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O federalismo libertário é um método organizacional que consiste na divisão da sociedade anarquista em grupos ou divisões operacionais - criadas quando há necessidade - para o exercer pleno da solidariedade e do mutualismo. Ele é derivado, no plano das ideias, do federalismo estatal, porém completamente ausente de relações verticais como o último, sendo regido de forma puramente coletiva e permeada pelo conceito-base da Democracia Direta. Nas palavras de George Woodcock, "é uma ordem natural que se expressa pela autodisciplina e pela cooperação voluntária"[1]

Sendo o braço primário do princípio da “Ação Direta”, o federalismo libertário é o meio de organização proposto pela maior parte das vertentes anárquicas, desenvolvido, no âmbito libertário, pela primeira pessoa a se intitular “anarquista”: Pierre-Joseph Proudhon (1809 - 1865). Esse conceito consiste na subdivisão organizacional temporária ou permanente da sociedade libertária (que se organizaria de baixo para cima) – em grupos de associações, comunas, ou cooperativas que se juntariam em federações, e daí em confederações, e qualquer outra forma de conjugação da força operacional humana – para a maior eficiência das interações humanas, sociais. Por intermédio do federalismo, de cunho libertário, seria possível uma intervenção rápida e direta do homem frente às problemáticas emergentes na sociedade anarquista.

Evidencia-se que o conceito de federalismo, no campo libertário, transcende o conceito atual de Federalismo que conhecemos, deixando de representar apenas as associações de grande escala para adentrar no âmbito pessoal, abrangendo, inclusive, as relações interpessoais. Desta forma, o Federalismo Libertário se firma enquanto a máxima coesão entre o homem e a satisfação proficiente de suas necessidades.

O federalismo libertário se difere do federalismo estatal - como o que vigora no Brasil - por não ser concebido em meio a nenhuma relação de submissão e por ser regido, em sua completude, pelas necessidades humanas. Seriam sempre as problemáticas que definiriam e prescreveriam a organização, e não os interesses, sejam eles coletivos ou pessoais.

Com efeito, vários anarquistas já propuseram modelos mais elaborados de organização, de Plataformas Organizacionais, mas, como é a conjuntura e a naturalidade que devem definir a organização numa Sociedade Anarquista, elas são consideradas inferências, projetos divergentes, porém, todos unificados pelo conceito uno do Federalismo Libertário. Em outras palavras, o Federalismo Libertário é tido enquanto o germe de qualquer organização anarquista.

Como seria a organização Federalista LibertáriaEditar

Em cada bairro ou fábrica se formariam associações que seriam regidas por assembleias de seus membros. Essas assembleias utilizariam o voto democrático direto, sendo que a minoria se não concordasse com a decisão poderia apelar e tentar reverter a decisão. Se elegeria delegados para o comitê comunal em cada fábrica ou bairro que teria a função de administrar as decisões das assembleias.

As associações se uniriam livremente em confederações, que se formariam de baixo para cima. As decisões fluiriam de baixo (a partir das associações) para cima. Da mesma forma que as associações teriam assembleias, as confederações teriam suas conferências com os delegados e regularmente haveria conferências locais, regionais nacionais e internacionais.

Os delegados não tomariam decisões, só levariam as decisões de baixo para cima. Se os delegados tentassem tomar decisão política, eles seriam revogados e suas decisões canceladas. [2]

Para exemplificar, caso houvesse uma decisão que envolvesse toda nação, haveria discussão em cada associação do país. O resultado da discussão das associações de um mesmo município seriam levados pelos delegados para a confederação municipal. Na conferencia da confederação municipal os delegados computariam os votos das associações e se tornaria a decisão da confederação municipal. Um delegado de cada confederação municipal do mesmo estado levaria a decisão para a sua confederação estadual. Daí o mesmo processo que acontece nas confederações municipais de contagem de votos também aconteceria nas conferencias das confederações estaduais e por fim os resultados seriam levado pelos delegados para a confederação nacional onde também se computaria os votos e se tornaria o resultado da confederação nacional.

Este é o tipo de organização que os anarquistas encontraram para substituir o governo e o capitalismo.

Vantagens alegadas pelos anarquistas e críticasEditar

As vantagens alegadas pelos anarquistas é que todos poderiam participar das decisões de forma ativa não ficando mais passivos como atualmente e fortaleceria o pensamento crítico. Também segundo os anarquistas poderia desatar um grande potencial criativo que existe dentre a humanidade que atualmente seria esmagada pela hierarquia.

Os críticos alegam que esse tipo de organização resultaria em caos e confusão. Os anarquistas rebatem a acusação afirmando que funcionou bem na Revolução Espanhola

Referências

  1. (WOODCOCK, George. Os grandes escritos anarquistas. Rio Grande do Sul: L & PM Editores Ltda, 1981. 14p.).
  2. http://anarchism.pageabode.com/afaq/secA2.html#seca29