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Hotel Excelsior Ipiranga
Prédio completo do Hotel Excelsior Ipiranga visto de lado, São Paulo (SP), Brasil
Estilo dominante Modernista
Arquiteto Rino Levi
Construção 1943
Classificação nacional CONDEPHAAT
Data 12 de maio de 2014
Estado de conservação SP
Geografia
Cidade São Paulo

O Hotel Excelsior é um edifício localizado no centro da cidade de São Paulo e construído em 1943. Foi idealizado e projetado pelo arquiteto Rino Levi, assim como o Cine Ipiranga, cinema que se localizava na parte de baixo do prédio de 22 andares. É considerado uma construção tipicamente modernista e teve sua criação durante o intenso processo de verticalização e urbanização paulista da primeira metade do século XX.[1]

Atualmente, é um imóvel tombado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e permanece em funcionamento, contando com 186 apartamentos, além de suítes, disponíveis para hospedagem.[1]

O cinema foi fechado ao público em fevereiro de 2005.[1]

HistóriaEditar

No final do século XIX, São Paulo estava dando os primeiros passos rumo ao processo de urbanização. Logo, as exibições cinematográficas também ganharam espaço na cidade paulistana. A primeira deu-se em 9 de Janeiro de 1898, no Teatro Apolo, situado na Rua Boa Vista, SP. O sucesso foi grande e não demorou que outras apresentações fossem efetuadas. O empresário pioneiro no setor, Francisco Serrador (1872-1941), transformou o Salão de Variedades Bijou, de sua propriedade, no Cine Bijou, primeira sala de cinema de São Paulo. Foi somente na década de 1920 que salas dedicadas e projetadas especialmente para este fim começaram a ser criadas – com as mais modernas técnicas da época, visando, sobretudo, o conforto dos usuários.[1]

 
Fachada do Hotel Excelsior

Foi nessa leva de construções que, em 1943, no Centro Histórico de São Paulo, aconteceu a inauguração do Hotel Excelsior, na Avenida Ipiranga, 770 e 786, endereço onde também estava localizado o Cine Ipiranga – o primeiro filme exibido foi o longa Seis Destinos, já foi considerado na América do Sul como o mais luxuoso do continente.[2] Os acessos ao hotel e ao cinema eram independentes, mas ambos localizados no térreo do terreno. No mesmo espaço ainda existia uma ampla sala de espera, grandes escadarias que levavam ao cinema no andar superior[1] e restaurantes notoriamente frequentados. Todo esse investimento ao redor da fachada do Hotel Excelsior contribuiu com o movimento da região e a reputação do local.

Concebido pelo arquiteto Rino Levi, o projeto era inovador, e o cinema resultado de estudos realizados desde 1936, ocasião em que o profissional desenvolveu outros empreendimentos envolvendo exibições cinematográficas. A sala foi reconhecida por sua excelência na acústica, luminotécnica e visão ampla da tela de projeções, a partir dos três níveis de plateia. A construção era arrojada principalmente pelo desafio que foi construir 21 andares em cima do salão de exibições – localizado no primeiro andar -, algo até então novo.[1]

ArquitetoEditar

 Ver artigo principal: Rino Levi

Brasileiro de nascença, Rino Levi (1901-1965) realizou boa parte de seus estudos na Itália, onde teve aulas com Marcello Piacentini(1881-1960),[3] arquiteto oficial do governo fascista italiano. Decidiu não seguir a vertente de seu mestre – algo em torno do Classicismo e do Racionalismo italiano – e sempre foi defensor da modernização da arquitetura brasileira, ainda que em suas obras seja possível encontrar ecos de seu aprendizado com Piacentini. É conhecido por seus desenhos de ângulos retos e rígidos.[1][4]

Criou seu escritório em São Paulo em 1928, obtendo em curto prazo destaque em seus projetos, a exemplo do Edifício Columbus – considerado o primeiro condomínio de apartamentos da capital paulistana - e da sala de cinema Ufa Palácio (hoje conhecido como Cine Art-Palácio), tendo contribuído muito para o processo de verticalização do centro, que se intensificou nas décadas de 30 e 40.[1]

Com a diminuição do público, o espaço do cinema foi reformado e transformado em duas salas menores ao invés de uma, porém, em uma delas, detalhes da construção original, como os do teto, do primeiro nível da plateia e da iluminação, permanecem conservados.[1]

ArquiteturaEditar

 
Esquina mais próxima ao Hotel Excelsior, localizado na Avenida Ipiranga, 770

Importante exemplar da Arquitetura moderna paulistana da década de 1940, o imóvel abriga cinema, salas de convenções, restaurantes e hotel. Com 22 andares e cinema que abriga 1000 pessoas, o edifício é constituído de dois volumes, sendo o superior, que abriga o hotel, mais estreito e recuado com relação ao volume inferior, com composição mais simples. O prédio está implantado nos limites do lote que mede 1723,23 m, dos quais 1709m estão construídos. Voltado para a Avenida Ipiranga, tem como vizinhos dois sobrados, em ambos os lados, o que proporciona uma boa visualização dos dois lados, assim como um bom panorama para os clientes hospedados.[1]

Levi se inspirou em diversos estilos para conceber sua obra, porém o traço moderno é majoritário. Muitas de suas criações foram impactadas pela visita que fez à Casa Modernista, obra de Gregori Warchavchik, arquiteto ucraniano naturalizado brasileiro que foi um dos principais nomes da primeira geração de arquitetos modernistas do Brasil.[5]

Significado Histórico e AtualEditar

O Hotel Excelsior foi tombado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), com resolução em 12 de Maio de 2014. O edifício foi considerado parte integrante dos processos de modernização da cidade de São Paulo no século XX. Segundo a publicação no Diário Oficial do Poder Executivo do dia 14 de Maio de 2014:

“essa construção é resultado de criativa concepção que se caracteriza por, em terreno relativamente pequeno, sobrepor em um mesmo prédio uma grande torre de hotéis e monumental sala de cinema, ambos representativos de programas inovadores e característicos de meados do século XX em São Paulo.”[6]

TombamentoEditar

A CONDEPHAAT autorizou o tombamento do edifício projetado pelo arquiteto Rino Levi em 25 de outubro de 2010,[7] porém, para proteger o imóvel de investidores interessados em fazer um centro comercial no local, em 14 de maio de 2014, a prefeitura de São Paulo decidiu efetivamente tombar o edifício fechado, desde 2005, com a finalidade de abrir um cinema de rua (projeto inicialmente pensado em 2011). Antes pertencente à imobiliária Savoy, o edifício passou a ser considerado patrimônio cultural a partir de uma desapropriação de cinco milhões de reais.[8]

Órgão: CONDEPHAAT

Resolução: SC-24

Data da Resolução: 14 de maio de 2014

Processo: 33186/1995[6]

 
Fachada do Hotel Excelsior

AtualmenteEditar

Atualmente, o Hotel Excelsior Ipiranga permanece em funcionamento e é reconhecido como um dos melhores quatro estrelas da região. Conta com 186 apartamentos, 10 suítes e 2 apartamentos para deficientes físicos.[9] O Cine Ipiranga permanece desativado para o público desde Fevereiro de 2005. O proprietário é a Crespi Empreendimentos Ltda, e apesar do espaço interno do hotel já ter sofrido reformas e adaptações, como, por exemplo, a renovação dos banheiros e quartos com materiais novos, a fachada do prédio ainda permanece uma presença impactante estilisticamente, mostrando claramente suas antigas características de arranha-céu modernista.[6] Nos dias de hoje, para se hospedar no hotel durante um final de semana, os preços por casal variam entre 275 reais a diária até 594 reais, dependendo do quarto escolhido. Os quartos executivo twin, executivo double, executivo triplo e luxo triplo, possuem o valor em média de 275 reias a diária por casal, a suíte júnior tem o valor de 517 reais a diária, e a suíte senior possui o valor de 594 reais a diária.[10]

Ver tambémEditar

 
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Referências

  1. a b c d e f g h i j Laudo de Tombamento do Hotel Excelsior emitido pelo Departamento Histórico (DPH) - Consultados em 27 de Outubro de 2016.
  2. «Folha Online - Ilustrada - Cine Ipiranga, um dos últimos do centro, fecha suas portas hoje - 10/02/2005». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 25 de abril de 2017 
  3. Marcos Tonhão. «Laudo de Tombamento Emitido pelo CONDEPHAAT». Dezembro de 1993. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  4. Biblioteca FAUUSP. «Tombadas 7 Obras do Arquiteto Rino Levi». 16 de Maio de 2014. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  5. Folha de S.Paulo. «Edifício que abrigou o Cine Ipiranga em São Paulo é Tombado». 15 de Maio de 2014. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  6. a b c Diário Oficial do Poder Executivo da Cidade de São Paulo. «Resolução do Tombamento do Hotel Excelsior» (PDF). Consultado em 14 de novembro de 2016. Arquivado do original (PDF) em 24 de novembro de 2016 
  7. Solutions, WorldCellos - IT. edif%C3%ADcio-que-abrigou-o-cine-ipiranga-em-s%C3%A3o-paulo-%C3%A9-tombado «Deu na Folha.com: Edifício que abrigou o Cine Ipiranga em São Paulo é tombado». www.arqbacana.com.br. Consultado em 17 de abril de 2017 [ligação inativa]
  8. «Tombado, Cine Ipiranga vai ser reaberto ao público». Diego Zanchetta 
  9. Hotel Excelsior SP. «Hotel Excelsior SP, Ipiranga». Consultado em 14 de novembro de 2016. Arquivado do original em 8 de fevereiro de 2017 
  10. «★★★★ Hotel Excelsior, São Paulo, Brasil». Booking.com. Consultado em 20 de abril de 2017