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{{artigo principal|[[Dinastia Qin]]}}
 
Os historiadores costumam denominar de China Imperial o período entre o início da [[Dinastia Qin]] (também chamada Dinastia Chin) ([[século III a.C.]]) e o fim da [[Dinastia Qing]] (no começo do [[século XX]]). Em 230 a.C, o [[Estado Quin]] iniciou as várias campanhas que levaram à unificação da China. Os outros estados formaram alianças para tentarem impedir o seu avanço, e em 227 a.C. houve uma tentativa de assassinato do rei [[Qin Shihuang|Ying Zheng]]. Os esforços de resistência fraquejaram e em 221 a.C o rei Zheng do estado Qin assumiu o título de Qin Shi Huangdi, primeiro imperador da Dinastia Qin.<ref>Roberts, John A. G., ''History of China'' (título original), Palgrave MacMillan, 1999 (primeira edição), 2006 (segunda edição), ISBN 978-989-8285-39-3, pág 54</ref> Embora seu reinado sobre uma China unificada tenha durado apenas doze anos, o imperador qinQin logrou subjugar grande parte do que se constitui no cerne das terras [[Etnia han|hans]] chinesas e uni-las sob um governo altamente centralizado com sede em Xianyang (a atual [[Xian]]). A doutrina do [[legalismo]], pela qual se orientava o imperador, enfatizava a observância estrita de um código legal e o poder absoluto do monarca. Tal filosofia, embora muito eficaz para expandir o império pela força, mostrou-se inservível para governar em tempo de paz. Os qins promoveram o silenciamento brutal da oposição política, cuja epítome foi o incidente conhecido como a [[Queima de livros e sepultura de intelectuais|queima de livros e o sepultamento de acadêmicos]] (vivos).
[[Ficheiro:China Dynasties.gif|400px|miniaturadaimagem|A evolução das diferentes [[dinastias chinesas]] ao longo dos séculos no [[China|país]].]]
A Dinastia Qin é famosa por ter iniciado a [[Grande Muralha da China]], que foi posteriormente ampliada e aperfeiçoada durante a [[Dinastia Ming]]. Incluem-se entre as demais contribuições dos qin a unificação do [[direito]] chinês, da [[caracteres chineses|linguagem escrita]] e da [[moeda]] da China, bem-vindas após as tribulações dos períodos da Primavera e do Outono e dos Reinos Combatentes. Até mesmo algo tão prosaico como o comprimento dos eixos das carroças teve que ser uniformizado de modo a permitir um sistema comercial viável que abrangesse todo o império.
 
Muitos autores defendem que a reunificação da China sob um governo burocrático nessa ocasião se deveu em certa medida aos constantes ataques das tribos nômades do norte dirigidos para pilhar os bens da civilização chinesa, que aumentaram consideravelmente a partir do século III a. C
 
Exatamente pela forma de governo instituída pelos [[dinastia Qin|Qin]], extremamente centralizada na pessoa do imperador, as coisas deixaram de funcionar com a morte de Zheng em 210 a.C. O sucessor legítimo do primeiro imperador foi assassinado por seu irmão mais jovem. O Segundo Imperador, [[Qin Er Shi]], por sua vez, foi assassinado por um de seus ministros, [[Lǐ Sī|Li Si]] em 208 antes de Cristo. Li Si foi morto em 207 a.C., assim como o ministro e o imperador que assumiram posteriormente. A massa campesina e alguns dos antigos nobres, diante dessa situação, participaram de sublevações contra o governo. [[Imperador Gaozu de Han|Liu Bang]] (mais conhecido como Gaozu), um funcionário do Império, derrubou o governo da família Ying (Dinastia Qin) e declarou-se imperador sob a dinastia de [[dinastia Han|Han]] em 202 a.C.
 
 
=== Dinastia Han (202 a.C. – 220 d.C.) ===
{{VT|História da Dinastia Han}}
 
A Dinastia Han emergiu em [[202 a.C.]], como a primeira a adotar a filosofia do [[confucionismo]], que se tornou a base [[ideologia|ideológica]] de todos os regimes chineses até o fim da China Imperial. A dinastia Han foi governada pela família conhecida como o clã de Liu. Durante esta fase dinástica, a China logrou grandes avanços nas artes e nas ciências. O [[Wudi|Imperador Wu]] consolidou e ampliou o império ao expulsar os ''[[xiongnu]]s'' (que alguns identificam com os [[hunos]]) para as [[estepe]]s do que é hoje a [[Mongólia Interior]], tomando-lhes o território correspondente às atuais províncias de [[Gansu]], [[Ningxia]] e [[Qinghai]]. Isto permitiu abrir as primeiras ligações comerciais entre a China e o [[Mundo ocidental|Ocidente]]: a [[Rota da Seda]].
 
Durante a dinastia Han, a China transformou-se oficialmente num estado confucionista e progrediu em questões internas: a [[agricultura]], o [[artesanato]] e o [[comércio]] floresceram, e a população chegou a 55 milhões. A dinastia Han foi notável também pela sua aptidão militar. O império expandiu-se para o oeste à bacia de Tarim (na região autónoma moderna de [[Xinjiang]]), com expedições militares para o oeste, assim como além-[[Mar Cáspio]], tornando possível o tráfego mercantil através da Ásia central, desenvolvendo o comércio inclusive com os [[Império Romano|romanos]]. Os trajetos do tráfego vieram a ser conhecidos como "a estrada de seda" porque a rota foi usada para exportar a seda chinesa. Os exércitos chineses também invadiram e anexaram partes da [[Coreia]] setentrional (Wiman Joseon) (assim como o estabelecimento de colónias) e o norte do [[Vietname]] no final do século II d.C. As fronteiras perto dos territórios periféricos eram frequentemente tensas por possíveis conflitos com outros estados. Para assegurar a paz com os poderes não Chineses, a corte de Han desenvolveu "um sistema tributário mutuamente benéfico". Foi permitido aos estados não chineses permanecer autónomos em troca da aceitação simbólica da autoridade dos Han. Os laços tributários foram confirmados e reforçados.
Entretanto, as aquisições de terras pelas elites gradualmente causaram uma crise tributária. Em [[9]] d.C., o usurpador [[Wang Mang]] fundou a breve [[Dinastia Xin]] ("nova") e deu início a um amplo programa de [[reforma agrária|reformas agrária]] e econômica. As famílias proprietárias de terras jamais apoiaram as reformas, que favoreciam os [[camponês|camponeses]] e a pequena nobreza, e a instabilidade causada por sua oposição levou ao caos e a rebeliões.
 
Entretanto, internamente, as aquisições de terras pelas elites gradualmente causaram uma crise tributária. Em [[9]] d.C., o usurpador [[Wang Mang]] fundou a breve [[Dinastia Xin]] ("nova") e deu início a um amplo programa de [[reforma agrária|reformas agrária]] e econômica. As famílias proprietárias de terras jamais apoiaram as reformas, que favoreciam os [[camponês|camponeses]] e a pequena nobreza, e a instabilidade causada por sua oposição levou ao caos e a rebeliões. Isso foi agravado pela inundação em massa do rio Amarelo; o acúmulo de lodo fez com que ele se dividisse em dois canais e deslocasse um grande número de agricultores. O usurpador Wang Mang acabou sendo morto no Palácio Weiyang por uma turba camponesa enfurecida em 23 dC.
O Imperador [[Guangwu]] reinstituiu a Dinastia Han, sediada agora em [[Luoyang]], próximo a [[Xian]], com o apoio das famílias proprietárias e mercantis. Alguns denominam este período [[Dinastia Han Oriental]]. O poder dos hans declinou em meio a aquisições de terras, invasões e rixas entre clãs consortes (isto é, clãs a que pertenciam a consorte do imperador) e [[eunuco]]s. A Rebelião do Turbante Amarelo, protagonizado pelos camponeses, estalou em [[184]] e resultou numa era de chefes guerreiros. No caos subseqüente, três Estados buscaram a preeminência durante o chamado Período dos [[Três Reinos]].
 
O Imperador [[Guangwu]] reinstituiu a Dinastia Han, sediada agora em [[Luoyang]], próximo a [[Xian]], com o apoio das famílias proprietárias e mercantis. Alguns denominam este período [[Dinastia Han Oriental]]. O poder dos hans declinou em meio a aquisições de terras, invasões e rixas entre clãs consortes (isto é, clãs a que pertenciam a consorte do imperador) e [[eunuco]]s. AInvasões dos homens das estepes, revoltas internas da nobreza e a Rebelião do Turbante Amarelo, protagonizado pelos camponeses, que estalou em [[184]] ed.C, resultou numa era de chefes guerreiros. No caos subseqüente, três Estados buscaram a preeminência durante o chamado Período dos [[Três Reinos]].
 
=== Período dos Três Reinos===
No século II d.C, o império havia declinado em crises tributária em meio a aquisições de terras pela elite, invasões de povos estrangeiros e disputas entre clãs da nobreza e os eunucos. A Rebelião do Turbante Amarelo eclodiu em 184 d.C, inaugurando uma era de senhores da guerra. Na turbulência que se seguiu, três estados tentaram ganhar predominância no período dos Três Reinos. Este período de tempo foi muito romantizado em obras como Romance dos Três Reinos.
 
Depois que Cao Cao reunificou o norte em 208, seu filho Cao Pi forçou o Imperador Xian de Han a abdicar, após isso se auto-proclamou imperador e inaugurou a dinastia Wei (liderada pelo clã Cao) em 220. Logo, os rivais de Wei, Shu (liderado pelo família imperial deposta, o clã de Liu) e Wu (liderado pelo clã de Sun) proclamaram sua independência, levando a China para o período dos Três Reinos (Wei, Shu e Wu). O termo próprio “três reinos” é um tanto inexpressivo, sendo que cada estado foi dirigido eventualmente por um Imperador que reivindicou a sucessão legítima da Dinastia Han, não por reis. Não obstante o termo tornou-se padrão entre sinologistas e será usado neste artigo.Este período foi caracterizado por uma gradual descentralização do estado que havia existido durante as dinastias Qin e Han, e um aumento no poder das grandes famílias.
 
Em 266, a Dinastia Jin (fundada pela família Sima) derrubou a Dinastia Wei e depois reunificou o país em 280, mas essa união durou pouco.
 
=== Dinastia Jin ===
Embora os três grupos tenham sido temporariamente unificados em [[278]] pela [[Dinastia Jin (265-420)|Dinastia Jin]], esta foi severamente enfraquecida por conflitos internos entre príncipes imperiais e perdeu o controle do norte da China depois que colonos chineses não-han se rebelaram e capturaram Luoyang e Chang'an. Em 317, um príncipe Jin em Nanjing tornou-se imperador e continuou a dinastia, agora conhecida como Jin Oriental, que ocupou o sul da China por mais um século.
Embora os três grupos tenham sido temporariamente unificados em [[278]] pela [[Dinastia Jin (265-420)|Dinastia Jin]], os [[grupo étnico|grupos étnicos]] não-[[etnia han|hans]] controlavam boa parte do país no início do [[século IV]] e provocaram [[Migração humana|migrações]] de hans em grande escala para a margem sul do [[Rio Yangtzé|YangTzé]]. Em [[303]], o povo ''di'' revoltou-se, capturou [[Chengdu]] e estabeleceu o Estado de Cheng Han. Os ''[[xiongnu]]s'', chefiados por Liu Yuan, rebelaram-se também e fundaram o Estado de Han Zhao. Seu sucessor, Liu Cong, capturou e executou os dois últimos imperadores jins ocidentais. O Período dos Dezesseis Reinos assistiu a uma pletora de breves dinastias não-chinesas que, a partir de 303, governaram o norte da China. Os grupos étnicos ali presentes incluíam os ancestrais dos [[povos turcos|turcos]], [[mongóis]] e [[tibetano]]s. A maioria daqueles povos [[nômade]]s, relativamente pouco numerosos, já havia sido achinesada muito antes de sua ascensão ao poder. Na verdade, alguns deles, em especial os chiangs e os ''xiongnus'', já habitavam as regiões de fronteira no interior da [[Grande Muralha]] desde o final da [[Dinastia Han]], com o consentimento desta.
 
EmboraO osnorte trêsda gruposChina tenhamse sidofragmentou temporariamenteem unificadosuma emsérie [[278]]de pelareinos [[Dinastiaindependentes, Jina (265-420)|Dinastiamaioria Jin]]dos quais foi fundada por governantes dos povos Xiongnu, osXianbei, Jie, Di e Qiang. Os [[grupo étnico|grupos étnicos]] não-[[etnia han|hans]] controlavam boa parte do país no início do [[século IV]] e provocaram [[Migração humana|migrações]] de hans em grande escala para a margem sul do [[Rio Yangtzé|YangTzé]]. Em [[303]], o povo ''di'' revoltou-se, capturou [[Chengdu]] e estabeleceu o Estado de Cheng Han. Os ''[[xiongnu]]s'', chefiados por Liu Yuan, rebelaram-se também e fundaram o Estado de Han Zhao. Seu sucessor, Liu Cong, capturou e executou os dois últimos imperadores jins ocidentais. O Período dos Dezesseis Reinos assistiu a uma pletora de breves dinastias não-chinesas que, a partir de 303, governaram o norte da China. Os grupos étnicos ali presentes incluíam os ancestrais dos [[povos turcos|turcos]], [[mongóis]] e [[tibetano]]s. A maioria daqueles povos [[nômade]]s, relativamente pouco numerosos, já havia sido achinesada muito antes de sua ascensão ao poder. Na verdade, alguns deles, em especial os chiangs e os ''xiongnus'', já habitavam as regiões de fronteira no interior da [[Grande Muralha]] desde o final da [[Dinastia Han]], com o consentimento desta. Durante o período dos Dezesseis Reinos, a guerra devastou o norte e provocou [[Migração humana|migrações]] de hans em grande escala para a margem sul do [[Rio Yangtzé|YangTzé]]. O colapso da Dinastia Jin Ocidental e a ascensão de regimes bárbaros na China durante este período se assemelha ao declínio e queda do [[Império Romano do Ocidente]] em meio a invasões pelos [[hunos]] e tribos [[germanos|germânicas]] na [[Europa]], que também ocorreram nos séculos IV e V.
 
===Dinastias do Norte e do Sul===
No início do século 5, a China entrou em um período conhecido como as Dinastias do Norte e do Sul, em que os regimes paralelos dominaram as metades norte e sul do país. No sul, os Jin Orientais deram lugar as Dinastias Liu Song (família Liu), Qi Meridional e Liang (ambas governadas pela família Xiao) e finalmente Chen (família Chen). Cada uma dessas dinastias do sul foi liderada por famílias governantes chinesas Han e usou Jiankang (moderna Nanjing) como a capital. Eles detiveram ataques do norte e preservaram muitos aspectos da civilização chinesa, enquanto os regimes bárbaros do norte começaram a sinificar.
 
No norte, o último dos Dezesseis Reinos foi extinto em 439 pelo Reino de Wei, um reino fundado pelos Xianbei, um povo nômade que unificou o norte da China. O Reino de Wei finalmente se dividiu em Wei Oriental e Ocidental, que então se tornou Qi do Norte e o Zhou do Norte. Esses regimes eram dominados pelos xianbei ou chineses han que haviam se casado com famílias xianbei. Durante esse período, a maioria dos Xianbei adotou os sobrenomes Han, levando a completa assimilação dos Han.
 
Apesar da divisão do país, o budismo se espalhou por toda a terra. No sul da China, debates ferozes sobre se o budismo deveria ser permitido eram realizados com frequência pela corte e pelos nobres reais. No final da era, budistas e taoístas tornaram-se muito mais tolerantes uns com os outro.
 
=== Dinastia Sui: reunificação ===
{{artigo principal|[[Dinastia Sui]]}}
 
A Dinastia ''Sui'' (família Yang) logrou reunificar o país em [[581]], após quase quatro séculos de fragmentação política na qual o norte e o sul se desenvolveram independentemente. Do mesmo modo que os soberanos [[Dinastia Chin|qin]] haviam unificado a China após o Período dos Reinos Combatentes, os ''suisSuis'' uniram o país e criaram diversas instituições que terminaram por ser adotadas por seus sucessores, os ''[[Dinastia Tang|tangsTangs]]''. Da mesma forma que os qins, porém, os ''suis'' sobrecarregaram seus recursos e caíram.
 
Fundada pelo imperador Wen em 581 em sucessão ao Zhou do Norte, os Sui conquistaram os Chen em 589 para reunificar a China, encerrando três séculos de divisão política. Os Sui foram pioneiros em muitas novas instituições, incluindo o sistema governamental de Três Departamentos e Seis Ministérios, concursos públicos para selecionar funcionários de plebeus, melhorou os sistemas de recrutamento do exército e adotou um sistema de igualdade de distribuição de terras. Essas políticas, que foram adotadas por dinastias posteriores, trouxeram um enorme crescimento populacional e acumularam riqueza excessiva para o Estado. A cunhagem padronizada foi aplicada em todo o império unificado. O budismo criou raízes como uma religião proeminente e foi apoiado oficialmente. A China era conhecida por seus numerosos projetos de mega-construções. Destinado a embarques de grãos e transporte de tropas, o [[Grande Canal da China]] foi construído, ligando as capitais Daxing (Chang'an) e Luoyang à região sudeste, e em outra rota, à fronteira nordeste. A Grande Muralha também foi ampliada, enquanto séries de conquistas militares e manobras diplomáticas pacificaram ainda mais suas fronteiras. No entanto, as invasões maciças da Península Coreana durante a Guerra [[Goguryeo]]-[[Dinastia Sui|Sui]] falharam desastrosamente, provocando revoltas generalizadas que levaram à queda da dinastia.
 
=== Dinastia Tang: o retorno da prosperidade ===
Em [[18 de junho]] de [[618]], [[Gaozu]] tomou o poder e estabeleceu a [[Dinastia Tang]] (família Li). Iniciou-se então uma era de prosperidade e inovações nas artes e na tecnologia. O [[budismo]], que se havia instalado gradualmente na China a partir do [[século I]], tornou-se a [[religião]] predominante e foi adotada pela família imperial e pelo povo.
 
Os ''tangsTangs'', da mesma forma que os [[Dinastia Han|hansHans]], mantiveram abertas as rotas comerciais para o [[mundo ocidental|Ocidente]] e para o sul; diversos comerciantes estrangeiros fixaram-se na China.
 
O segundo imperador, [[Taizong]], é amplamente considerado como um dos maiores imperadores da história chinesa, que lançou as bases para a dinastia florescer durante séculos além de seu reinado. Combinações de conquistas militares e manobras diplomáticas foram implementadas para eliminar ameaças de tribos nômades, estender a fronteira e submeter estados vizinhos a um sistema tributário. As vitórias militares na bacia de Tarim mantiveram a Rota da Seda aberta, ligando Chang'an à Ásia Central e áreas mais a oeste. No sul, rotas lucrativas de comércio marítimo começaram a partir de cidades portuárias como Guangzhou. Houve comércio extensivo com países estrangeiros distantes, e muitos comerciantes estrangeiros se estabeleceram na China, incentivando uma cultura cosmopolita. A cultura Tang e os sistemas sociais foram observados e imitados pelos países vizinhos, mais notavelmente o Japão. Internamente, o Grande Canal ligava o centro político de Chang'an aos centros agrícolas e econômicos nas partes leste e sul do império.
A partir de cerca de [[860]], a Dinastia Tang começou a declinar, devido a uma série de rebeliões internas e de revoltas de Estados clientes. Um chefe guerreiro, [[Huang Chao]], capturou [[Guangzhou]] em [[879]] e executou a maioria dos seus 200.000 habitantes. Em [[880]], [[Luoyang]] caiu-lhe nas mãos e, em [[881]], [[Changan]]. O Imperador [[Xizong]] fugiu para [[Chengdu]] e Huang estabeleceu um governo que, embora posteriormente destruído por forças ''tangs'', lançou o país num novo período de caos político.
 
Subjacente à prosperidade da antiga dinastia Tang havia uma forte burocracia centralizada com políticas eficientes. O governo foi organizado como "Três Departamentos e Seis Ministérios" para elaborar, revisar e implementar políticas separadamente. Esses departamentos eram dirigidos por membros da família imperial, bem como funcionários acadêmicos selecionados por exames imperiais. Essas práticas, que amadureceram na dinastia Tang, foram continuadas pelas dinastias posteriores, com algumas modificações.
 
Sob o Tang "sistema de campo igual" todas as terras eram de propriedade do Imperador e concedidas a pessoas de acordo com o tamanho da casa. Os homens que receberam terras foram recrutados para o serviço militar por um período fixo a cada ano, uma política militar conhecida como "sistema Fubing". Essas políticas estimularam um rápido crescimento da produtividade e um exército significativo sem muita carga para o tesouro do estado. No ponto médio da dinastia, no entanto, os exércitos permanentes haviam substituído o recrutamento, e a terra caía continuamente nas mãos de proprietários privados
 
A dinastia continuou a florescer sob o domínio da imperatriz [[Wu Zetian]], a única imperatriz reinante na história chinesa, e atingiu o seu apogeu durante o longo reinado do imperador Xuanzong, que supervisionou um império que se estendia do Pacífico ao Mar de Aral com pelo menos 50 Milhões de pessoas. Havia criações artísticas e culturais vibrantes, incluindo obras dos maiores poetas chineses, Li Bai e Du Fu.
 
A partir de cerca de [[860]], a Dinastia Tang começou a declinar, devido a uma série de rebeliões internas e de revoltas de Estados clientes. Um chefe guerreiro, [[Huang Chao]], capturou [[Guangzhou]] em [[879]] e executou a maioria dos seus 200.000 habitantes. Em [[880]], [[Luoyang]] caiu-lhe nas mãos e, em [[881]], [[Changan]]. O Imperador [[Xizong]] fugiu para [[Chengdu]] e Huang estabeleceu um governo que, embora posteriormente destruído por forças ''tangsTangs'', lançou o país num novo período de caos político.
 
A maioria dos chineses considera a dinastia Tang (618-907) como o ponto alto da China Imperial, tanto política como culturalmente. O império atingiu seu tamanho máximo antes da dinastia Manchu Qing, tornando-se o centro de um mundo do Leste Asiático ligado por religião, roteiro e muitas instituições econômicas e políticas. Além disso, os escritores Tang produzem a melhor poesia na grande tradição lírica da China<ref>Mark Edward Lewis, ''China's Cosmopolitan Empire: The Tang Dynasty'' (2012). p. 1</ref>
 
=== Cinco dinastias e dez reinos ===
{{artigo principal|[[Período das Cinco Dinastias e dos Dez Reinos]]}}
 
Ao interregno entre a ''[[Dinastia Tang]]'' e a ''[[Dinastia Sung]]'', caracterizado pela fragmentação política, dá-se o nome de [[Período das Cinco Dinastias e dos Dez Reinos]]. Com duração de pouco mais de meio século, entre [[907]] e [[960]], esta fase histórica viu a China tornar-se uma pluralidade de estados. Cinco regimesdinastias (a saber, Liang, Tang, Jin, Han e Zhou) sucederam-se rapidamente no controle do tradicional coração territorial do país, no norte, enquanto que dez regimes mais estáveis ocupavam porções do sul e do oeste da China.
 
Em meio ao caos político no norte, as dezesseis prefeituras estratégicas (região ao longo da Grande Muralha de hoje) foram cedidas à emergente dinastia Liao, que enfraqueceu drasticamente a defesa da China contra os impérios nômades do norte. Ao sul, o Vietnã conquistou uma independência duradoura depois de ser uma prefeitura chinesa por muitos séculos. Com as guerras dominando o norte da China, houve migrações em massa para o sul do país, o que aumentou ainda mais a mudança para o sul dos centros culturais e econômicos na China. A era terminou com o golpe de Zhao Kuangyin, general dos Zhou, e o estabelecimento da dinastia Song em 960, que acabou aniquilando os restos dos "Dez Reinos" e reunificou a China.
=== Divisão política: os liaos, os sungs, os xias ocidentais, os jins ===
 
=== Divisão política: os liaosLiaos, os sungsSungs, os xiasXias ocidentais,Ocidentais e os jinsJins ===
[[Imagem:East-Hem 1200ad.jpg|thumb|Mapa da [[Eurásia]] em cerca de 1200, anteriormente às [[invasões mongóis]].]]
 
Em 960, a [[Dinastia Sung]] (família Zhao) (960–1279) logrou controlar a maior parte da China e escolheu [[Kaifeng]] para sua capital, dando início a um período de prosperidade econômica, enquanto que a [[Dinastia Liao]] dos khitans governava a [[Manchúria]] e a [[Mongólia]], Enquanto isso, no que hoje são as províncias de Gansu, Shaanxi e Ningxia, no noroeste do país, as tribos Tangut fundaram a dinastia [[Xia Ocidental] de 1032 a 1227. Em 1115, subiu ao poder a [[Dinastia Jin (1115-1234)]], dos jurchens<ref>Não confundir esta Dinastia Jin, dos jurchens, com as outras três homônimas que governaram a China em diferentes períodos.</ref> e, em dez anos, aniquilou a Dinastia Liao. Tomou a China setentrional e Kaifeng das mãos da Dinastia Sung, forçando-a a transferir sua capital para [[Hangzhou]] e a reconhecer os jinsJins como soberanos. A China encontrava-se, então, dividida entre a Dinastia Jin, ao norte, a Dinastia Sung Meridional, ao sul e os xiasXias ocidentaisOcidentais, a oeste. Os sungs meridionais passaram por um período de grande desenvolvimento tecnológico, possivelmente devido, em parte, à pressão militar que sofriam na sua fronteira setentrional.
 
A economia Song, facilitada pelo avanço da tecnologia, atingiu um nível de sofisticação provavelmente nunca visto na história mundial antes de sua época. A população aumentou para mais de 100 milhões e os padrões de vida das pessoas comuns melhoraram tremendamente devido a melhorias no cultivo de arroz e à ampla disponibilidade de carvão para a produção. As capitais de Kaifeng e, posteriormente, Hangzhou foram as cidades mais populosas do mundo para o seu tempo, e encorajaram sociedades civis vibrantes, incomparáveis ​​com dinastias chinesas anteriores. Embora as rotas de comércio terrestres para o extremo oeste fossem bloqueadas por impérios nômades, havia um extenso comércio marítimo com os estados vizinhos, o que facilitou o uso da moeda Song como moeda de troca. Navios de madeira gigantes equipados com bússolas viajavam pelos mares da China e pelo norte do Oceano Índico. O conceito de [[seguro]] era praticado pelos comerciantes para cobrir os riscos de tais embarques marítimos de longa distância. Com prósperas atividades econômicas, a primeira utilização histórica do papel-moeda surgiu na cidade de Chengdu, no oeste, como um complemento às moedas de cobre existentes.
 
A dinastia Song também foi um período de grande inovação na história da guerra. A [[pólvora]], embora tenha sido inventada na dinastia Tang, foi usada pela primeira vez em campos de batalha pelo exército Song, inspirando uma sucessão de novos projetos de armas de fogo e motores de cerco. Durante a dinastia Song do Sul, como sua sobrevivência dependia decisivamente da proteção do rio Yangtze e Huai contra as forças de cavalaria do norte, a primeira marinha da China foi montada em 1132, com a sede do almirante estabelecida em Dinghai. Navios de guerra com rodas de pás podiam lançar bombas incendiárias feitas de pólvora e cal, como registrado na vitória de Song sobre as forças invasoras Jin na Batalha de Tangdao no Mar da China Oriental, e a Batalha de Caishi no Rio Yangtze em 1161.
 
Os avanços na civilização durante a dinastia Song chegaram a um fim abrupto após a devastadora conquista mongol, durante a qual a população diminuiu drasticamente, com uma contração acentuada da economia.
 
=== Os mongóis e a Dinastia Yuan ===
 
O [[Dinastia Jin (1115-1234)|Império Jin]] foi derrotado pelos [[mongóis]], que em seguida subjugaram os [[Dinastia Sung|sungs meridionais]] ao cabo de uma guerra longa e cruenta, a primeira na qual as [[arma de fogo|armas de fogo]] desempenharam um papel importante. Com isto, a China foi mais uma vez unificada, mas agora como parte de um vasto [[Império Mongol]]. Neste período, [[Marco Polo]] visitou a corte imperial em [[Pequim]]. Os mongóis dividiam-se então entre os que preferiam manter sua base nas estepes e aqueles que desejavam adotar os costumes dos chineses [[Han (etnia)|hans]]. Um destes era [[Kublai Khan|Cublai Cã]], neto de [[Gêngis Cã]] e fundador da [[Dinastia Yuan]], a primeira a governar toda a China a partir de Pequim.
 
A dinastia também controlava diretamente o coração da Mongólia e outras regiões, herdando a maior parte do território do dividido Império Mongol, que aproximadamente coincidia com a área moderna da China e regiões próximas no leste da Ásia. A expansão posterior do império foi interrompida após derrotas nas invasões do Japão e do Vietnã. Pela primeira e única vez na história, a Rota da Seda foi controlada inteiramente por um único estado, facilitando o fluxo de pessoas, comércio e intercâmbio cultural. Rede de estradas e um sistema postal foram estabelecidos para conectar o vasto império. O comércio marítimo lucrativo, desenvolvido a partir da dinastia Song anterior, continuou a florescer, com Quanzhou e Hangzhou emergindo como os maiores portos do mundo. A dinastia Yuan foi a primeira economia antiga, onde o papel-moeda, conhecido na época como Chao, era usado como meio de troca predominante. Sua emissão irrestrita no final da dinastia Yuan infligiu hiperinflação, que acabou provocando a queda da dinastia.
 
Os governantes mongóis posicionaram todos os mongóis no extrato superior da sociedade, conferindo-lhes isenção de impostos e direitos de propriedade. Em seguida vinham os funcionários públicos. Kublai Khan havia abolido a tradição do concurso público para a seleção de chineses para compor o corpo burocrático do Império. A decisão de abolir os concursos teve consequências sociais a longo prazo. Até então, muitos jovens de famílias abastadas esforçavam-se para passar nesses exames, para ter uma vida cômoda na administração. Com a abolição dos concursos, estes jovens passaram a procurar outras saídas profissionais, resultando no crescimento do número de professores e de médicos, por exemplo. Ademais, a supressão dos exames também teve repercussões a nível linguístico. Ao não haver os concursos, deixaram de estudar os textos clássicos, e com isso declinou o conhecimento do chinês clássico, fazendo crescer o uso da língua vernácula como meio escrito.
 
A ineficiência dos mongóis em operar a máquina administrativa de uma civilização tão antiga e complexa fez com que os mongóis importassem, principalmente, turcos e persas para compor a burocracia imperial, e estes estrangeiros, conhecidos como "os de olhos coloridos", compunham a segunda classe social mais importante. Os chineses nativos, a grande maioria da população, encontravam-se nas classes mais baixas.
 
Durante toda a dinastia Yuan, houve algum sentimento geral entre a população contra o domínio mongol. Os fracassados programas econômicos que geraram um esvaziamento do tesouro imperial, aliado às rixas entre os sucessores do Imperador (invariavelmente homens fracos e de competência administrativa duvidosa), assim como a situação servil do povo chinês em suas próprias terras foram o rastilho para o surgimento dos movimentos nacionalistas durante a primeira metade do Século XIV. No entanto, em vez da causa nacionalista, foram principalmente as catástrofes naturais e a governação incompetente que desencadearam revoltas camponesas generalizadas desde a década de 1340. Após o massivo envolvimento naval no Lago Poyang, [[Imperador Hongwu|Zhu Yuanzhang]] prevaleceu sobre outras forças rebeldes no sul. Ele proclamou-se imperador e fundou a dinastia Ming em 1368. No mesmo ano, seu exército de expedição do norte capturou a capital Khanbaliq. Os remanescentes de Yuan fugiram de volta para a Mongólia onde continuaram a reinar.
 
=== Dinastia Ming: nova hegemonia dos hans ===
O forte sentimento popular hostil ao governo "estrangeiro" levou a rebeliões camponesas que terminaram por repelir os [[império Mongol|mongóis]] de volta às [[estepe]]s e a instituir a [[Dinastia Ming]] em [[1368]].
 
Durante o governo mongol, a [[população]] havia sido reduzida em 4030 por cento, para um total estimado em 60 milhões de pessoas (no século XIV, a China sofreu com epidemias de [[peste negra]], estima-se que matou 25 milhões de pessoas, 30% da população da China)<ref>{{cite web|url = http://chip.med.nyu.edu/course/view.php?id=13&topic=1 |title = Course: Plague |archiveurl = https://web.archive.org/web/20071118121009/http://chip.med.nyu.edu/course/view.php?id=13&topic=1 | archivedate = 18 November 2007}}</ref>. Dois séculos depois, a população dobrara de tamanho, o que deu causa a uma maior [[urbanização]] e à maior complexidade da [[divisão do trabalho]]. Surgiram pequenas [[indústria]]s, dedicadas à produção de [[papel]], [[seda]], [[algodão]] e [[porcelana]], em especial em grandes centros urbanos como [[Pequim]] e [[Nanquim]]. Prevaleciam, porém, as pequenas cidades com mercados que comerciavam principalmente comida mas também alguns itens manufaturados, como alfinetes e [[azeite]].
 
Apesar da [[xenofobia]] e da introspecção intelectual característica do [[neo-confucionismo]], uma escola crescentemente popular, a China do início da Dinastia Ming não se isolara. O [[comércio exterior]] e outros contatos com o mundo externo, em especial com o [[Japão]], cresceram bastante. Mercadores chineses exploraram todo o [[Oceano Índico]] e atingiram a [[África Oriental]] com as viagens de [[Zheng He]].
 
[[Zhu Yuanzhang]] (ou Hongwu), fundador da Dinastia Ming (família Zhu), lançou as bases de um [[Estado]] menos interessado em [[comércio]] do que em extrair recursos do [[agricultura|setor agrícola]]. Talvez devido ao passado camponês do imperador, o sistema econômico ming enfatizava a agricultura, ao contrário do que fizeram as [[dinastia Sung|Dinastias Sung]] e [[dinastia Yuan|Mongol]], cujas finanças se baseavam no comércio. As grandes propriedades rurais foram confiscadas pelo governo, divididas e arrendadas. Proibiu-se a [[escravidão]] privada, o que fez com que os camponeses com a posse da terra predominassem na agricultura, após a morte do Imperador [[Yongle]]. Tais políticas permitiram aliviar a pobreza causada pelos regimes anteriores.
 
A dinastia possuía um governo central forte e complexo que unificou o império. O papel do imperador passou a ser mais autocrático, embora Zhu Yuanzhang precisasse lançar mão dos chamados "Grandes Secretários" para auxiliá-lo a lidar com a enorme [[burocracia]], a qual mais tarde causaria o declínio da dinastia, por impedir o governo de se adaptar às mudanças sociais.
 
O Imperador Yongle procurou ampliar a influência da China além de suas fronteiras, ao exigir que outros governantes lhe enviassem embaixadores para pagar tributo. Construiu-se uma grande marinha, inclusive navios de quatro mastros com [[Deslocamento (náutica)|deslocamento]] de 1.500 [[tonelada|t]]. Criou-se um exército regular de um milhão de homens. As forças chinesas conquistaram parte do que é hoje o [[Vietnã]], enquanto que a frota imperial navegava pelos mares da China e o Oceano Índico, chegando até a costa oriental da África. Os chineses estenderam sua influência até o [[Turquestão]]. Diversas nações [[Ásia|asiáticas]] pagaram tributo ao imperador. Internamente, o [[Grande Canal da China|Grande Canal]] foi ampliado, com impacto positivo sobre o comércio. Produziam-se mais de 100.000 t de [[minério de ferro|ferro]] por ano. Imprimiam-se livros com o uso da [[tipografia]]. O palácio imperial da [[Cidade Proibida]] atingiu então ao seu atual esplendor. Durante as dinastias [[Ming]] o [[mosquete]] com [[feche de mecha]] era usado na China. Os chineses usavam o termo "arma de pássaro" para se referir aos mosquetes.<ref name="Chase2003">{{citar livro|autor =Kenneth Warren Chase|título=Firearms: A Global History to 1700|url=https://books.google.com/books?id=esnWJkYRCJ4C&pg=PA144|data=7 de julho de 2003|publicado=Cambridge University Press|isbn=978-0-521-82274-9|página=144}}</ref>Enfim, o período ming parece ter sido um dos mais prósperos para a China. Também foi naquela época que o potencial do sul da China veio a ser totalmente explorado.
 
O período mingMing testemunhou a última ampliação da [[Grande Muralha da China]].
 
=== Dinastia Qing ===
{{artigo principal|[[Dinastia Qing]]}}
 
A [[Dinastia Qing]] ([[1644]]–[[1911]]) foi fundada após a derrota dos [[Dinastia Ming|mingsMings]], a última dinastia [[Han (etnia)|han]] chinesa, pelas mãos dos [[manchu]]s. Estes, anteriormente conhecidos como ''jurchens'', invadiram a China a partir do norte no final do [[século XVII]]. Embora os manchus fossem conquistadores estrangeiros, adotaram rapidamente as tradicionais regras de governo [[confucianismo|confucianas]] e terminaram por governar na mesma linha das dinastias nativas anteriores.
 
Os manchus obrigaram os hans a adotar o seu estilo de penteado e de vestimenta, sob pena de morte.
Para evitar uma assimilação completa pela sociedade chinesa, os manchus estabeleceram um sistema de "oito estandartes" (ou "bandeiras"), divisões administrativas - oriundas de tradições militares manchus - nas quais as famílias manchus se distribuíam. Os manchus na China empregavam a [[língua manchu|sua própria língua]], mantinham suas tradições, como o [[tiro com arco]] e o [[hipismo]], e detinham privilégios econômicos e legais nas cidades chinesas.
 
Ao longo do meio século seguinte, os manchus consolidaram o seu controle sobre o território antes pertencente aos mingsMings e ampliaram sua esfera de influência para incluir [[Xinjiang]], o [[Tibete]] e a [[Mongólia]].
 
O [[século XIX]] testemunhou o enfraquecimento do governo qingQing, em meio a grandes conflitos sociais, estagnação econômica e influência e ingerência [[mundo Ocidental|ocidentais]]. O interesse [[Reino Unido|britânico]] em continuar o comércio de [[ópio]] com a China colidiu com éditos imperiais que baniam aquela droga viciante, o que levou à [[Primeira Guerra do Ópio]], em [[1840]]. O Reino Unido e outras potências ocidentais, inclusive os [[Estados Unidos]], ocuparam "concessões" à força e ganharam privilégios comerciais. [[Hong Kong]] foi cedida aos britânicos em [[1842]] pelo [[Tratado de Nanquim]]. Também ocorreram naquele século a [[Rebelião Taiping]] ([[1851]]–[[1864]]) e o [[Levante dos Boxers]] ([[1899]]–[[1901]]). Em muitos aspectos, as rebeliões e os [[tratado]]s que os qingsQings se viram forçados a assinar com potências [[imperialismo|imperialistas]] são sintomáticos da incapacidade do governo chinês em reagir adequadamente aos desafios que enfrentava a China no século XIX. Para se ter idéia da estagnação tecnológica da China (o país inventor da [[pólvora]]), armas de fecho de mecha ainda estavam sendo usadas por soldados do exército imperial em meados do século XIX, enquanto os europeus já haviam abandonado esta tecnologia em favor da [[perdeneira]] e estavam começando a utilizar a tecnologia do mecanismo de [[percussão]], com o advento dos [[cartucho]]s.<ref>{{citar livro|último1 =Jowett |primeiro1 =Philip |título=Imperial Chinese Armies 1840–1911 |data=2016 |publicado=Osprey Publishing Ltd. |página=19}}</ref>
 
A [[Renda per capita]] chinesa caiu implacavelmente durante a dinastia Qing. Em 1620, era aproximadamente a mesma de 980. Em 1840, havia caído quase um terço.<ref>{{citar web|url=http://www.economist.com/news/china/21723459-how-will-affect-xis-chinese-dream-china-has-been-poorer-europe-longer-party|título=China has been poorer than Europe longer than the party thinks|autor=Economist|língua=en|acessodata=17 de junho de 2017}}</ref>
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