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Os fatos brutos (pt-BR) ou factos brutos (pt) são fatos que são fatos em si mesmos, enquanto os fatos institucionais são considerados convencionais. Fatos institucionais exigem o apoio de uma instituição. O termo foi cunhado por G. E. M. Anscombe[1] e popularizado por John Searle.[2][3][4][5][6]

O termo, "Fato bruto", também pode ser usado para se referir geralmente a fatos que não têm explicações, ou que se explicam por si mesmos.

Pode-se argumentar que para alguns fatos faltam explicações causais[nota 1] Por exemplo, não há uma causa que explica o fato de que o universo começou há cerca de 14 bilhões de anos, plausivelmente, esse fato primeiro sobre o universo não tem uma explicação causal[10] O fato de que o universo começou há cerca de 14 bilhões de anos é um "Fato bruto".

"Fatos brutos" explicam-se por si mesmos. Considere os seguintes fatos:

  1. Houve a segunda grande guerra na Europa
  2. As pessoas estavam agindo de uma certa forma "guerreira"; ou seja, durante a guerra as pessoas estavam construindo armas de fogo, elas estavam se escondendo em porões, soldados estavam matando soldados, as pessoas estavam poupando rações de comida e tinham medo de aviões sobrevoando, estavam sentindo orgulho nacional e tendo ódio de qualquer representação inimiga, etc.

Estes não são apenas fatos que foram verdade neles mesmos, mas sim, o fato "2" (ou alguma variação dele) explica fato "1". E, os filósofos reducionistas acreditam que, pode-se argumentar que os fatos sobre o comportamento humano é explicado pelos mesmos tipos de fatos que são estudado por neurocientistas e biólogos. Assim podemos continuar a cavar por explicações para fatos institucionais (segunda grande guerra) até chegar ao fundo do poço a um conjunto de fatos - possivelmente os fatos sobre o movimento das partículas subatômicas - e esses fatos também podem ser chamado brutos.

Índice

Anscombe e SearleEditar

G. E. M. Anscombe empregou o conceito de um fato ser um fato bruto em relação a algum outro - o fato bruto de pagar uma conta, entregando algum dinheiro "pressupondo", por exemplo, a existência de um sistema de moeda institucionalizada. Assim, alguns fatos parecem ser dependente dos outros: que um determinado pedaço de papel vale dez dólares pode ser explicado em termos de escolhas humanas, crenças e instituições que suportam o sistema de moeda.[11]

John Searle desenvolveu o conceito de fato bruto de Anscombe para o que ele chamou de fatos físicos brutos - como o que há neve no Monte Everest - ao contrário de fatos sociais ou institucionais, dependente de sua existência de acordo humano.[12]

Notas

  1. A explicação causal é uma das formas possíveis de explicação de um determinado fenómeno, que surge primeiramente nas Ciências Naturais. No âmbito das Ciências Sociais a relação de causalidade é utilizada num sentido probabilístico, isto é, apenas é possível afirmar que, dada a ocorrência do fenómeno A, provavelmente assistiremos à ocorrência do fenómeno B (relação de causalidade simples), ou, ainda, que, mediante a presença dos fenómenos A e C, provavelmente assistiremos à ocorrência de B (relação de pluricausalidade).[7][8][9]

Referências

  1. On Brute Facts by Elizabeth Anscombe. - Analysis (Vol. 18, No. 3, Jan., 1958) Published by: Oxford University Press - http://www.jstor.org/pss/3326788
  2. Institutional Facts and Brute Values by A.C. Genova - Chicago Journals (Vol. 81, No. 1, Oct., 1970) Published by: The University of Chicago Press http://www.jstor.org/pss/2380015
  3. Rules and Realism: Remarks on the Poverty of Brute Facts by SORITES and J. Jeremy Wisnewski - Sorites [1]
  4. John Searle By Barry C. Smith "X count as Y in C" Page 86
  5. Geographic Regions as Brute Facts, Social Facts, and Institutional Facts by Daniel R. Montello pg. 305 - [2]
  6. The Construction of Social Reality by John R. Searle - 2. Creating Institutional Facts - [3]
  7. Aspects of Scientific Explanation and Other Essays in the Philosophy of Science. by Hempel, C. - New York: Free Press, 1965.
  8. "EXPLICAÇÃO CAUSAL NA FILOSOFIA DE FRANCIS BACON E O MODELO PADRÃO DE EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA" por Carolina Laurenti, UFSCar & Mark Julian Richter, UFSCar - Apontando que conceito baconiano de explicação causal não é incompatível com o modelo hempeliano de explicação científica.
  9. Uma explicação causal pede uma relação de causa entre um fato (a causa) e um segundo fato (o efeito), sendo que o segundo fato é uma consequência do primeiro
  10. "A explicação causal na História" por Sonia Wanderley Doutoranda em História Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) [4]
  11. John R. Searle, The Construction of Social Reality (1995) p. 34=5
  12. Searle, p. 121 and p. 1-2

Ver tambémEditar