Balança-rabo-canela

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O balança-rabo-canela (nome científico: Glaucis dohrnii)[2][3] é uma espécie ameaçada de beija-flor da família dos troquilídeos (trochilidae) endêmica do Brasil.[1][4]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaBalança-rabo-canela
Glaucius dohrnii Hook-billed Hermit, Boa Nova, Bahia, Brazil.jpg
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Apodiformes
Família: Trochilidae
Gênero: Glaucis
Espécie: Glaucis dohrnii
Nome binomial
G. dohrnii
Bourcier & Mulsant, 1852
Distribuição geográfica
Distribuição do balança-rabo-canela
Distribuição do balança-rabo-canela

Taxonomia e sistemáticaEditar

O balança-rabo-canela foi por um tempo colocado no gênero Ramphodon, mas as características morfológicas o colocam firmemente em Glaucis. É monotípico.[4][5][6]

DescriçãoEditar

O balança-rabo-canela possui de 12 a 13 centímetros (4,7 a 5,1 polegadas) de comprimento. Os machos pesam de 6 a 9 gramas (0,21 a 0,32 onças) e as fêmeas 5,5 a 7 greamas (0,19 a 0,25 onças). Suas partes superiores são de bronze esverdeado e as partes inferiores canela. O rosto tem um supercílio branco e "bigode" e é escuro. A cauda é de bronze metálico com penas externas com pontas brancas. Seu bico é quase reto. Os sexos têm essencialmente a mesma plumagem, embora as partes inferiores da fêmea sejam um pouco mais pálidas que as do macho.[6]

Distribuição e habitatEditar

O balança-rabo-canela é encontrado apenas em alguns locais nos estados da Bahia e Espírito Santo, no sudeste brasileiro. Provavelmente ocorreu antigamente em Minas Gerais e possivelmente no Rio de Janeiro, embora neste último seja conhecido apenas pelo comércio de peles que podem ter se originado em outros lugares. Habita o sub-bosque de florestas primárias e litorâneas do interior, geralmente ao longo de riachos. Favorece áreas com abundantes plantas do gênero heliconia. Em altitude varia do nível do mar a 500 metros (1 600 pés).[6]

ComportamentoEditar

O balança-rabo-canela é considerado sedentário. No entanto, os poucos registros de qualquer sítio dificultam essa determinação. Como outros beija-flores, o é um alimentador de "armadilha", visitando um circuito de plantas com flores. Alimenta-se de néctar de helicônia e de outras plantas e também de pequenos artrópodes, mas faltam detalhes. Acredita-se que a época de reprodução vai de setembro a fevereiro. O ninho é feito de material vegetal e teias de aranha sob a ponta de uma folha longa caída. Sua ninhada é de dois ovos. O canto do balança-rabo-canela é descrito como semelhante ao do balança-rabo-de-bico-torto (Glaucis hirsutus), um "rápido 'seep-seep-seep'", e o beija-flor-rajado (Ramphodon naevius), "uma série descendente... de notas 'seee'."[6][7][8]

SituaçãoEditar

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) originalmente avaliou o balança-rabo-canela em 1988 como Ameaçado, depois em 1994 como Criticamente em Perigo, depois em 2000 como Em Perigo e em 2021 como Vulnerável. Sua pequena extensão sofreu desmatamento maciço e o que resta é fragmentado. Sua população é estimada em menos de 10 mil indivíduos maduros e acredita-se que esteja diminuindo.[1] Agora pode ocorrer apenas em algumas reservas e parques nacionais na Bahia e um no Espírito Santo.[6] Em 2005, foi classificada como criticamente em perigo na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo;[9] em 2010, como criticamente em perigo na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais;[10] em 2014, como em perigo na Portaria MMA N.º 444 de 17 de dezembro de 2014;[11] em 2017, como criticamente em perigo na Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia;[12] e em 2018, como em perigo no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[3][13]

Referências

  1. a b c BirdLife International (2021). «Hook-billed Hermit Glaucis dohrnii». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2021: e.T22687026A137470206. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-3.RLTS.T22687026A137470206.en . Consultado em 15 de abril de 2022 
  2. Paixão, Paulo (Verão de 2021). «Os Nomes Portugueses das Aves de Todo o Mundo» (PDF) 2.ª ed. A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. p. 111. ISSN 1830-7809. Consultado em 13 de janeiro de 2022 
  3. a b «Glaucis dohrnii (Bourcier & Mulsant, 1831)». Sistema de Informação Sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 15 de abril de 2022. Cópia arquivada em 9 de julho de 2022 
  4. a b Gill, F.; Donsker, D.; Rasmussen, P. (julho de 2021). «IOC World Bird List (v 11.2)». Consultado em 14 de julho de 2021 
  5. Remsen Jr., J. V.; Areta, J. I.; Bonaccorso, E.; Claramunt, S.; Jaramillo, A.; Lane, D. F.; Pacheco, J. F.; Robbins, M. B.; Stiles, F. G.; Zimmer, K. J. «A classification of the bird species of South America». Sociedade Ornitológica Americana. Consultado em 15 de abril de 2022 
  6. a b c d e Hinkelmann, C.; Kirwan, G. M. (2020). «Hook-billed Hermit (Glaucis dohrnii)». In: Hoyo, J. del; Elliot, A.; Sargatal, J.; Christie, D. A.; Juana, E. de. Birds of the World. Ítaca, Nova Iorque: Laboratório Cornell de Ornitologia. doi:10.2173/bow.hobher2.01 
  7. van Perlo, Ber (2009). A Field Guide to the Birds of Brazil. Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Oxônia. 158 páginas. ISBN 978-0-19-530155-7 
  8. Hinkelmann, C.; Kirwan, G. M. (2020). «Saw-billed Hermit (Ramphodon naevius)». In: Hoyo, J. del; Elliot, A.; Sargatal, J.; Christie, D. A.; Juana, E. de. Birds of the World. Ítaca, Nova Iorque: Laboratório Cornell de Ornitologia. doi:10.2173/bow.hobher2.01 
  9. «Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo». Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), Governo do Estado do Espírito Santo. Consultado em 7 de julho de 2022. Cópia arquivada em 24 de junho de 2022 
  10. «Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais» (PDF). Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM. 30 de abril de 2010. Consultado em 2 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 21 de janeiro de 2022 
  11. «PORTARIA N.º 444, de 17 de dezembro de 2014» (PDF). Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Ministério do Meio Ambiente (MMA). Consultado em 24 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 12 de julho de 2022 
  12. «Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia.» (PDF). Secretaria do Meio Ambiente. Agosto de 2017. Consultado em 1 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 2 de abril de 2022 
  13. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018