Liborio Justo


Liborio Justo (1902-2003) foi um teórico trotskista argentino. Também era conhecido com os pseudônimos de Quebracho e Lobodón Garra.

Liborio Justo
Arquivo Claudio Bertonatti
Nascimento 6 de fevereiro de 1902
 Buenos Aires
Morte 8 de agosto de 2003 (101 anos)
 Buenos Aires
Nacionalidade argentino
Ocupação Escritor e Político

BiografíaEditar

Liborio Justo nasceu em Buenos Aires. Abandonou sua formação na faculdade de Medicina no terceiro ano e viajou para a Europa e Estados Unidos. En 1930 ganhou uma bolsa de estudos de 8.000 dólares do Instituto de Educação de Nova York e já num ato na Universidad de Williamstown discursou contra a política agressiva dos Estados Unidos no Caribe [1].

Durante sua estadia nos Estados Unidos em 1934, aproximou-se dos trotskistas e sofreu a influência dos ultraesquerdistas americanos reunidos em torno de Hugo Oehler, com quem simpatizou durante boa parte de sua vida [2].

Surpreendentemente, em seu retorno, ele ingressou no Partido Comunista da Argentina, de onde saiu em 1937, questionando a linha política da Frente Popular publicando na revista Claridad (de Buenos Aires) uma Carta Aberta onde rompeu oficialmente com o estalinismo, acusando-o de antirrevolucionario.

Durante o período que coincide com o mandato de Presidente da República, exercida por seu pai, o militar argentino General Agustín Pedro Justo (1932-1938), ficou muito conhecido o episódio quando, no curso de uma recepção oferecida no palácio presidencial por seu pai ao presidente Franklin Delano Roosevelt, protestou aos gritos no microfone: “Abaixo o Imperialismo Ianque”. [2]

As condições de sua adesão e suas qualidades pessoais permitiram pensar que ele seria o unificador dos trotskistas na Argentina. Mas na verdade acabou sendo um fator virulento suplementar, pela sua inteligência, seu talento de polemista, seu gosto pelas lutas fracionais e os epítetos espetaculares [2], seus oponentes são rotineiramente descritos como criminosos, idiotas, macacos e agentes de Wall Street ou do FBI [3].

Em 1939 Liborio Justo e Mateo Fossa fundam o Grupo Obrero Revolucionario (GOR) e publicaram o jornal “La Internacional”. Neste momento a polêmica central entre os trotskistas era sobre a questão da “libertação nacional” [4].

Em 1940, Liborio Justo e Mateo Fossa se articulam com grupos do interior e transformam o GOR na la Liga Obrera Revolucionaria (LOR) publicando “La Nueva Internacional”. Mais tarde, este grupo com alguns aportes de setores juvenis passam a publicar “Lucha Obrera” [4].

Nesta mesma época Antonio Gallo e Pedro Milesi, que polemizaram através das páginas de Inicial, com Liborio Justo e Mateo Fossa sobre a questão da “libertação nacional”, fundaram a Liga Obrera Socialista (LOS). A esta aderiram um grupo de operários ferroviários de Liniers, um grupo em La Plata, um em Rosario, militantes de Córdoba. Mais tarde Jorge Abelardo Ramos entrará nesta organização [4].

Nesta época o trotskismo argentino aparece dividido nestes dois grupos principais. Em 1941 ocorreu a visita do delegado da IV Internacional, Terence Phelan (Sherry Mangan)[5], para impulsionar a unificação dos grupos trotskistas, negociações das quais se retiram Liborio Justo e a LOR por não concordar que as duas organizações deveriam unificar primeiro para depois discutir as diferenças políticas.

Desta negociação surge o Partido Obrero de la Revolución Socialista (PORS) que publicou «Frente Obrero» até 1948.

En 1942 Liborio Justo rompe com a IV Internacional e Mateo Fossa sai da LOR[4].

Em 1943 Liborio Justo se isolou nas ilhas do Ibicuy, em Entre Ríos, plantando e explorando madeira, numa vida agreste. Em uma ocasião foi morar com o escritor Horacio Quiroga mas a boa relação acabou em poucos dias. Em 1955 colocou sua experiencia na ilha no romance "Río abajo", um livro de relatos de índole literária e de costumes, pouco tocado pela política. Mas sua interpretação da historia a partir de uma visão marxista, ainda que com seu inocultável selo pessoal, se manifestou em outros livos, como "Estrategia Revolucionaria" (1957), "León Trotsky y Wall Street" (1959), "Nuestra patria vasalla" (vários tomos a partir de 1968). Em 1955 voltou a Buenos Aires. Permaneceu lúcido, agudo e contestatório até sua morte [1]. Trotsky e Liborio Justo jamais se encontraram


Referências

  1. a b La Nacion. «Falleció Liborio Justo, literato e historiador» (em espanhol). 8/8/2003. Consultado em 6 de julho de 2012 
  2. a b c Pierre Broué. «O Movimento Trotskista na América Latina até 1940» (PDF). Cadernos AEL, v.12, n.22/23,. 2005. Consultado em 6 de julho de 2012 
  3. John Sullivan. «Liborio Justo and Argentinian Trotskyism». Revolutionary History, Vol.2, No.2 (em inglês). 1989. Consultado em 6 de julho de 2012 
  4. a b c d Lucas Quiroga Zubreski. «El trotskismo en Argentina» (em espanhol). 02/09/2005. Consultado em 7 de maio de 2019 
  5. PSTU. «Moreno na Década de 40». Consultado em 11 de julho de 2012. Arquivado do original em 22 de novembro de 2010