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História Eclesiástica (Evágrio)

Disambig grey.svg Nota: Para a obra de Eusébio de Cesareia de mesmo nome, veja História Eclesiástica (Eusébio). Para outras obras de mesmo nome, veja História Eclesiástica.

História Eclesiástica é o nome da única obra de Evágrio Escolástico que chegou até nossos dias. Ela trata da história, principalmente religiosa, desde o início da controvérsia nestoriana no primeiro concílio de Éfeso, em 431 d.C., até 593 d.C., no tempo do imperador bizantino Maurício I, contemporâneo de Evágrio.

A obraEditar

Alguns historiadores medievais, principalmente Pauline Allen, reconhecem prontamente que o ponto de vista calcedoniano de Evágrio influenciou sua seleção de informações, de maneira a defender os agentes políticos calcedonianos contra uma reputação negativa[1]:p. 476. Whitby, porém, enfatiza a aceitação legal do acadêmico e a inclusão de informações escritas por outros historiadores que adotavam posições contrárias, quando ele argumentou que os seus relatos era confiáveis[2]. Por exemplo, Evágrio se apoiou fortemente no estudo textual da história bizantina de Zacarias Retórico mesmo ele sabendo que ele era um monofisita, omitindo ocasionalmente algumas pequenas facetas de sua obra que explicitamente promoviam sua teologia, mas considerando a grande maioria do texto como sendo confiável mesmo assim. Allen também afirma que Evágrio se utilizou da obra de Zacarias especificamente por que era o único relato histórico completo dos eventos que ocorreram no tempo de Teodoreto até sua própria época. Infelizmente, porém, os manuscritos originais de Zacarias se perderam[1]:p. 488.

Evágrio é muito menos crítico de Justiniano e Teodora, o imperador bizantino e sua esposa, quando comparado com Procópio, que acreditava que os dois eram demônios encarnados. Por conta de afiliações regionais, Evágrio mostra o imperador sob uma luz muito mais simpática, elogiando sua moderação na aplicação da justiça e o seu comedimento em perseguir, ao mesmo tempo que criticava suas heresias e demonstrações exageradas de riqueza. A ambivalência de Evágrio com o reino de Justiniano é especialmente evidente quando ele descreve-o como sendo um homem virtuoso, ainda que indesculpavelmente cego para a derrota iminente de sua guerra auto-proclamada com a Pérsia[3]. Chesnut também comento sobre o quão tarde o historiador e acadêmico romano incorporou sua "História Eclesiástica" com um estilo dramático, se utilizando de temas típicos das tragédias gregas clássicas para caracterizar a vida de Justiniano, principalmente sua sorte flutuante[4]:p. 218-219

Evágrio especificamente trabalha se utilizando de documentos escritos por Zacarias, Simeão Estilita, o Antigo, Eustácio de Epifânia, João Malalas, Zósimo e Procópio de Cesareia[5].

A "História Eclesiástica" é considerado um relato importante e relativamente seguro dos eventos que ela conta, pois Evágrio cita explicitamente o material que utiliza. Ele organizou meticulosamente a informação obtida de outras fontes históricas para conseguir validar o seu relato de maneira mais efetiva do que os outros historiadores de seu tempo, diminuindo assim a confusão para os futuros historiadores que se interessaram em estudar sua obra[6]. Porém, os historiadores reconhecem que há sérios erros de lógica inerentes à obra de Evágrio, o que é comum para a sua época, principalmente a cronologia problemática e as inexplicáveis lacunas sobre eventos claramente importantes, como grandes guerras e outros eventos seculares[7].

Referências

  1. a b ALLEN, Pauline (1980). «Zachariah Scholasticus and the Historia Ecclesiastica of Evagrius Scholasticus». Journal of Theological Studies (em inglês). 31 (2): 471-488 
  2. Whitby, p. xl
  3. PAZDERNIK, Charles (10/1994). «Our Most Pious Consort Given Us by God: Dissident Reactions to the Partnership of Justinian and Theodora, A.D. 525-548». Classical Antiquity (em inglês). 13 (2): 265  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  4. CHESNUT, Glenn F (1986). The First Christian Histories. Sozomen, Theodoret of Cyrrhus, and Evagrius Scholasticus: Other Successors and Continuators (em inglês). Macon: Mercer University Press 
  5. Whitby, pgs xxii-xxx
  6. Whitby, p. xxiii
  7. Whitby, pg. liii

Ligações externasEditar

BibliografiaEditar

  • SCARRY, Elaine. “The Well-Rounded Sphere: The Metaphysical Structure of the Consolation of Philosophy,” Essay’s in Numerical Criticism of Medieval Literature. (New Jersey: Associated University Press, 1980). (em inglês)