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Lei contra o cristianismo é uma lei imaginária criada por Friedrich Nietzsche e que constitui o capítulo final de sua obra O Anticristo. Por esta lei Nietzsche extingue o cristianismo, para ele uma crença enferma, baixa e vulgar,[1] que cultua uma das mais corruptas concepções de Deus já existentes,[2] responsável pelo retrocesso cultural e moral dos homens.[3] A lei encerraria a era cristã e a data de sua “promulgação”, 30 de setembro de 1888, seria o primeiro dia do Ano Um de uma nova era.

A lei não constava das primeiras edições de “O Anticristo”. O pesquisador da obra de Nietzsche, E. Podach, foi quem apresentou este e outro texto, perdido entre os manuscritos de outra obra do filósofo, “Ecce Homo”, que passaram a integrar as edições futuras.[4] Assim, segundo o calendário nietzscheano, em 2019 estamos no ano de 130 da "nova era livre do cristianismo".

Texto da "lei"Editar

Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888).

Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo

Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o sacerdote: ele ensina a antinatureza. Contra o sacerdote não há razões: há cadeia.

Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.

Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco[5] deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.

Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.

Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala[6] – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto.

Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.

Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.

Referências

  1. «O Anticristo, cap. XXXVII». Consultado em 19 de março de 2008. Arquivado do original em 1 de abril de 2008 
  2. op. cit., cap. XVIII
  3. op. cit., cap. LX
  4. Nietzsche's Der Antichrist: Robert Sheaffer -Looking Back From the Year 100
  5. Basilisco - monstro em forma de serpente cujo silvo era mortal; habitava os subterrâneos e seu hálito venenoso causava destruição à natureza, cfe "O Anticristo", ed. Martin Claret, 2007, p. 109
  6. chandala - nome genérico dado aos individuos da casta mais inferior do sistema de castas hindus, o mesmo que pária, cfe op. cit., p. 47

Ligações externasEditar