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A Deliciosa e Sangrenta Aventura Latina de Jane Spitfire
Autor(es) Augusto Boal
Idioma português
País  Brasil
Assunto Espionagem, missões e agentes secretos
Gênero Romance de espionagem, Comédia, Sátira
Editora Geração Editorial
Formato Livro
Lançamento 1976
Páginas 228
ISBN 857509074-7

Jane Spitfire (ou A deliciosa e sangrenta aventura latina de Jane Spitfire) é um romance de espionagem satírico escrito por Augusto Boal, renomado teatrólogo brasileiro conhecido por ter criado o Teatro do oprimido[1]. Este livro é inspirado nas típicas histórias de espião famosas na década de sessenta e setenta, como as do James Bond de Ian Fleming[2]. O livro foi escrito em 1975, durante o exílio do autor na Argentina, que pressentia um golpe que derrubaria do poder Isabel Perón, golpe este que contaria com a intervenção dos Estados Unidos[3]. O livro só seria publicado um ano depois, contudo, com o apoio do Pasquim[1] e com ilustrações de Guidacci[4].

No prefácio ao livro, Boal afirma que desejava relatar os acontecimentos políticos nos países da América Latina e desejava estudar as técnicas e clichês do gênero do romance de espionagem; ambas as coisas já haviam sido feitas separadamente - restava fazer as duas ao mesmo tempo: isto é, relato e crítica políticos associados à exploração formal[5]. A experiência com tal tipo de obra teria sido adquirida durante a época em que o autor trabalhou como tradutor de tais histórias para a revista de suspense e crime X9[3][4].

EnredoEditar

Janet Cartwright é uma dona de casa norte-americana comum e submissa ao marido, que prepara com dedicação a festa de aniversário de seus filhos gêmeos. A festa, contudo, é interrompida quando Janet recebe uma ligação urgente. Ela sai da festa após se despedir apressadamente de seus filhos e marido, sem dar maiores explicações. O que sua família não sabe é que ela é, na verdade, Jane Spitfire, uma espiã infalível e inabalável, de inteligência, força, velocidade e recursos quase sobre-humanos. Convocada por seu chefe para uma missão urgente, ela é enviada à Happilândia (do inglês happy, ou seja, feliz), país da América Latina que se tornou uma ameaça devido à felicidade geral que estava sendo alcançada por seu povo[4]. Para tanto, ela deve recuperar as cinco fórmulas que revelarão aos governantes do país como concretizer esta felicidade. A espiã se envolve em uma sequência de situações esdrúxulas e impossíveis, sempre com violência e sexo, das quais sai invariavelmente vitoriosa. Por fim, Jane consegue reunir as cinco fórmulas, que entrega a golpistas militares que tomam o poder no país através de uma revolução.

CríticaEditar

Publicado em épocas de ditadura militar, o romance foi uma espécie de desabafo[3]. Para alguns críticos, o livro permanece atual, mesmo depois de trinta anos de sua publicação, servindo ainda até de crítica à política internacional de George W. Bush (em especial em relação à Guerra do Iraque)[6]. O própio Boal afirmou, por ocasião da segunda edição do romance: "Não mudaria nada, se tivesse de escrevê-la hoje. Porque o Iraque é apenas a última geração de uma lista em que o Brasil e a Argentina são alguns dos precursores desse golpismo ianque."[7]. Para outros, a crítica do romance já estaria envelhecida, formando apenas um conjunto de clichês de esquerda envelhecidos[3].

EdiçõesEditar

  • BOAL, Augusto. Jane Spitfire. Rio de Janeiro: Editora Codecri, 1976.
  • BOAL, Augusto. Jane Spitfire. São Paulo: Geração Editoral, 2003. Coleção Carpe Diem.

Referências

  1. a b Resenha no Google Books.
  2. Boal não cita explicitamente Bond como uma influência no seu breve prefácio a Jane Spitfire, mas a resenha de capa da reedição de 2003 diz: "O gênero contra si-mesmo. James Bond contra James Bond (de calcinhas)". In BOAL, Augusto. Jane Spitfire. São Paulo: Geração Editoral, 2003. Coleção Carpe Diem.
  3. a b c d COELHO, Sérgio Sálvia. Sarcasmo de "Jane Spitfire" empalidece diante de cinismo atual. Folha de S.Paulo Online, publicado em 24/5/2003, consultado em 26/12/2012
  4. a b c Com espiã sensual e humor, livro de Augusto Boal ataca EUA, no Portal Vermelho, publicado em 12/5/2006, consultado em 26/12/2012
  5. BOAL, Augusto. Jane Spitfire. Rio de Janeiro: Editora Codecri, 1976, páginas 11 e 12.
  6. O maior dramaturgo vivo brasileiro relança Jane Spitfire, a mais divertida sátira policial já feita contra o imperialismo ianque Arquivado em 3 de março de 2016, no Wayback Machine., em Geração Editorial Online Arquivado em 4 de janeiro de 2012, no Wayback Machine., consultado em 26/12/2012
  7. BOAL, Augusto. apud O maior dramaturgo vivo brasileiro relança Jane Spitfire, a mais divertida sátira policial já feita contra o imperialismo ianque Arquivado em 3 de março de 2016, no Wayback Machine., em Geração Editorial Online Arquivado em 4 de janeiro de 2012, no Wayback Machine., consultado em 26/12/2012