Francesco Foscari

Francesco Foscari (Egipto, 1373 - 1 de novembro de 1457) foi o 65.º doge de Veneza. Eleito em 1423, sucedeu a Tommaso Mocenigo.

Francesco Foscari
Doge de Veneza
Retrato de Francesco Foscari por Lazzaro Bastiani
Reinado 1423-1457
Antecessor(a) Tommaso Mocenigo
Sucessor(a) Pasquale Malepiero
Dinastia Foscari
Nascimento 19 de junho de 1373
Morte 1 de novembro de 1457 (84 anos)
  Veneza, República de Veneza
Enterro Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari
Filho(s) Onze filhos, incluindo Jacopo
Brasão de Francesco Foscari

BiografiaEditar

Francesco Foscari nasceu no Egito, onde o seu pai estava exilado. Aos 18 anos, toma contacto pela primeira vez com Veneza. Ao serviço da república, faz uma rápida e brilhante carreira: aos 27 anos é senador, aos 31 membro do conselho dos Dez e aos 45 anos procurador de São Marcos. É também embaixador junto do imperador Segismundo I do Sacro Império Romano-Germânico, do sultão Maomé I, o Cavalheiro e de João Francisco de Mântua.

Foi descrito pelos seus contemporâneos como brilhante orador, com grande capacidade de persuasão e uma excelente memória.

O dogadoEditar

 
Sua sepultura.

Francesco Foscari foi eleito aos 49 anos em 15 de abril de 1423, sendo preferido a Pietro Loredano. Graças a si a República de Veneza conheceu o seu mais longo dogado, de mais de 34 anos, bem como a maior expansão territorial da sua história, reunindo numa só entidade o Véneto e o Friuli.

Pietro Loredano adotou uma atitude de hostilidade sistemática ao ponto de Foscari declarar um dia, perante o Senado, que não seria verdadeiramente doge enquanto tal oposição sistemática existisse.

Por coincidência, Pietro Loredano e seu irmão Marco morreram poucos meses depois; é possível um envenenamento, o que Jacopo Loredano fez gravar nas lápides funerárias antes de escrever nos seus livros de registos que os Foscari lhe deviam duas vidas.

Já o seu antecessor Tommaso Mocenigo dizia dele: « …Alguns de entre vós se inclinam para Messire Francesco Foscari; não vêem que é orgulhoso e mentiroso, que a sua fortuna é sem regras, que ele promete muito e dá pouco. Se for nomeado doge, vós sereis perpetuamente em guerra[1] ».

O seu dogado foi caracterizado pela guerra contra os Visconti e depois contra os turcos, por lutas internas entre as grandes famílias e catástrofes naturais como a grande seca de 1424, as numerosas subidas das águas, o gelo da lagoa em 1431, que paralisou a cidade durante meses, o sismo de 1451 e a peste que matou quatro dos seus onze filhos.

Em 1430 Andrea Contarini, incitado pels Loredan, atentou contra a vida do doge apunhalando-o.

Em 5 de novembro de 1450 o chefe dos Decemviri, Ermolao Donato, foi assassinado. O único filho de Francesco Foscari ainda vivo, Jacopo Foscari, foi acusado da sua morte apesar da ausência de provas: Donato fá-lo condenar ao exílio por ter aceite ofertas de chefes de estado estrangeiros. Jacopo é torturado e depois exilado em Creta.

Em 1455, Jacopo escreveu a Francesco Sforza, duque de Milão, para lhe pedir interseção em seu favor junto do governo de Veneza. A carta chega ao conselho dos Dez ; de novo em Veneza, Jacopo reconhece ser o seu autor mas unicamente por causa do seu desejo de rever o seu país. É condenado ao exílio perpétuo em Creta e a prisão no primeiro ano.

É então que um nobre veneziano, Nicolo Erizzo, revela em seu leito de morte ser o verdadeiro assassino de Donato; muitos senadores decidem indultar Jacopo Foscari mas este morre nessa altura na prisão de Creta, em 1457.

Abdicação e morteEditar

O doge não recolhia a simpatia de certas famílias nobres por causa das longas guerras que empobreciam os cofres do estado. Elevado à dignidade de Decemvir em 1457, Jacopo Loredano trabalha para obrigar o doge a abdicar. Francesco Foscari desinteressa-se progressivamente pelos assuntos do estado, recusando-se a assistir às sessões do Conselho. Com a acusação de não estar presentes numa sessão, em 1457, três nobres do conselho dos Dez vão a sua casa e retiram-lhe os símbolos ducais e o anel, forçando-o a abdicar sob pena de confiscação de todos os seus bens. O velho doge então abdicou.

Em 31 de outubro de 1457, o som dos sinos da basílica de São Marcos anuncia a eleição do seu sucessor, Pasquale Malipiero, e isso afetou-o de tal modo que colapsa e morre.

Foscari está enterrado na Basílica de Santa Maria dei Frari, e o seu túmulo situa-se no presbitério face ao de Niccolò Tron.

DiversosEditar

 
Os dois Foscari por Francesco Hayez

A história de Francesco Foscari inspirou um drama de Lord Byron, The two Foscari, a qual Verdi tomou para acção da sua opéra I due Foscari.

Ver tambémEditar

Referências

  1. René Guerdan: La Sérénissime, Histoire de la République de Venise Fayard, 1971 p118

Precedido por
Tommaso Mocenigo
Doge de Veneza (65.º)
1423 - 1457
Sucedido por
Pasquale Malepiero