sexual e [[envelhecimento]].
 
Há muitas versões sobre a origem desses textos ideográficos. Alguns estudiosos da história da China acreditam que o Nei Jing tenha sido realmente escrito por um grupo de médicos do [[Período dos Reinos Combatentes]], da [[Dinastia Zhou|dinastia Chou orientais]], 721480-256221 a.C. <ref>HORN, J.S. ''Medicina para Milhões''. Rio de Janeiro. Editora Civilização Brasileira. 1979.</ref>, <ref>WEIKANG, Fu. Acupuntura y moxibustion - bosquejo histórico. Ediciones em lenguas extranjeras, Beijing, China, 1983</ref> ou no séc. III a.C. <ref>SUSSMAN, D. J. ''O que é a acupuntura''. São Paulo. Record. 1972 </ref> época associada à conquista do ferro e aos grandes clássicos da cultura chinesa que originaram o [[taoismo]] (a partir do [[Tao Te King]] de [[Lao Tsé]] que teria vivido por volta dos séculos VII ou VI a.C <ref>LAO-TSÉ. Tao Te Ching. Tradução de Huberto Rohden. São Paulo. Martin Claret. 2003</ref>) e o [[confucionismo]] a filosofia de Confúcio (551 a.C.-479 a.C.). Os sábios da corte teriam feito uma síntese da tradição oral médica chinesa daquela época. Naturalmente, face aos recursos da escrita artesanal e à instabilidade política da época, teria sofrido diferentes adaptações e versões.
 
Os primeiros papéis produzidos na [[China]] datam do século II de nossa era, descobertos em antigo sítio arqueológico do período Han (estampados como tabuinhas que resultaram na invenção da xilografia [VIII a.C.] e tipografia entre 1380 e 1430). O primeiro texto de ampla divulgação encontrado é a [[Sutra do Diamante]] (''Jingangjijing''), o que se deve à divulgação do [[budismo]]. A partir dos séculos XII e XIII, ocorreram as primeiras grandes coleções de textos enciclopédicos<ref>GERNET, Jacques. O mundo chinês, uma civilização e uma história 2V, v 1. Lisboa, Rio de Janeiro, Edições Cosmos, 1974</ref>.
 
A versão da [[dinastia Tang]] (618-906) é uma das mais conhecidas graças ao poder e riqueza dessa época. Contudo, a versão mais antiga (clássica) corresponde à [[dinastia Han]]. O Livro do Imperador Amarelo, na sua forma atual, encontrou respaldo, apesar de mais recente, nos achados recuperados em 1973 do túmulo nº 3 em [[Mawangdui]], Changsha, na província de [[Hunan]] <ref>WEIKANG,segundo F.Fu ''AcupunturaWeikang y moxibustion - bosquejo histórico''(o. Ediciones em lenguas extranjeras. Beijing, China. 1983c.</ref>).
 
Além do cânone básico, a fabricação do [[aço]] - imprescindível para compreensão e prática da acupuntura moderna - e potencial divulgação do papel são referências suficientes para associar a etnia Han ao desenvolvimento da acupuntura. As primeiras referências à fundição do ferro são anteriores à esta, correspondendo à [[dinastia Chou]] (513 a.C.). Contudo, nada impede ter ocorrido a prática da acupuntura com agulhas de bronze (2000 a.C.) ou mesmo pedra e ossos.
O estudo da dinastia Han, por sua vez, nos remete à difícil distinção conceitual, na perspectiva antropológica entre etnias e dinastias ou à organização destas a partir das lutas internas pelo poder imperial. Identificam-se, hoje, na [[República Popular da China]], 56 [[etnia]]s, 55 destas (60 milhões de pessoas) sob a sombra do poder da principal nacionalidade, segundo [[Rogerio Haesbaert da Costa|Haesbaert]] <ref>HAESBAERT, R. ''China entre o ocidente e o oriente''. São Paulo. Ática. 1994.</ref>, o grupo Han, que envolve 93% da população.
 
Para Carneiro, 2000 <ref>CARNEIRO, Norton Moritz. Acupuntura baseada em evidências. Florianópolis, SC, Ed. do autor, 2000</ref> no período Han (202 a.C. - 248 AD) houve contatos com romanos, e se estabeleceu a [[Rota da Seda]] desenvolveu-se ainda mais o racionalismo que se opunha às crenças supersticiosas, sendo comparado por [[Joseph Needham]] ao período Hipocrático da medicina chinesa. É também desse período a primeira referência à teoria dos meridianos nos [https://es.wikipedia.org/wiki/Textos_de_Mawangdui Manuscritos Médicos de Mawangdui] escritos em seda desenterrados em [[Mawangdui]] (China) em 1973.
 
O estudioso da civilização chinesa [[Joseph Needham]] (1900-1995), da [[Universidade de Cambridge]], compartilha da ideia de que a medicina chinesa está embrionicamente integrada ao nosso processo civilizatório. Identifica uma série de "coincidências" de período histórico e estrutura conceitual entre esta e a [[Medicina da Grécia Antiga|medicina hipocrática]], inclusive entre os textos (66 tratados) que compõem o ''[[Hipócrates|Corpus Hippocraticum]]'' (460 – 379 a.C.), destacando a concepção dual, a dinâmica dos cinco elementos, a relação [[microcosmo]]–[[macrocosmo]] e, em especial, a relação entre saúde e meio ambiente.
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