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Hieróglifos egípcios eram o sistema de escrita formal usado no Antigo Egito. Os hieróglifos combinavam elementos logográficos, silábicos e alfabéticos, com um total de cerca de 1.000 caracteres distintos.[5] Acredita-se que tiveram origem por voltat de 3000 a.C.[6]

Hieróglifos egípcios
Hieroglyphs from the tomb of Seti I.jpg
Hieróglifos de KV17, o túmulo de Seti I, século XIII a.C.
TipoLogografia
Período de tempo
c. 3200 a.C.[1][2][3] – AD 400[4]
Sistemas-filhos
Hierático, Demótico, Cóptico, Meroítico, Proto-Sinaítico
Conjunto de carateres Unicode

O uso da escrita hieroglífica surgiu a partir de sistemas de símbolos proto-letrados no início da Idade do Bronze, por volta do século 32 a.C (Naqada III),[2] com a primeira frase decifrável escrita na língua egípcia que data da Segunda dinastia (século 28 a.C.). Os hieróglifos egípcios desenvolveram-se em um sistema de escrita usado para inscrição monumental na linguagem clássica do período do Império Médio; durante esse período, o sistema fez uso de cerca de 900 sinais distintos. O uso deste sistema de escrita continuou através do Novo Império e Período Tardio, e nos períodos persa e ptolomaico. Sobrevivências tardias do uso hieroglífico são encontradas no período romano, estendendo-se até o século IV.[2][7]

Índice

Decifração dos hieróglifos egípciosEditar

A decifração do sistema de escrita dos hieróglifos egípcios é geralmente atribuída a Jean François Champollion, o chamado "Pai da Egiptologia". Nascido na França em 1790, desde muito jovem Champollion mostrou um grande interesse pelo estudo das línguas orientais, e aos 16 anos já conhecia hebraico, árabe, persa, chinês e várias outras línguas asiáticas.

Concluiu que o cóptico, a língua falada pelos cristãos egípcios ainda existentes, correspondia ao último estágio da antiga língua egípcia. Esta foi a sua grande vantagem sobre o médico inglês Thomas Young, que também investigou o significado dos hieróglifos, embora com menos sucesso.

Inicialmente, Champollion estava convencido, tal como Young, de que os hieróglifos eram puramente simbólicos, sem qualquer valor fonético. No entanto, após estudar várias inscrições hieroglíficas contendo nomes reais, tais como o obelisco de Bankes e a Pedra de Roseta, Champollion descobriu que afinal muitos hieróglifos possuíam o efeito fonético comum aos ideogramas.

O estudo da antiga língua egípcia - vinculada nos hieróglifos egípcios - avançou bastante durante o século XX, com o trabalho de linguistas como Sir Alan Gardiner e Hans Jakob Polotski, que permitiram uma melhor compreensão da gramática e do sistema verbal.

Princípios gerais da escrita hieroglífica egípciaEditar

Direção de leituraEditar

Alfabeto hieroglífico (unilíteros)
Sinal Transliterção Pron. Descrição
 
3 a Oclusiva-glotal-surda
Aleph semítico
Abutre egipcio
 
i Constritiva-palatal-sonora
yod semítico.
Junco florescente
  
ou
 
y y Constritiva-palatal-sonora
Como no inglês Yes
Dupla de juncos
 
ˁ a Fricativa-faringal-sonora
ayin semítico
Braço
 
ou
 
w u Constritiva-bilabial-sonora
Como no inglês war
Filhote de codorna
 
b b Oclusiva-labial-sonora
"B", como em português
Parte inferior da perna
 
p p Oclusiva-labial-surda
"P", como em português
Esteira
 
f f Fricativa-labiodental-surda
"F", como em português
Cobra com chifres
 
m m Oclusiva-sonora-labial-nasal
"M", como em português
Coruja
 
n n Oclusiva-sonora-dental-nasal
"N", como em português
Água
 
r r Líquida-vibrante-dental
"R", como em português
Boca
 
h h Aspirada-laringal-surda
H aspirado, como no inglês how
Planta de uma casa
 
h Aspirada-faringal-surda
Som surdo, da faringe. árabe
Corda retorcida
 
j Fricativa-palatal-surda
Som de ch como no gaélico escocês loch
Placenta (?)
 
j Fricativa-velar-surda
Som de ch como no alemão ich خ árabe
Úbere
 
ou
 
s s Fricativa-sibilante-dental-sonora
"S", como em português
Roupa dobrada ou
Fecho de porta
 
š sh Sibilante-pré-palatal-surda
Som de Sh
Piscina
 
q Uvular-oclusiva-surda
"Q" semítico
Colina
 
k k Oclusiva-velar-surda-aspirada
"k" como em "casa"
Cesto com asa
 
g g Oclusiva-palatal-fraca
"G", como em gato
Base para vaso
 
t t Oclusiva-dental-surda
"T", como em português
Pão
 
ch Oclusiva-dental-surda
Som de tch
Amarras
 
d d Oclusiva-dental-fraca
"D" menos sonoro que em português
Mão
 
dy Africada-pré-palatal-fraca
Som intermediário entre o G (de gelo) e o D
Cobra

A escrita hieroglífica podia ser escrita em linhas ou colunas, tanto da esquerda para a direita, como da direita para a esquerda. Para identificar a direção de leitura de um determinado texto, deve-se analisar a direção para onde os sinais estão voltados. Os sinais hieroglíficos estão sempre voltados para o início do texto[8].

Desta forma, o texto

   
 
 
 
 
 
   
←ra xpr→  
 
←G26 
 
 xpr→

deve ser lido da esquerda para a direita, pois os sinais (como o do machado sagrado, do olho, e dos pássaros) estão voltados para a esquerda[9].

Os sinais, ainda, eram agrupados de forma a construir um conjunto harmonioso, com a escrita dos hieróglifos dentro de quadrados imaginários. Em um texto, os sinais superiores são sempre lidos antes dos inferiores .

Desta forma, o texto

   
 
 
 
 
 
   

Deve ser lido nesta ordem:

          

Tipos de sinaisEditar

Os sinais hieroglíficos egípcios são divididos entre ideogramas e fonogramas.

IdeogramasEditar

Quando um único sinal representa, sozinho, uma determinada ideia ou coisa, ele é considerado um ideograma. Por exemplo, o sinal

 

que representa uma casa, pode significar a palavra “casa”.

Na maior parte das vezes, os ideogramas funcionam como determinativos. Ao final das palavras, um ideograma é colocado, para indicar a qual categoria uma palavra pertence[10].

Por exemplo, o sinal

 

é um determinativo para a ideia de cidade. Assim, pode-se identificar que as palavras

   
 
 
 
 
  
 

são nomes de cidades, pois terminam com o hieróglifo

 

Os cartuchos, dentro dos quais era escrito o nome de reis e rainhas, era também um ideograma, relacionado à ideia de eternidade[11].

 
 
 
 
 
 
←nbw
 
 
kA→
   
 
 

FonogramasEditar

Em egípcio antigo, os fonogramas poderiam ser de três tipos[12]:

  • unilíteros, ou alfabéticos: quando cada sinal representa apenas um som. Estes são os sinais que formam o chamado “alfabeto” egípcio.
  • bilíteros, quando um sinal representa dois sons. Por exemplo,
 

e

 

são sinais que representam duas consoantes (na ordem, wr e pr).

  • trilíteros, quando um sinal representa três sons. Como, por exemplo,
 

, ou

 

ou

 

.

(Na ordem, os sinais representam os sons an, nr e nfr)[13].

A escrita egípcia não representava vogais, apenas consoantes e semivogais. A partir do período ptolemaico, alguns sinais foram adaptados para representar vogais dos nomes dos governantes estrangeiros (como Cleópatra e Ptolomeu, que eram nomes gregos)[14].

 
Neste texto, que deve ser lido da esquerda para a direita, está escrito:
 
 
 
 
 
   
  
 
 
 
 
 
   
←mwt    

 
 
  
t→
  
Palavras ditas por Osíris: grande rainha, perante Osíris. Nefertari, amada de Mut. Note o nome da rainha escrito dentro de um cartucho

Referências

  1. "...Os mesopotâmicos inventaram a escrita por volta de 3200 a.C., sem precedentes para guiá-los, assim como os egípcios, independentemente, até onde sabemos, aproximadamente no mesmo período." The Oxford History of Historical Writing. Vol. 1. To AD 600, p. 5
  2. a b c Richard Mattessich (2002). «The oldest writings, and inventory tags of Egypt». Accounting Historians Journal. 29 (1): 195–208. JSTOR 40698264 
  3. Allen, James P. (2010). Middle Egyptian: An Introduction to the Language and Culture of Hieroglyphs (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 2. ISBN 9781139486354 
  4. Allen, James P. (2010). Middle Egyptian: An Introduction to the Language and Culture of Hieroglyphs (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 8. ISBN 9781139486354 
  5. Antonio Loprieno (27 de outubro de 1995). Ancient Egyptian: A Linguistic Introduction. [S.l.]: Cambridge University Press. p. 12. ISBN 978-0-521-44849-9. Havia cerca de 1.000 grafemas no período do Império Antigo, reduzidos para cerca de 750 a 850 na linguagem clássica do Império do Meio, mas inflados na ordem de cerca de 5.000 sinais no período ptolomaico. 
  6. Kate Clair; Cynthia Busic-Snyder (1 de janeiro de 2009). Manual de Tipografia: A História, a Técnica e a Arte. [S.l.]: Bookman. p. 20. ISBN 978-85-7780-455-9 
  7. Allen, James P. (2010). Middle Egyptian: An Introduction to the Language and Culture of Hieroglyphs (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 2. ISBN 9781139486354 
  8. FONTOURA JR., Antonio. Hieróglifos Egípcios: um curso de introdução à leitura e decifração de textos do Antigo Egito. Curitiba: PatolaLivros, 2010.
  9. GARDINER, A. Egyptian Grammar: being an introduction to the study of hieroglyphs.Oxford: Griffith Institute, 1988.
  10. GARDINER, A. Egyptian Grammar: being an introduction to the study of hieroglyphs.Oxford: Griffith Institute, 1988.
  11. FONTOURA JR., Antonio. Hieróglifos Egípcios: um curso de introdução à leitura e decifração de textos do Antigo Egito. Curitiba: PatolaLivros, 2010.
  12. ALLEN, J. P. Middle Egyptian: an introduction to the language and culture of hieroglyphs.Cambridge: Cambridge University Press, 2001.
  13. ALLEN, J. P. Middle Egyptian: an introduction to the language and culture of hieroglyphs.Cambridge: Cambridge University Press, 2001.
  14. FONTOURA JR., Antonio. Hieróglifos Egípcios: um curso de introdução à leitura e decifração de textos do Antigo Egito. Curitiba: PatolaLivros, 2010.

Ver tambémEditar