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== Historiografia da arte ==
[[Imagem:Johann Joachim Winckelmann (Anton von Maron 1768).jpg|thumb|180px|[[Johann Joachim Winckelmann]], considerado o pai da História da arte]]
 
A historiografia da arte é a ciência que analisa o estudo da [[história da arte]] desde um ponto de vista [[metodologia|metodológico]], ou seja, a forma como o [[historiador]] realiza o estudo da arte, as ferramentas e disciplinas[[disciplina]]s que podem ser usadas para esse estudo. O mundo da arte sempre tem levado, em paralelo, um componente de auto-reflexão, desde antigamente os artistas, e outras pessoas a seu redor, tem escrito diversas reflexões sobre sua atividadeautorreflexão. [[VitruvioVitrúvio]] escreveu o tratado sobre a [[arquitetura]] mais antigo que se conserva, ''[[De Architectura]]''. Sua descrição das formas arquitetônicas da antiguidade grecorromanagreco-romana influenciaraminfluenciou o [[Renascimento]], sendo, por sua vez, uma importante fonte [[documento|documental]] para as informações sobre a [[pintura]] e [[escultura]] grega e romana.<ref>Tatarkiewicz (2000), p. 280-288.</ref> [[Giorgio Vasari]], em ''[[Le vite de' più eccellenti pittori, scultori e architettori]]'' (1542-1550), foi um dos predecessores da historiografia da arte, fazendo uma [[Crónica (historiografia)|crônica]] dos principais artistas de seu tempo, pondo especial ênfase na progressão e no desenvolvimento da arte. No entanto, estes escritos, geralmente crônicas, inventários, biografias ou outros escritos mais ou menos literários, careciam de perspectiva histórica e odo rigor científico necessários para serem considerados historiografia da arte.<ref>Bozal, p. 137.</ref>
 
[[Johann Joachim Winckelmann]] é considerado o pai da história da arte, criando uma metodologia científica para a classificação das artes e baseando a História da arte em uma teoria estética de influência [[neoplatonismo|neoplatônica]]: a beleza é o resultado de uma materialização da [[ideia]]. Grande admirador da cultura grega, postulou que, na [[Grécia]] antiga, se deu a beleza perfeita, gerando um [[mito]] sobre a perfeição da beleza clássica que ainda condiciona a perfeição da arte hoje em dia. Em ''Reflexão sobre a imitação das obras de arte gregas'' (1755), afirmou que os gregos chegaram a um estado de [[perfeição]] total na imitação da natureza, e, assim, nós, agora, só podemos imitar os gregos. Assim mesmo, relacionou a arte com as etapas da vida humana ([[infância]], [[idade adulta]], [[velhice]]), estabelecendo uma evolução da arte em três estilos: arcaico, clássico e helenístico.<ref>Bozal, vol. I, p. 150-154.</ref>
 
Durante o século XIX, a nova disciplina buscou uma formulação mais prática e rigorosa, especialmente desde a aparição do [[positivismo]]. No entanto, essa tarefa foi abordada por diversas metodologias que trouxeram uma grande variedade de tendências historiográficas: o [[romantismo]] impôs uma visão [[historicismo|historicista]] e [[revivalismo|revivalista]] do passado, resgatando e pondo em moda novamente estilos artísticos que haviam sido desvalorizados pelo [[neoclassicismo]] winckelmanniano; assim, o vemos na obra de [[John Ruskin|Ruskin]], [[Viollet-le-Duc]], [[Goethe]], [[Friedrich von Schlegel|Schlegel]], [[Wilhelm Heinrich Wackenroder|Wackenroder]], entre outros. Em vez disso, a obra de autores como [[Karl Friedrich von Rumohr]], [[Jacob Burckhardt]] e [[Hippolyte Taine]], foramfoi a primeira tentativa séria de formular uma história da arte com base em critérios científicos, baseando-se em análises críticas das fontes historiográficas. Por outro lado, [[Giovanni Morelli]] introduziu o conceito de ''connoisseur'', o especialista em arte, que a analisa com base tanto em seus conhecimentos como em sua [[intuição]].<ref>Bozal (2000), vol. I, p. 141-143.</ref>
 
A primeira escola historiográfica de grande relevância foi o [[formalismo (arte)|formalismo]], que defendia o estudo da arte a partir do estilo, aplicando uma metodologia [[evolução|evolucionista]] que defendia, para a arte, uma autonomia longe de qualquer consideração filosófica, rejeitando a estética romântica e o ideal [[hegel]]iano, e se aproximando do [[neokantismo]]. Seu primeiro teórico foi [[Heinrich Wölfflin]], considerado o pai da moderna História da arte. Ele aplicou, aà arte, critérios científicos, como o estudo psicológico ou o [[método comparativo]]: definia os estilos por suas diferenças estruturais inerentes aos mesmos, como argumentou em sua obra ''Conceitos fundamentais da História da Arte'' (1915). Wölfflin não atribuiu importância às biografias[[biografia]]s dos artistas, defendendo, por outro lado, a ideia de [[nacionalidade]], de escolas artísticas e estilos nacionais. As teorias de Wölfflin foram continuadas pela chamada [[Escola de Viena]], com autores como [[Alois Riegl]], [[Max Dvořák]], [[Hans Sedlmayr]] e [[Otto Pächt]].<ref>Bozal, vol. II, p. 255-258.</ref>
 
Já no século XX, a historiografia da arte tem continuado dividida entre múltiplas tendências, desde autores ainda enquadrados no formalismo ([[Roger Fry]], [[Henri Focillon]]), passando pelas escolas sociológica ([[Friedrich Antal]], [[Arnold Hauser]], [[Pierre Francastel]], [[Giulio Carlo Argan]]) ou psicológica ([[Rudolf Arnheim]], [[Max Wertheimer]], [[Wolfgang Köhler]]), até perspectivas individuais e sintetizadoressintetizadoras como as de [[Adolf Goldschmidt]] oou [[Adolfo Venturi]]. Uma das escolas mais reconhecidas tem sido a da [[iconologia]], que centra seus estudos na [[simbologia]] e no significado da obra artística. Através do estudo de imagens, [[emblema]]s, [[alegoria]]s e demais elementos de significado visual, pretendempretende esclarecer a mensagem que o artista pretendeu transmitir em sua obra, estudando a imagem desde postulados mitológicos, religiosos ou históricos, ou de qualquer índole [[semântica]] presente em qualquer estilo artístico. Os principais teóricos desse movimento foram [[Aby Warburg]], [[Erwin Panofsky]], [[Ernst Gombrich]], [[Rudolf Wittkower]] ye [[Fritz Saxl]].<ref>Bozal, vol. II, p. 293-295.</ref>
 
== Crítica de arte ==