Diferenças entre edições de "Lúcio Volúmnio Flama Violente"

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== Homem novo ==
Segundo a tradição romana, a participação no [[Senado Romano]], nas [[magistratura romana|magistraturas]], nos cargos de [[cônsul romano|cônsul]] e nas várias posições religiosas era restrita aos [[patrício romano|patrícios]]. Volúmnio foi, por isto, um beneficiário do [[Conflito das Ordens]], um período de duzentos anos de conflito no qual os [[plebe romana|plebeus]] gradualmente foram conquistando a igualdade política e o direito de concorrer a todas as funções enquanto [[cidadão romano|cidadãos]].<ref name=KR>[[Kurt Raaflaub]], ed., ''Social Struggles in Archaic Rome: New Perspectives on the Conflict of the Orders'' ([[University of California Press]], 1986)</ref>. A ''[[Lex Licinia Sextia]]'', de 367 a.C., que restaurou o consulado (depois do período dos [[tribunos consulares]]) e tentou reservar uma das duas posições de cônsul aos plebeus, foi ignorada depois de uns poucos casos iniciais até a eleição de Lúcio Volúmnio Flama em 307 a.C.<ref name=KR/>. O conflito só se encerraria em 287 a.C., quando finalmente os plebeus conseguiram a igualdade.<ref name=KR/>.
 
Diz John Briscoe sobre ele: ''"O primeiro cônsul plebeu conhecido a ter presidido foi L. Volumnius Flamma Violens em 296 {{sic}}."''.<ref>John Briscoe in ''The Journal of Roman Studies'', vol. 62 (1972), pp. 187-188</ref>. Porém, Mario Torelli afirma que ''"...o famoso P{{sic}} Volumnius Flamma Violens, cons. em 307 e 296 a.C., pode estar entre os descendentes (plebeus) de [[Públio Volúmnio Amintino Galo|P. Volumnius Amintinus Gallus]], cons. em 461."''.<ref>[[Mario Torelli|Torelli, Mario]], ''Studies in the Romanization of Italy'', ed. and trans. Helena Fracchia and Maurizio Gualtieri (University of Alberta Press, 1995)</ref>.
 
== Primeiro consulado (307 a.C.) ==
{{AP|Segunda Guerra Samnita}}
Em 307 a.C., foi eleito cônsul com [[Ápio Cláudio Cego]].<ref name=LivIX42>[[Lívio]], ''[[Ab Urbe condita libri|Ab Urbe condita]]'' IX, 42.</ref>. Enquanto Ápio permaneceu em Roma e [[Quinto Fábio Máximo Ruliano]], o cônsul do ano anterior, continuou no comando da campanha em [[Sâmnio]], Lúcio Volúmnio foi encarregado da guerra contra os [[salentinos]], que os romanos venceram em várias batalhas e tomaram diversas cidades inimigas.<ref name=LivIX42/>. Estas vitórias são, porém, duvidosas, já que o nome de Flama não aparece nos [[Fastos Triunfais]] e um dos cronistas, Pisão, omite seu consulado completamente.<ref>[[Lívio]], ''[[Ab Urbe condita libri|Ab Urbe condita]]'' IX, 44</ref>.
 
== Segundo consulado (296 a.C.) e proconsulado (295 a.C.) ==
[[Ficheiro:Woodcut illustration of Virginia, wife of Lucius Volumnius Flamma Violens - Penn Provenance Project.jpg|thumb|direita|upright=1|[[Xilogravura]] de [[Virgínia Volúmnia]], esposa de Lúcio Volúmnio Flama.]]
{{AP|Terceira Guerra Samnita}}
Depois que Ápio Cláudio Cego e Lúcio Volúmnio Flama Violente foram eleitos, eles ordenaram que [[Quinto Fábio Máximo Ruliano]] e [[Públio Décio Mus (cônsul em 312 a.C.)|Públio Décio Mus]], cônsules do ano anterior, continuassem em Sâmnio por mais seis meses com poderes [[procônsul|proconsulares]]. O exército samnita, liderado [[Gélio Egnácio]], sem condições de permanecer em seu país, ofereceu seus serviços à [[Etrúria]], que aceito; sob a liderança dele, os [[úmbrios]] também se juntaram à coalizão e mercenários [[gauleses]] foram contratados. Convocando uma reunião entre todos os líderes etruscos, Egnácio declarou que a guerra pela liberdade era melhor que a paz servil e anunciou sua intenção de atacar Roma, conseguindo o apoio dos etruscos.<ref name=LivX1619>[[Lívio]], ''[[Ab Urbe condita libri|Ab Urbe condita]]'' X, 16-19</ref>.
 
Ao receber notícias destes perigosos eventos, o Senado enviou Ápio Cláudio para a Etrúria à frente das legiões I e IX, além de {{formatnum|12000}} tropas aliadas, mas o resultado foi uma série de batalhas inconclusivas. O segundo cônsul para o mesmo ano, Lúcio Volúmnio Flama, estava apoiando os dois procônsules na destruição de Sâmnio quando os [[lucanos]] desertaram, influenciados por um apelo do povo comum de Sâmnio. Flama alega ter recebido uma carta de Cláudio pedindo sua ajuda, uma reivindicação depois negada por ele. Enviando Fábio Máximo para tratar dos lucanos, o próprio Flama seguiu para a Etrúria.<ref name=LivX1619/>.
 
Cláudio não ficou satisfeito de vê-lo e ordenou que ele fosse embora, mas foi dissuadido pelos oficiais de seu próprio exército. Os homens realizaram uma votação verbal de magnitude que chegou a criar apreensão no acampamento inimigo e eles se prepararam para o combate. Os romanos partiram imediatamente para aluta, com Cláudio cedendo por não ter mais o que fazer. Os romanos atacaram tão ferozmente com Cláudio à frente, que se posicionou nas primeiras fileiras com seus homens e lutava invocando incessantemente a [[deus romano|deusa romana]] da guerra, [[Belona (deusa)|Belona]], com os braços erguidos para o céu. A luta terminou em uma vitória completa dos romanos, que expulsaram os inimigos de seu acampamento, matando {{formatnum|7300}} e tomando {{formatnum|2120}} prisioneiros<ref name=LivX1619/>{{efn|Lívio não cita o nome da batalha e nem a localiza na Etrúria.}}.
 
== Anos finais ==
Em 295 a.C., com poderes proconsulares conferidos por mais um ano, Lúcio Volúmnio derrotou os samnitas perto de [[Tiferno]]<ref>[Lívio]], ''[[Ab Urbe condita libri|Ab Urbe condita]]'' X, 30.</ref> enquanto Ápio Cláudio foi convocado a Roma pelo cônsul [[Quinto Fábio Máximo Ruliano]].<ref>[[Lívio]], ''[[Ab Urbe condita libri|Ab Urbe condita]]'' X, 22, 25</ref>. Depois da vitória de Fábio Ruliano e [[Públio Décio Mus (cônsul em 312 a.C.)|Públio Décio Mus]] na [[Batalha de Sentino]].<ref>[[Lívio]], ''[[Ab Urbe condita libri|Ab Urbe condita]]'' X, 31.</ref>. Fábio Ruliano deixou o exército de Décio Mus, que foi morto em combate, para vigiar a [[Etrúria]], onde [[Perúsia]] ainda continuava em guerra, e seguiu para Roma para celebrar um [[triunfo romano|triunfo]]. Ápio Cláudio, que estava em Roma, foi então enviado para assumir o exército de Décio como [[propretor]] enquanto Fábio Ruliano marchou para enfrentar e derrotar os [[perúsios]]. Os samnitas atacaram a região do vale do [[rio Liris]] (em [[Fórmias]] e [[Véscia]]) e do [[rio Volturno]], mas foram perseguidos tanto por Cláudio Cego quanto por Lúcio Volúmnio, que juntaram suas forças e os derrotaram perto de [[Caiatia]], perto de [[Cápua]].<ref>[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' X, 27, 31</ref>.
 
=== {{Âncora|Virginia}}Virgínia ===
Flama casou-se com '''Virgínia''', filha de Aulo Vergínio, um [[patrício romano|patrício]]. Ela é uma das 106 mulheres da obra "[[Sobre Mulheres Famosas]]", de [[Giovanni Boccaccio]] (''"De mulieribus claris"'', 1362).<ref name=GB>[[Giovanni Boccaccio|Boccaccio, Giovanni]], ''Concerning Famous Women'', trad. Guido A. Guarino ([[Rutgers University Press]], 1963) pp. 137-138 ([[Library of Congress]] Catalogue Card Number 63-18945) {{en}}</ref>. Por volta de 295 a.C., as [[matrona romana|matronas]] romanas insultaram Virgínia ao impedir seu acesso à cerimônia no templo de ''Pudicitia Patricia'' que era realizada em homenagem à virtude feminina da ''"[[pudicitia]]"'' ("[[:wikt:modéstia|modéstia]]") por ela ter se casado com um plebeu.<ref>[[Lívio]], ''[[Ab Urbe condita libri|Ab Urbe condita]]'' X, 23</ref>. Por isso, ela mesma mandou construir um altar em sua casa para ''Plebeia Pudicitia''. Diz Boccaccio: ''"A partir desta época, e por um longo tempo depois, o templo de Plebeia Puditicia permaneceu igual em santidade ao altar dos patrícios, pois nenhuma mulher poderia oferecer um sacrifício nele a não ser que tivesse uma [[castidade]] singular e tivesse apenas um marido..."''.<ref name=GB/>.
 
== Ver também ==
|ant2=[[Públio Décio Mus (cônsul em 312 a.C.)|Públio Décio Mus]] II
|con1=[[Ápio Cláudio Cego]]
|con2='''[[Lúcio Volúmnio Flama Violente''']]
|ano=307 a.C.
|seg1=[[Quinto Márcio Trêmulo]]
|ant2=[[Públio Décio Mus (cônsul em 312 a.C.)|Públio Décio Mus]] III
|con1=[[Ápio Cláudio Cego]] II
|con2='''[[Lúcio Volúmnio Flama Violente''']] II
|ano=296 a.C.
|seg1=[[Quinto Fábio Máximo Ruliano]] V