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Francisco Escobar
Nascimento 08 de dezembro de 1865
Camanducaia  Minas Gerais
Morte 30 de dezembro de 1924 (59 anos)
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Político, Intelectual, Tradutor

Francisco Escobar (Jaguari, atualmente Camanducaia, 8 de dezembro de 1865 – Poços de Caldas, 30 de dezembro de 1924) foi um político e intelectual brasileiro. Escobar foi reconhecidamente um dos mais eruditos intelectuais de sua época, tendo sido descrito por Ruy Barbosa como “doutíssimo”[1] e como “cabeça de Salomão, pois sabe tudo o que eu sei e ainda o que eu não sei: música". Foi também interlocutor de Monteiro Lobato, que chamava Escobar de “meu mestre”[2]. Sua amizade mais marcante, entretanto, se estabeleceu com seu mais próximo amigo, o escritor Euclides da Cunha, tendo ajudado na revisão de Os Sertões.

Índice

BiografiaEditar

 
Descrição de Francisco Escobar no Annuario de Jaguary (1924)

Filho de Bento Gomes Escobar e Florinda Escobar, Francisco Escobar, conhecido também como "Chico Escobar", nasceu em Jaguari, no sul de Minas Gerais, região posteriormente denominada Camanducaia. Autodidata, não frequentou colégios; com grande facilidade de aprendizado, aos 13 anos dominava o latim e tinha grande interesse pela música. Francisco Escobar também era conhecido por seu conhecimento jurídico, embora não tenha se formado em Direito.

Em 1892, muda-se para São José do Rio Pardo, a convite de Costa Machado. Neste período, Escobar observa rápida ascensão no mundo da política: torna-se vereador, presidente da câmara e, em seguida, intendente municipal.

 
Ruy Barbosa visita Poços de Caldas, em 1910, e é recebido pelo prefeito Francisco Escobar

É durante seu cargo como prefeito de São José do Rio Pardo que conhece seu mais próximo e confidente amigo, Euclides da Cunha, que se estabelece na cidade no período de 1897 a 1902.

Em 1903, após doença pulmonar, retorna para Camanducaia para se tratar (exercendo neste meio tempo atividade de vereador camanducaiense), onde permanece até 1909. Neste ano, é nomeado prefeito de Poços de Caldas pelo então presidente Venceslau Braz , ocupando o cargo da prefeitura até o ano de 1918. Em seu período como prefeito em Poços de Caldas, Francisco Escobar realizou uma administração progressista, incentivando a cultura com a criação do Teatro Polytheama e encarregando-se de uma reforma urbanística que envolvia a construção de praças e avenidas largas. A partir de 1918 passa a exercer o então existente mandato de Senador estadual.

Amizade com Euclides da CunhaEditar

Durante seu mandato como prefeito de São José do Rio Pardo, Francisco Escobar e Euclides da Cunha estabeleceram laços de amizade. Culto e erudito, Francisco Escobar colabora para revisar e aparar algumas arestas de "Os Sertões", sendo responsável por fornecer fontes[3], livros e realizar traduções, sobretudo do latim (o livro "Flora Brasiliensis", de Martius, foi traduzido por Escobar)[4], para Euclides da Cunha. Autores como Brito Broca ressaltam que Francisco Escobar teria sido fundamental para a realização do livro[5]. Em 1902 há uma intensa troca de correspondências entre os dois amigos. Euclides escreve, em 14 de maio, que pretende levar a Escobar "as primeiras páginas, já definitivamente impressas, do meu livro. Mas não faltes. São raros os bons companheiros, nestes tempos maus e bem sabes que eu não dispenso os raríssimos que possuo"[6]. Escobar também recebeu um dos primeiros exemplares de Os Sertões, tendo enviado correções e observações a Euclides da Cunha, que responde ao prefeito, em 19 de outubro de 1902, com as seguintes palavras:

.

Francisco Escobar defendera o abolicionismo e, posteriormente, a causa dos trabalhadores (Francisco Escobar funda o "Clube Democrático Internacional Filhos do Trabalho" e redige o manifesto "O Proletário"), posições políticas que também foram responsáveis por gerar afinidades com Euclides da Cunha. Sobre este tema, Adelino Brandão descreve a amizade entre Euclides e Escobar da seguinte maneira:

Escobar foi, não sem uma dose de humor, chamado por Euclides de "ex-republicano vermelho", conforme lê-se numa carta do escritor destinada a Afonso Arinos:

Ligações externasEditar

Referências

  1. Correio IMS Perfil de Francisco Escobar
  2. NASSIF, Luís. O gênio de Escobar, Folha de S.Paulo, 11 de setembro de 1999
  3. COSTA, Francisco. A legião de Euclides da Cunha, Revista USP, São Paulo, n.54, p. 52-65, junho/agosto 2002. p. 54.
  4. São José Online [1] Os Amigos de Euclides em São José do Rio Pardo
  5. BROCA, Brito.A vida literária no Brasil - 1900. São Paulo: José Olympio, 2004. p. 259
  6. Correspondência Ativa de Euclides da Cunha [2] Lorena, 14 de Maio de 1902
  7. Correio IMS Mas queres saber de uma coisa?
  8. BRANDÃO, Adelino. Paraíso Pedido. São Paulo: IBRASA, 1996. p. 218-219
  9. Coleção Rousaura Escobar Ribeiro da Silva apud BRANDÃO, Adelino. Paraíso Pedido. São Paulo: IBRASA, 1996. Nota 6, p. 218