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Herança ligada ao sexo é a designação da herança genética relacionada a genes presentes na parte não-homóloga dos cromossomos sexuais, ou seja, no caso da espécie humana, os genes presentes no cromossomo X sem correspondentes no cromossomo Y.[1] A herança ligada ao sexo responde por diversas enfermidades encontradas em humanos, como o daltonismo e hemofilia.[2]

Os cromossomos sexuais emparelham-se na meiose. Como os cromossomos X e Y ou Z e W têm formas e tamanhos diferentes, seu emparelhamento na meiose é parcial. Podem-se distinguir, assim, duas regiões nesses cromossomos, em função do emparelhamento nas células masculinas.

  • região homóloga, onde há emparelhamento entre o cromossomo X e o cromossomo Y;
  • região não-homóloga, onde não há emparelhamento entre o cromossomo X e o cromossomo Y.

Os genes que se encontram na região não-homóloga do cromossomo X apresentam um tipo de herança que chamamos de herança ligada ao sexo ou herança ligada ao X.

Nesse caso, como os machos têm apenas um cromossomo X, não há alelos dos genes localizados na região não-homóloga desse cromossomo, sendo, por isso, chamados hemizigóticos. Já as fêmeas podem ser homozigóticas ou heterozigóticas, pois apresentam dois cromossomos X que se emparelham completamente.

Genes recessivos localizados nessa região não-homóloga do cromossomo X expressam-se fenotipicamente com maior frequência nos machos,pois basta o alelo estar presente para seu efeito se manifestar. Nas fêmeas, esses alelos recessivos só se manifestam em dose dupla (homozigose recessiva).

Os genes localizados na região não-homóloga do cromossomo Y são chamados de genes holândricos (holo = todos; andrico = masculino) e condicionam um tipo de herança restrita ao sexo ou herança ligada ao Y, que só ocorrem nos machos. nesse caso, também se fala em indivíduos hemizigóticos.

HistóricoEditar

A herança ligada ao sexo também pode ser identificada em diversas outras espécies[3] e foi percebida inicialmente a partir das observações de Thomas Hunt Morgan, em 1909, estudando a mosca-da-fruta, Drosophila melanogaster. Morgan observou a cor dos olhos neste inseto e descobriu frequências diferentes para machos e fêmeas que evidenciaram a presença de uma herança ligada aos cromossomos sexuais[4]

Evidências de ligação ao sexo também foram observadas por L. Doncaster e G. H. Raynor, ao estudarem cruzamentos entre mariposas magpie (asas escuras x asas claras) dentro das condições mendelianas. Eles notaram os seguintes cruzamentos recíprocos:

Fêmeas asas claras X Machos asas escuras = Toda a prole com asas escuras.

Fêmeas asas escuras X Macho de asas claras = Toda a prole feminina com asas claras/ Toda prole masculina com asas escuras.

Associando tais frequências fenotípica a herança sexual. William Bateson desenvolveu o mesmo estudo, porém com galinhas.

Outros mecanismos de herança relacionados ao sexoEditar

Existem variações fenotípicas relacionadas com o sexo envolvendo genes que podem estar localizados em quaisquer do autossomos, ocorrendo, assim, nos dois sexos. Esses genes podem expressar-se de modo diferente em cada sexo, em função principalmente dos hormônios sexuais.

Herança influenciada pelo sexoEditar

A herança autossômica influenciada pelo sexo diz respeito a características determinadas por genes autossômicos, cuja expressão é afetada pelo sexo do indivíduo. Dentro desta classificação encontra-se a modalidade "Dominância influenciada pelo sexo", em que a dominância de um gene varia de acordo com o sexo do portador. Um exemplo é a calvície na espécie humana. Essa característica é determinada por um Alelo C', localizado em um autossomo, sendo dominante nos homens e recessivo nas mulheres. Assim, devido a diferenças hormonais, o mesmo genótipo heterozigótico manifesta-se de forma diferente em cada sexo.

Genótipo Fenótipo
C'C' Homem: calvo

Mulher: calva

C'C'' Homem: calvo

Mulher: não-calva

C''C'' Homem: não-calvo

Mulher: não-calva

A calvície é, portanto, uma característica influenciada pelo sexo. Devemos lembrar, porém, que a calvície também pode ter outras causas, sem interferência genética, como doenças, radiações e problemas com a glândula tireoide.

Outras modalidades de herança autossômica ligada ao sexo são a "Penetrância influenciada pelo sexo" e a "Expressividade influenciada pelo sexo".[5]

Herança com efeito limitado ao sexoEditar

Esses casos envolvem genes que ocorrem nos dois sexos, mas só se manisfestam em um deles. O efeito desses genes está, portanto, limitado ao sexo do indivíduo. Um exemplo é a manifestação dos caracteres sexuais secundários no homem e na mulher.

A hipertricose auricular, que corresponde ao crescimento excessivo de pelos na orelha, é um exemplos de gene autossômico dominante com efeito limitado ao sexo. Esses genes estão presentes tanto em homens como em mulheres, mas só se manifestam nos homens.

É interessante notar que até algum tempo atrás a hipertricose auricular era interpretada como um tipo de herança ligada ao cromossomo Y. Hoje se sabe que muitas das características que eram atribuídas a genes localizados na região não-homóloga do Y em relação ao X, ou seja, genes restritor ao sexo (ou ao Y), são na verdade condicionadas por genes autossômicos com efeito limitado ao sexo.

BibliografiaEditar

  • SUZUKI, D.T., GRIFFITHS, A.J.F., MILLER, J.H. & LEWONTIN, R.C. (2002). Introdução à Genética. Ed. Guanabara Koogan.
  • Lopes, Sônia. Bio: volume único/ Sônia Lopes.- 2. ed.- São Paulo : Saraiva, 2008.

Referências

Ligações externasEditar