Finanças

Mercado financeiro
Ações
ETFs
Títulos e Obrigações
Corretoras de Valores
Forex
Derivativos
Commodity
Debênture
Direitos de subscrição
Certificado de depósito bancário
Comissão de Valores Mobiliários
Classificação de crédito

Imóveis

Sistema bancário
Banco Central do Brasil
Depósito
Empréstimo

Fintech (do inglês: financial technology) é um termo que surgiu da união das palavras financial (financeiro) e technology (tecnologia), se tratando da tecnologia e inovação aplicadas na solução de serviços financeiros e que competem diretamente com o modelo tradicional ainda prevalente do setor[1]. Deste modo, empresas startups que buscam operar e aperfeiçoar serviços financeiros através de soluções tecnológicas são consideradas empresas fintech[2].

De uma forma geral, as fintechs fazem uso de tecnologias como Inteligência Artificial, Computação em Nuvem e Big Data para criar um ambiente totalmente digital e automatizado, distribuído para seus clientes nos diversos canais digitais existentes, sobretudo smartphones. Isto permite que as empresas trabalhem de maneira remota, sem a necessidade de agências físicas ou mesmo de operadores humanos, como é o caso do atendimento operado por bots[3].

Uma das principais vantagens apontadas pelo modelo é a maior acessibilidade e praticidade por parte dos clientes, promovidas pela difusão do produto em smartphones. Isto inclui também menor processo burocrático, maior agilidade, menores condições e taxas vinculadas ao serviço, bem como menor aplicação de juros. Isto se explica, principalmente, pelo fato dessas empresas possuírem um custo operacional consideravelmente menor em relação às instituições tradicionais, o que permite a elas repassarem um valor inferior aos seus clientes pelo serviço. A escalabilidade destas empresas, isto é, sua capacidade de se adaptar a mudanças estruturais de forma rápida através de um modelo baseado em algoritmos, contribui indiretamente para uma melhor experiência final do usuário[4]. Por fim, vale notar que a grande maioria destas empresas ainda trabalha com um portfólio pequeno e limitado de produtos em comparação com os grandes e tradicionais bancos[5].

Até o final de 2019 foram contabilizadas 504 fintechs registradas no Brasil, um aumento de 34% em relação ao ano anterior, subdivididas em diversos segmentos de atuação no setor[6]. Apesar das fintechs sejam uma forte concorrente aos modelos tradicionais, as instituições mais antigas ainda possuem uma fatia majoritária do mercado e isto não deve mudar a curto prazo[7].

DefiniçãoEditar

O termo Fintech vem da junção de financial (financeiro) e technology (tecnologia). Depois de revisar mais de 200 artigos científicos citando o termo "fintech", um estudo sobre a definição de fintech concluiu que "fintech é uma nova indústria financeira que aplica tecnologia para melhorar as atividades financeiras"[8].

Uma revisão das definições publicada pelo professor Patrick Schueffel da Fribourg School of Management, na Suíça, em 2016 sintetizou as várias definições acadêmicas publicadas nos últimos quarenta anos como "um novo setor financeiro que aplica tecnologia para melhorar as atividades financeiras". Por serem um novo setor financeiros essas fintechs são majoritariamente startups. Podendo ser também definidas como startups Financeiras, que estão criando uma nova forma de se lidar com os produtos e serviços financeiros com uso intensivo de tecnologia. As fintechs estão criando uma nova experiência na contratação e utilização de serviços financeiros, atuando em um setor que sempre utilizou demasiada burocracia e complexidade dos processos.

Principais áreas e tipos de FintechEditar

O mercado de fintechs tem despertado cada vez mais o interesse de investimentos. Em 2017 os investimentos nas empresas desse setor totalizaram aproximadamente R$500 milhões de reais no Brasil. Realidade há mais tempo em países desenvolvidos as fintechs começam a ganhar força no Brasil com um aumento de aproximadamente 21% (de 2017 a 2018), mostrando um setor aquecido e com ritmo acelerado de crescimento.

O uso da tecnologia pode automatizar a indústria de seguros, day trading e gerenciamento de riscos financeiros.[9]

O investimento global em tecnologia para serviços financeiros foi de US$12 bilhões de dólares em 2014. Grandes centros financeiros, como a Cidade de Londres, onde mais de 40% da força de trabalho está concentrada em serviços bancários e tecnologia.[10]

Abaixo segue uma relação com os principais tipos de Fintech consolidados no mercado[11][12]:

Fintechs de pagamentosEditar

As fintechs de pagamentos são as que estão em maior número no Brasil e simplificam o processo de compra e venda, são elas as que mais se aproximam do uso cotidiano do consumidor final. Há empresas, por exemplo, que oferecem máquinas de cartão sem cobrar a taxa de aluguel. Outras se destacam com opções diferenciadas de cartões de crédito, débito e pré-pago. Com elas é possível comprar produtos online sem a necessidade de ter uma conta no banco ou pagar contas sem ter que ir a um caixa eletrônico. Essa mudança faz com que toda a experiência seja mais prática e fácil de lidar para o cliente e provedor. Com o crescimento dessas fintechs, houve impactos no mercado, sendo constantemente inovado, e mudanças de regulações aplicadas pelo Banco Central, feitas em 2018, que fomentam a competição e ampliação do uso da tecnologia para transações de pagamento e recebimento[13].

Fintechs de gestão financeiraEditar

São plataformas que reúnem serviços para simplificar suas contas, facilitando a vida do lado financeiro. Incluem desde controle de despesas e gestão de orçamento pessoal até como ser eficiente no uso do cartão de crédito, onde não é necessário mais de nada impresso, tudo por programas e aplicativos. Para empresas, podem ajudar na gestão, com ferramentas para controle fiscal, folha de pagamento, faturamento e contabilidade.

Fintechs de empréstimos e negociação de dívidasEditar

São aplicativos e sites que aproximam quem precisa e quem empresta dinheiro. Em 2020, de acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos)[14], teve um aumento de 15,5% no dinheiro disponível para financiamentos e empréstimos, demonstrando que há a procura do brasileiro para essa modalidade de empréstimo. Esses aplicativos variam de plataformas de microfinanciamento até serviços de renegociação de dívidas. Como fintechs de crédito não têm autorização do Banco Central para fazer empréstimos, essas empresas precisam estar necessariamente associadas a um banco ou financeira para operar. Ainda sim, sendo diferente dos bancos tradicionais, que não exige a presença da pessoa, e também sendo tudo feito de forma automatizada, tornando o processo todo mais prático.

Fintechs de crowdfundingEditar

As fintechs de crowdfunding são plataformas que fazem arrecadação de dinheiro coletiva, ajudam um indivíduo ou empresa a ter um financiamento independente sem precisar recorrer à outras entidades maiores. São formas de buscar ajuda financeira, muito usado para captar investimento em causas sociais, novos empreendimentos e projetos culturais, ou até de realizar algum sonho.

Fintechs de investimentosEditar

São empresas que usam tecnologias para oferecer investimentos em diversas áreas do mercado, como o imobiliário, financeiro, de câmbio e o de criptomoedas[15]. Devido ao menor custo operacional natural de uma fintech, os investimentos podem ser oferecidos com um repasse de valor bem menor, tornando assim o serviço mais acessível se comparado com aquele fornecido por empresas mais antigas do ramo. A transparência das informações, menor burocracia e maior agilidade são outros fatores que estão fazendo cada vez mais pessoas se interessarem pelo mercado de investimentos, sendo estas fintechs os grandes catalisadores desse movimento.

Fintechs de eficiência financeiraEditar

Estas empresas tem como objetivo principal oferecer serviços de fiscalização de transações financeiras. Com o aumento exponencial das transações totalmente digitais, consequentemente também surgem mais tentativas de ataques e fraudes do sistema, o que justifica a necessidade de serviços focados no combate destes problemas[16]. Eficiência financeira também pode se referir àquelas fintechs que fornecem plataformas para controle e gestão financeira, servindo como auxiliares econômicos das pessoas ou empresas que as utilizam.

Fintechs de blockchain e criptomoedaEditar

Essas fintechs tornam a compra, venda e armazenamento de criptomoedas mais fáceis e eficazes, utilizando as tecnologias de blockchain.[17][18] Uma pesquisa realizada em fevereiro de 2021 mostrou que 106 milhões de pessoas no mundo utilizavam criptomoedas, sendo as principais o Bitcoin e a Etherium[19]. O aumento significativo de usuários desse produto se deve principalmente às flutuações positivas da moeda nos últimos anos, mas também por conta da maior acessibilidade ao investimento e pela segurança fornecida pela blockchain. As fintechs que trabalham com este tipo de produto, portanto, reconhecem a importância de aproximar ainda mais potenciais investidores às criptomoedas, servindo como um intermediador desse processo.

Fintechs de segurosEditar

Fintechs de seguros, também conhecidas com insurtech, combinação das palavras em inglês "insurance" (seguro) e "technology" (tecnologia), utilizam tecnologias inovadores desenhadas para extrair o máximo de eficiência do atual modelo de negócios de seguros.[20] As Insurtechs exploram a customização do serviço através da análise de dados e padrões de comportamento de seus clientes, podendo então formular e precificar seus serviços e produtos de acordo com o resultado do estudo. Companhias mais antigas utilizam uma tabela que leva em conta uma menor quantidade de dados, dividindo os clientes de acordo com o risco de sinistro. Consequentemente, tal política acaba levando uma parcela desses clientes a pagar mais do que deveria. Apesar da clara necessidade de adaptação e inovação, as empresas mais tradicionais e experientes do ramo ainda são resistentes a mudanças mais significativas em seus modelos de negócio, parcialmente devido a grande regulamentação existente sobre o setor.

TecnologiasEditar

Quando falando de fintechs, várias tecnologias atuais são utilizadas para ter a melhor segurança, para decisões inteligentes, e melhor manejamento de grandes quantidades de dados.

Big dataEditar

 Ver artigo principal: Big data

Dado o mundo cada vez mais conectado via tecnologia, maior quantidade de dados são gerados no nosso dia a dia, e utilizamos deles para uma melhor análise do sistema e ter o maior retorno[21][22]. Contudo já se chegou ao ponto em que não dá para utilizar de métodos convencionais para entender os dados, é utilizado de outros programas que conseguem manejar tais quantidades (por isso o termo Big data)[23]. Pelas fintechs isso pode ser utilizado para diversas ideias: comportamento de usuários, de gasto financeiro, de possíveis decisões que podem ser mais eficazes para a empresa ou startup.

Inteligência ArtificialEditar

 Ver artigo principal: Inteligência Artificial

Com os dados obtidos, pode não ser suficiente a análise de uma pessoa ou um grupo de pessoas. Com a ajuda da Inteligência Artificial[24][25], de programas de software que nos dão uma análise mais completa, podem ser mais rigosoros e satisfatórios com o resultado, não por falta de competência das pessoas, mas pela limitação humana de não conseguir visualizar com a precisão e velocidade de uma máquina. A inteligência artificial tem a capacidade de analisar dados em tempo real, de aprender e adaptar com base da informações, e cada vez mais com os melhores processadores e máquinas, podem tomar decisões e fazer análises muito mais sofisticados[26]. Isso no meio financeiro é muito efetivo, onde temos as fintechs utilizando essa tecnologia ao seu favor.

BlockchainEditar

 Ver artigo principal: Blockchain

Essa tecnologia tem como objetivo fazer todo registro e transação feita no sistema ser mais seguro, descentralizando as informações, e para cada máquina desse sistema terá todas as informações de prontidão para aqueles que tem acesso.[18] A cada nova operação gerará um pequeno bloco criptográfico que será verificado e validado na máquina de cada um dos usuários que participaram de outras operações anteriormente. Uma vez que o bloco é gerado, os dados se tornam públicos para quem realiza transações nesse contexto e não podem ser alterados pois estão conectados com todas as transações anteriores, tornando a blockchain um grande registro de operações que está em constante crescimento e imutável. Embora atualmente a aplicação dessa tecnologia é focada majoritariamente em criptomoedas, é possível abrangê-la para diversas outras áreas que necessitam de registros e histórico de informações[27][28].

Ver tambémEditar

Referências

  1. Van Loo, Rory (1 de fevereiro de 2018). «Making Innovation More Competitive: The Case of Fintech». UCLA Law Review (1). 232 páginas. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  2. [httpss://www.hottopics.ht/3182/what-is-fintech-and-why-it-matters/ «What is fintech and why does it matter to all entrepreneurs»]. HotTopics.ht (em inglês). 4 de julho de 2014. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  3. Sanicola, Lenny; Leader, ContributorSenior Practice; WorldatWork (13 de fevereiro de 2017). «What is FinTech?». HuffPost (em inglês). Consultado em 29 de agosto de 2021 
  4. FIA (20 de março de 2019). «Fintechs: O que são e Como Funcionam». Blog FIA. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  5. «Fintechs x Bancos Tradicionais: quais as semelhanças e diferenças». AML. 10 de julho de 2019. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  6. «Novo Mapa de Fintechs do Brasil». Finnovation (em inglês). 18 de setembro de 2019. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  7. «As fintechs eliminarão os bancos tradicionais?». www.tecmundo.com.br. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  8. Schueffel, Patrick. «Taming the Beast: A Scientific Definition of Fintech». Journal of Innovation Management. Consultado em 11 de março de 2021 
  9. Burns, Hilary (5 de Maio de 2017). «What is fintech? Experts weigh in to define the emerging industry» (em inglês). Charlotte Business Journal. Consultado em 21 de Agosto de 2017 
  10. Jens Münch. «What is fintech and why does it matter to all entrepreneurs» (em inglês). Hot Topics. Consultado em 21 de Agosto de 2017 
  11. «Quais são os tipos de fintech?». 6º Curso Estado de Jornalismo Econômico 
  12. «Understanding FinTech Categories». The Ian Martin Group (em inglês). 15 de setembro de 2017 
  13. Fintech (12 de agosto de 2019). «Fintech de pagamento: o que é e qual a sua importância». Fintech Blog | Tudo sobre o mercado de fintechs brasileiro. Consultado em 17 de setembro de 2021 
  14. «Medo da crise fará busca por empréstimos subir em ritmo 50% menor neste ano». economia.uol.com.br. Consultado em 17 de setembro de 2021 
  15. «O que é uma fintech de investimento?». URBE.ME. 13 de novembro de 2017. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  16. «Confira os 10 principais tipos de fintechs existentes no mercado!». WeCont. 17 de março de 2021. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  17. Fintech (16 de novembro de 2019). «Fintechs de blockchain: o que são? Como funcionam? 10 exemplos». Fintech Blog | Tudo sobre o mercado de fintechs brasileiro. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  18. a b «O que é a tecnologia blockchain? - IBM Blockchain». www.ibm.com. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  19. fintechs.com.br, Redação (26 de fevereiro de 2021). «106 milhões de pessoas usam criptomoedas ao redor do mundo, revela pesquisa». Fintechs. Consultado em 17 de setembro de 2021 
  20. analyst, Full Bio Follow Linkedin Follow Twitter Marshall Hargrave is a stock; Stocks, Writer with 10+ Years of Experience Covering; markets; Analyzing, As Well as; Hargrave, valuing companies Learn about our editorial policies Marshall. «Will Insurtech Disrupt the Insurance Industry?». Investopedia (em inglês). Consultado em 29 de agosto de 2021 
  21. UCS, BLOG DO EAD. «Big Data: O Que é, Para Que Serve, Como Aplicar e Exemplos». ead.ucs.br. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  22. «Big Data: What it is and why it matters». www.sas.com. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  23. Elgendy, Nada; Elragal, Ahmed (2014). Perner, Petra, ed. «Big Data Analytics: A Literature Review Paper». Cham: Springer International Publishing. Lecture Notes in Computer Science (em inglês): 214–227. ISBN 978-3-319-08976-8. doi:10.1007/978-3-319-08976-8_16. Consultado em 15 de setembro de 2021 
  24. «Inteligência artificial: o que é e qual sua importância?». www.sas.com. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  25. McCarthy, John (24 de Novembro de 2004). «What is Artificial Intelligence» (PDF) 
  26. Allen, Darrell M. West and John R. (24 de abril de 2018). «How artificial intelligence is transforming the world». Brookings (em inglês). Consultado em 15 de setembro de 2021 
  27. Fintech (16 de novembro de 2019). «Fintechs de blockchain: o que são? Como funcionam? 10 exemplos». Fintech Blog | Tudo sobre o mercado de fintechs brasileiro. Consultado em 15 de setembro de 2021 
  28. «The Truth About Blockchain». Harvard Business Review. 1 de janeiro de 2017. ISSN 0017-8012. Consultado em 15 de setembro de 2021 

Ligações externasEditar