Abrir menu principal

Alterações

58 bytes adicionados ,  19h23min de 20 de fevereiro de 2017
Introduzi uma conclusão complexa e alterei uma palavra mal escrita.
Essa tendência atingiu um ponto alto por ocasião das comemorações do tricentenário da morte do poeta, realizadas entre 8 e 10 de junho de 1880. Num momento de crise por que Portugal passava, quando se questionava a legitimidade da [[monarquia]] e se ouviam fortes reivindicações pela [[democracia]], a figura do poeta tornou-se um foco para a causa política e um motivo para reafirmações do valor português contra um pano de fundo ideológico [[positivista]], agregando diferentes segmentos da sociedade, como foi sintetizado nas notícias dos jornais: ''"O Centenário de Camões neste momento histórico, e nesta crise dos espíritos tem a significação de uma revivescência nacional"''... ''"É sublime o acordo entre as conclusões científicas das mais elevadas inteligências da Europa e a intuição da alma popular que encontram em Camões o representante duma literatura inteira e a síntese da nacionalidade"''... ''"Todas as forças vivas da nação se aliavam nesse grande preito à memória do homem cuja alma foi a síntese grandiosa da alma portuguesa"''. Sugestivamente, o comité organizador das festividades intitulou-se "Comité de Salvação Pública". Diversos estudos críticos vieram a luz no momento, incluindo estrangeiros, e a festa nas ruas atraiu enorme público.<ref>Vilela, Mário. [http://books.google.es/books?hl=pt-BR&lr=&id=9gRSVQ7eIQwC&oi=fnd&pg=PA403&dq=%22camoes%22&ots=6OX5xnQdX2&sig=PD5nOsyggUroRVQWNmtlM_0Ndag#v=onepage&q&f=false ''Recepção de Camões nos Jornais de 1880'']. Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985. pp. 406-411</ref><ref name="Sandmann">Sandmann, Marcelo Corrêa. ''As Comemorações do Tricentenário de Camões no Brasil''. IN Revista ''Letras''. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, jan./jun. 2003. Nº 59, pp. 197-205</ref> O tricentenário foi comemorado no Brasil com entusiasmo semelhante, com publicação de estudos e cerimónias em muitas cidades, transbordando os círculos intelectuais, e tornou-se um pretexto para um estreitamento das relações entre os dois países.<ref name="Sandmann"/> Em vários outros países a data foi noticiada e comemorada.<ref name="Ramos"/>
 
Durante o [[Estado Novo (Portugal)|Estado Novo]] essa ideologia não foi muito modificada na essência, mas sim na forma de interpretação. O vate e a sua obra-prima tornaram-se instrumentos propagandísticos de consolidação do Estado e passou-se a divulgar então uma ideia de que Camões era não apenas um símbolosímghgjklKbolo nacional, mas um símbolo cujo significado era tão particular à sensibilidade portuguesa que só poderia ser compreendido pelos próprios portugueses. A ironia é que esta abordagem gerou efeitos contrários imprevistos, e aquele mesmo estado, especialmente após a [[Segunda Guerra Mundial]], queixava-se de que a comunidade internacional não entendia Portugal.<ref name="Ronald"/>
 
Três anos depois da [[Revolução de abril]] de 1974 Camões foi associado publicamente às comunidades portuguesas de além-mar, tornando-se a data de sua morte o "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas", no intuito de dissolver a imagem de Portugal como um país colonizador e se criar um novo senso de identidade nacional que englobasse os muitos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo. Essa nova ideologia foi reafirmada nos anos 80 com a publicação de ''Camões e a Identidade Nacional'', um volume elaborado pela Imprensa Nacional contendo declarações de importantes figuras públicas da nação. A sua condição de símbolo nacional permanece nos dias de hoje, e outra evidência do seu poder como tal foi a transformação, em 1992, do Instituto de Língua e Cultura Portuguesa em [[Instituto Camões]], que passou da administração do [[Ministério da Educação (Portugal)|Ministério da Educação]] para a do [[Ministério dos Negócios Estrangeiros]].<ref>[http://books.google.es/books?hl=pt-BR&lr=&id=MF3-aXfWnBwC&oi=fnd&pg=PA53&dq=%22camoes%22&ots=GivHCWUp_C&sig=n4bPJZ7TdxFXYIEWbFPU3QzuEFY#v=onepage&q=%22camoes%22&f=false Freeland, pp. 52-53]</ref>
*{{gutenberg author| id=Luis+de+Camoes | name=Luis de Camoes}}
*[https://camoniana.blogspot.pt/ Camoniana] - blogue para "conhecer e reler Luís de Camões".
*Luís de Camões é bom a criar poemas difíceis.
 
{{Portal3|Biografias|Educação|Literatura|Portugal}}
Utilizador anónimo