Giuseppe Croccia

Giuseppe Croccia ou José Croccia (Viggiano, 17 de janeiro de 1852Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 1945) foi um flautista e militante nacionalista e anarquista italiano erradicado no Brasil. Ao lado de Giuseppe Garibaldi, lutou pela unificação da Itália.[1][2] Era avô de Mario Lago.[3]

Giuseppe Croccia
Informação geral
Nome completo Giuseppe Croccia
Também conhecido(a) como José Croccia
Nascimento 17 de janeiro de 1852
Local de nascimento Viggiano, Potenza
 Itália
Morte 15 de fevereiro de 1945 (93 anos)
Local de morte Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade Italiana
Gênero(s) Erudita
Progenitores Mãe: Maria Francesca Messina
Pai: Francesco Croccia Caldararo
Filho(s) Francisca Maria Vicência Croccia
Francisco Jorge Ponzio Croccia
Affonso Amadeo Croccia
Diva Croccia Garcia
Instrumento(s) Flauta

BiografiaEditar

Família de MúsicosEditar

 Ver artigo principal: Viggiano#Tradição Musical

Giuseppe Croccia era de uma das famílias de músicos mais importantes da história de Viggiano. Sua cidade na era famosa em todo o Reino de Nápoles por revelarem os principais músicos de estrada de todo o reino.[4] Músicos de rua que viajavam por todo o reino, e que logo se espalharam por todo o mundo. Essa história é inspiração ao romance Sans Famille, do escritor francês Hector Malot,[5]aos animes japoneses Nobody's Boy: Remi e Remi, Nobody's Girl., [6] aos filmes Sans famille (França, 1934), Senza famiglia (Itália, 1946), Bez Semyi (URSS, 1984), Rémi sans famille (França, 2018) e aos quadrinhos holandeses de Piet Wijn e uma adaptação em quadrinhos com o Pato Donald.

Giuseppe viajou o Reino inteiro junto com seus irmãos para espalhar a música.

As famílias de musicantis eram muito próximas entre si. Em 1861, 248 pessoas se declararam músicos de estrada em Viggiano, 21% das pessoas entrevistadas.[7]

Após a queda do Reino das Duas Sicílias, essas famílias deixaram a região e se espalharam pelo mundo, tendo registros de imigração para outros países da Europa, Estados Unidos, Brasil, Austrália, China, Índia e Cuba.[8]

A família Marsicano, uma das principais famílias de músicos de Viggiano migrou para os Estados Unidos, dentre eles Pietro Marsicano e Teresa Nigro, trisavós de Billie Joe Armstrong, que é cidadão honorário da cidade.[9]

Nesse momento, a família Croccia se dividiu. Giuseppe embarca para o Brasil na década de 1880 justo com dois irmãos. Seu irmão Salvatore Maria Croccia, que era violinista, migra para os Estados Unidos com os sobrinhos Pasquale e Francesco Croccia. Seus demais irmãos permaneceram na Itália.

Vida no BrasilEditar

Imigrando para o Brasil, recebeu uma a versão abrasileirada de seu nome, que passou a se registrar nos seus documentos como José Croccia. Em 9 de julho de 1892 se casa com Maria Palma Ponzio Croccia na Paróquia Nossa Senhora da Assunção, no centro de São Paulo.

No ano seguinte nasce sua primeira filha, Francisca Maria Vicência Croccia, que é mãe de Mario Lago.[3]

Influência em Mário LagoEditar

Boêmio, sempre frequentava a Lapa com o filho. Por seu viés anarquista, influenciou muito o neto politicamente. Mario Lago disse: “Eu nasci inconformado. Sou rebelde por vocação”.[10]

Giuseppe também teria levado o neto para para reuniões maçônicas (algo nunca confirmado) e incentivado o filho a se tornar marxista.[11][12]

Mas sua maior contribuição para a formação do Mario Lago foi nos gostos musicais. Giuseppe incentivou o neto a apreciar a música erudita, apresentando nomes como Heitor Villa Lobos, cuja esposa, Lucília Villa-Lobos, foi professora de música de Mario.[10]

Giuseppe Croccia faleceu em 15 de fevereiro de 1945.[13]

FamíliaEditar

Guiseppe teve quatro filhos:

  • Francisca Maria Vicência Croccia, casada com Antônio Lago.
  • Francisco Jorge Ponzio Croccia, casado com Carolina Castro Croccia
  • Affonso Amadeo Croccia, casado com Albina Miguez
  • Diva Croccia Garcia, casada com Platão Henriques Garcia, filho de Venâncio José Garcia

Referências

  1. «Homenagens marcam centenário de Mário Lago». Tribunal de Mina. Consultado em 27 de julho de 2020 
  2. «Exposição Nas águas do mesmo Lago». Arquivo Nacional. Consultado em 27 de julho de 2020 
  3. a b Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Mário Lago
  4. «CENNI STORICI» (em italiano). Comune Viggiano. Consultado em 27 de julho de 2020 
  5. Eva Bonitatibus. «L'arpa perduta - L'identità dei musicanti girovaghi» (PDF) (em italiano). consiglio.basilicata.it. Consultado em 27 de julho de 2020 
  6. «Remi» (em italiano). Nobody's Boy: Remi official website. Consultado em 27 de julho de 2020 
  7. «Geonalogia famiglia MARSICANO» (PDF) (em italiano). Commune Viggiano. Consultado em 27 de julho de 2020 
  8. «Viggiano: storie di musica, musicanti, musicisti e liutai» (em italiano). Commune Viggiano. Consultado em 27 de julho de 2020 
  9. lastampa. «Green Day, grazie ai fan Billie Joe Armstrong scopre di avere radici italiane» (em italiano). Commune Viggiano. Consultado em 27 de julho de 2020 
  10. a b Memória Globo. «Mario Lago». O Globo. Consultado em 27 de julho de 2020 
  11. Reportagem, Ator por acaso, comunista por opção, por Leneide Duarte; Revista IstoÉ Gente, nº 18, de 06 de dezembro de 1999 (acessada em novembro de 2008)
  12. Marcelo Bonavides. «Mario Lago 107 anos». Consultado em 27 de julho de 2020 
  13. «Avisos Fúnebres - José Croccia». Rio de Janeiro. Diário de Notícias (06849): 8. 21 de fevereiro de 1945