Diferenças entre edições de "Itálico"

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Em [[tipografia]], os tipos '''itálicos''' são fontes [[escrita cursiva|cursivas]] cujo desenho das letras minúsculas baseia-se numa estilizada forma caligráfica. Devido à influência da [[caligrafia]], esses tipos podem inclinar-se ligeiramente para a direita. A forma das letras difere da forma das letras romanas. Itálicos verdadeiros são distintos dos tipos oblíquos, em que a fonte romana é ligeiramente inclinada. Por outro lado, as letras maiúsculas de fontes itálicas geralmente se baseiam no desenho das maiúsculas romanas, porém inclinadas.
 
[[FileImagem:Garamond italica.jpg|thumb|600px|center|Caracteres minúsculos e maiúsculos itálicos da família Garamond]]
[[FileImagem:Garamond romana.jpg|thumb|600px|center|Caracteres minúsculos e maiúsculos romanos da família Garamond]]
 
Há relatos de que esse estilo seja reconhecido como "itálico" por questões históricas, em homenagem à [[Torre de Pisa]], dada sua natureza inclinada. Outra acepção, mais aceitável, refere-se à Península Itálica, onde a Itália, país que ocupa essa península possui a forma inclinada lembrando o desenho de uma bota. Fontes caligráficas passaram a ser desenvolvidas na [[Itália]]. [[Ludovico Arrighi]] e [[Aldo Manúcio]] (ambos entre os séculos XIV e XVI) foram os mais importantes tipógrafos e impressores da época envolvidos nesse processo.
 
[[File:Niccolo de Niccoli italic handwriting.jpg|thumb|right|Amostra da escrita cursiva de [[Niccolò de' Niccoli]], que deu origem ao tipo itálico]]
O tipo itálico foi utilizado pela primeira vez por Aldo Manúcio na [[Imprensa Aldina]] em 1501 na edição de [[Virgílio]].<ref>{{Citation |titletítulo= Eats, Shoot & Leaves: The Zero Tolerance Approach to Punctuation|lastúltimo = Truss|firstprimeiro = Lynn|yearano= 2004|publisherpublicado= Gotham Books|locationlocal= New York|isbn= 1-59240-087-6|pagepágina=77}}</ref> Baseado na escrita cursiva [[Humanismo|humanista]] originalmente desenvolvida nos anos 1420 por [[Niccolò de' Niccoli]],<ref>[[Berthold Ullman|Berthold Louis Ullman]], ''The origin and development of humanistic script,'' Rome, 1960, p. 77</ref> ela serviu como um tipo condensado para volumes simples e compactos.<ref name=Updike>{{citation |firstprimeiro =D.B. |lastúltimo =Updike |titletítulo=Printing Types: Their History, Form and Use |publisherpublicado=Harvard University |yearano=1927}}</ref> As [[punções|punções]] para esses tipos foram cortadas por [[Francesco Griffo|Francesco Griffo]], também conhecido por Francesco da Bologna. Em 1501, Aldo Manúcio escreveu a seu amigo Scipio:
 
{{quote|Nós imprimimos e agora estamos publicando as [[Sátiras de Juvenal|Sátiras de Juvenal e Persius]] em um formato bem pequeno, para que seja convenientemente segurado pelas mãos e aprendido pelo coração (sem falar em ser lido) por todos.}}
 
===Diferenças entre fontes itálicas e fontes romanas===
[[FileImagem:Italico times arial.jpg|thumb|Diferenças entre Times Itálica e Romana e Arial Romana Inclinada e Romana]]
Uma das diferenças perceptíveis entre as fontes romanas e as fontes itálicas consiste no fato de que as romanas são eretas (90°) e as itálicas são levemente inclinadas para a direita. No entanto, a principal diferença é o fluxo e não a inclinação. As fontes itálicas possuem estrutura cursiva e contínua, diferente das romanas. As serifas itálicas são frequentemente transitivas: são traços na entrada e saída da letra, tendendo a inclinar-se em ângulo natural da escrita. <ref>[Bringhurst, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico. São Paulo: Ed. Cosac & Naify. 2005 </ref>
 
As primeiras itálicas produzidas eram pouco inclinadas e eram desenhadas para ser utilizadas com romanas maiúsculas eretas. Há exemplos de itálicas manuscritas do século XV sem inclinação. Existem versões tipográficas antigas e modernas de fontes itálicas cuja inclinação é de apenas 2° ou 3°. Todavia, há versões que podem chegar até 25°.<ref>[Bringhurst, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico. São Paulo: Ed. Cosac & Naify. 2005 </ref>
 
As fontes romanas e itálicas foram bastante independentes até o século XVI. Antes disso, muitos livros eram compostos ou com tipos itálicos ou com tipos romanos, nunca revezando-os. No [[Renascimento]], as duas versões foram utilizadas no mesmo contexto. Normalmente, as romanas eram utilizadas no texto principal, e o itálico eram utilizado nos prefácios e nas notas laterais, versos e em citações blocadas. Foi dado o costume de deixar a romana como principal e itálico para enfatizar e especificar determinadas informações, desenvolveu-se no século XVI e estabilizou no século XVII. Os tipógrafos barrocos admiravam a mistura das romanas e itálicas, pois as mesmas foram úteis a editores e autores. A modulação e uso de ambos acabou se tornando "regra".
 
Desde o século XVII, houve tentativas falhas de neutralizar a natureza cursiva do itálico, redesenhando um tipo de segundo molde de romano o que são chamados de "romanos desenhados", o que não passam de romanos inclinados conhecidos também, como oblíquos. Aos poucos os tipos itálicos minúsculos foram sofrendo alteraçãp e se tornando romanos inclinados, e suas proporções foram alteradas. Por isso, muitos itálicos são de 5% a 10% mais estreitos que os romanos. Porém, muitos romanos inclinados (menos os desenhados por Eric Gill) são bem mais largos que os seus companheiros romanos. <ref>[Bringhurst, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico. São Paulo: Ed. Cosac & Naify. 2005 </ref>
Exemplos de textos em tipos romano e itálico verdadeiro:
 
[[FileImagem:Italico romano.jpg|thumb|600px|center|texto em romano e itálico da família Garamond]]
 
O mesmo exemplo [[tipo oblíquo|oblíquo]]:
 
[[FileImagem:Romano inclinado.jpg|thumb|600px|center|texto em romano e romano obliquo - neste caso, forçou-se a inclinação do tipo romano Garamond]]
 
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