Giovanni Andrea Bussi

Giovanni Andrea Bussi (1415–1475) (Joannes Andreae) (* Vigevano, 14 de Julho de 1417Roma, 4 de Fevereiro de 1475), foi humanista, bispo, primeiro bibliotecário do Vaticano e secretário de vários papas.

Giovanni Andrea Bussi
(1417-1475)
Frontispício da obra "Postilla super totam Bibliam", de Nicolau de Lira (1270-1349),[1] com dedicatória de Giovanni Andrea Bussi ao Papa Sisto IV, publicada em 1472.
Nascimento 14 de julho de 1417
Vigevano,  Itália
Morte 4 de fevereiro de 1475
Roma,  Itália
Nacionalidade  Itália
Ocupação Humanista, bispo de Accia e de Aléria, bibliotecário dos papa Nicolau V, de Paulo II e de Papa Sisto IV, secretário do cardeal Nicolau Cusanus.

BiografiaEditar

Em 16 de Julho de 1451, começou a tomar parte nos serviços junto ao Papa Nicolau V. Em 1 de Novembro de 1455 o papa Calixto III o nomeou cônego da Igreja de Santo Ambrósio, em Milão. com uma renda anual de 24 florins, e em 1 de janeiro de 1456, seu secretário oficial. De 1458 a 1464 se tornou secretário do papa e confidente do cardeal Nicolau Cusanus. Em 1461 foi nomeado Bispo de Accia, na Córsega, pelo papa Pio II. Em 1464 era vigário-geral "in spiritualibus et pontificalibus" da arquidiocese de Gênova, diante da impossibilidade administrativa do bispo Paolo Fregoso. Em 23 de Julho de 1466 foi nomeado Bispo de Aléria.[2] Entre 1471-72 foi eleito o primeiro bibliotecário e secretário da biblioteca papal. Seria sucedido em 1475 por Bartolomeo Platina (1421-1481). Bussi foi editor de inúmeras obras de escritores clássicos latinos, dentre eles Livius Andronicus (1469), enriquecendo substancialmente a Biblioteca do Vaticano. Produziu inúmeros incunábulos 'editiones principes' (primeiras edições). Em suas mãos o prefácio se expandiu de sua forma original como uma carta particular a um patrono, para se tornar um documento público, às vezes com críticas grandiosas.

Bussi era platonista, foi secretário de Nicolau Cusanus e amigo de Johannes Bessarion, em cujos círculos filosóficos ele viveu. De 1458 até á morte do cardeal em 1464, ele serviu Cusanus como secretário em Roma, onde ele ajudeu o seu mestre a editar a Opuscula, manuscrito do século IX e outras obras de Apuleio. A partir de 1468, Bussi foi o editor chefe da oficina tipográfica dos proto-impressores Conrad Sweynheym (1430-1477) e Arnold Pannartz (1399-1476), depois que eles se mudaram de Subiaco para Roma. Ele fez muitos louvores a Cusanus e a Bessarion, e usou o prefácio da obra de Apuleio para fazer uma dedicatória e um elogio à obra Defensio Platonis (Em defesa de Platão), de Bessarion.

Ele também incorporou uma edição de Alcino traduzida por Pietro Balbi em sua impressão de Apuleio. O prefácio desta edição removeu uma correspondência com Jorge de Trebizonda (1395-1486) e seu filho Andreas Trapezuntius († 1498).[3] Andreas atacou Bussi e Bessarion em uma carta intitulada Platonis Accusatio (Acusação a Platão) e Bussi endereçou uma resposta a Andreas no prefácio de sua edição de Estrabão. O debate durou até o ano de 1472.

Busi mandou publicar também "primeiras edições" das Epístolas de São Jerônimo (1468), a "História Natural", de Plínio, o Velho (1470), e as obras completas de São Cipriano (1471), além da obras de Aulo Gélio. Embora a edição de Plínio não tenha sido a primeira, pois uma versão em 1469 já tinha sido impressa em Veneza, a obra foi criticada por Niccolò Perotti (1429-1480) nunca carta endereçada a Francesco Guarnieri,[4] secretário do cardeal Marco Barbo (1420-1491). Perotti critica a prática de Bussi, na época um fato comum, de adicionar um prefácio de sua lavra em um texto antigo, e também censurou a qualidade e a precisão das edições.

Bussi dedicou a maioria das suas edições ao Papa Paulo II, a quem serviu como primeiro bibliotecário papal, ao passo que Perotti assumiu a sua função anterior como editor para os impressores Sweynheym e Pannartz (1473).

Bussi cunhou o termo "media tempestas" para se referir à Idade Média.[5]

ObrasEditar

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. a b (em italiano) Nicolau de Lira (1270-1349), foi um franciscano e teólogo francês.
  2. Aléria: comuna francesa.
  3. (em alemão) CERL Thesaurus
  4. (em italiano) Treccani.it - Francesco Guarnieri.
  5. Angelo Mazzocco, Interpretations of Renaissance Humanism (Brill, 2006), p. 112.

Ligações externasEditar