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Linguística gerativa

Linguística Gerativa é uma escola de pensamento da linguística que faz uso do conceito de gramática gerativa. O termo "gramática gerativa" é usado de diferentes formas por diferentes pessoas, e consequentemente o termo "linguística gerativa" pode ter uma variedade de significados diferentes que frequentemente se superpõem.

Definições de Linguística GerativaEditar

Formalmente, define-se uma gramática gerativa como sendo aquela que é plenamente explicitada. Ela é um conjunto finito de regras que podem ser aplicadas para gerar somente aquelas sentenças (frequentemente, mas não necessariamente, infinitas em número) que são gramaticais em uma dada língua ou dialeto, e em nenhuma outra. Essa é a definição dada por Noam Chomsky, que popularizou o termo, e pela maioria dos dicionários de linguística. É importante notar que gerar é usado aqui como um termo técnico com um significado bem definido: dizer que uma gramática "gera uma sentença" é o mesmo que dizer que a gramática "atribui uma descrição estrutural" à sentença.[1]

Mais popularmente — embora aparentemente desagrade a alguns linguistas profissionais, entre os quais o próprio Chomsky — o termo é usado para nomear a forma de abordagem à linguística feita por Chomsky e seus seguidores. O trabalho de Chomsky caracteriza-se pelo uso de gramática transformacional — uma teoria que sofreu várias alterações desde que foi inicialmente publicada por ele em seu livro Estruturas Sintáticas, de 1957 — e pela asserção de um forte nativismo linguístico (segundo a qual deve existir um conjunto de características fundamentais comum a todas as línguas humanas).

O termo "linguística gerativa" é frequentemente aplicado à primeira versão da gramática transformacional de Chomsky, que fazia uma distinção entre a Estrutura Profunda[2] e a Estrutura Superficial[3] das sentenças.

Chomsky também lançou sua abordagem à linguística com um virulento ataque a abordagens alternativas, em particular à visão comportamentalista na forma como havia sido popularizada por B. F. Skinner em um livro também publicado em 1957, Verbal Behavior. Um último e mais vago sentido de "linguística gerativa" pode então ser resumido como "linguística anti-Skinneriana", ou simplesmente, anti-behaviorista.

Evolução HistóricaEditar

A psicolinguística, que no início da década de 1960 estava em franco desenvolvimento como parte do movimento geral em direção à psicologia cognitiva, encontrou afinidades nesta ênfase anti-behaviorista, e rapidamente absorveu muitos dos conceitos chomskianos, dentre os quais a noção de gramática gerativa. Entretanto, com o amadurecimento tanto da psicologia cognitiva quanto da psicolinguística, passaram a ver cada vez menos utilidade para a linguística gerativa — embora Chomsky tenha repetidamente enfatizado que nunca pretendeu especificar os processos mentais pelos quais uma pessoa gera sentenças ou as interpreta.

A linguística cognitiva surgiu nos últimos anos do séc. XX como um paradigma linguístico alternativo à linguística gerativa. Ela procura unificar a compreensão da língua com a compreensão de como estruturas neurais específicas funcionam biologicamente. A diferença está mais na estratégia prática de pesquisa que na própria filosofia: em princípio, evidência neurológica sempre foi considerada relevante pela linguística gerativa, mas na prática era considerada pouco conclusiva e aberta demais a interpretações para que pudesse ter algum uso. Apesar disso, alguns pesquisadores da linguística gerativa (p.ex. Alec Marantz) publicam em neurolinguística.

ReferênciasEditar

  1. Chomsky, Noam (1965). Aspects of the Theory of Syntax. [S.l.]: MIT Press 
  2. Estrutura Profunda é a forma abstrata subjacente que determina o significado da frase.
  3. Estrutura Superficial é uma representação do símbolo físico que produzimos ou ouvimos.