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Louise Erdrich
Nome completo Karen Louise Erdrich
Nascimento 7 de junho de 1954 (65 anos)
Little Falls,  Estados Unidos
Cônjuge Michael Dorris (1981 - 1995, 3 filhos)
Prémios National Book Critics Circle Award (1984)

National Book Award (2012)
National Book Critics Circle Award (2016)

Género literário Romance, conto
Movimento literário Pós-modernismo
Magnum opus Filtro de amor

Louise Erdrich (nascida Karen Louise Erdrich, Little Falls, 7 de Junho de 1954)[1] é uma escritora ojíbua de romances, poesia e literatura infantil com personagens e ambientes dos povos nativos dos Estados Unidos. É membro inscrito do Turtle Mountain Band of Chippewa Indians, um grupo de Anishinaabe (também conhecido por Ojibwe e Chippewa).[2]

Erdrich é grandemente aclamada como uma das mais importantes escritoras da segunda vaga do Renascimento dos povos nativos dos Estados Unidos. Em 2009, o seu romance The Plague of Doves foi finalista do Prémio Pulitzer de Ficção, tendo também recebido o Prémio Anisfield-Wolf Book.[3] Em Novembro de 2012, recebeu o National Book Award for Fiction pelo seu romance The Round House.[4] Irá ser agraciada com o Library of Congress Prize for American Fiction no National Book Festival em Setembro de 2015.[5] Foi casada com o escritor Michael Dorris e os dois colaboraram num número de trabalhos.

É também proprietária da Birchbark Books, uma pequena livraria independente em Minneapolis especializada em literatura dos povos nativos dos Estados Unidos e na comunidade nativa das Twin Cities.[6]

Índice

Início de vida e vida pessoalEditar

Erdrich nasceu em Little Falls, Minnesota, a primeira de sete crianças de Ralph Erdrich, um americano de origem alemã, e a sua esposa Rita (nascida Gourneau), meia americana de origem francesa e meia Obíjua. Ambos os pais ensinaram numa escola interna em Wahpeton, North Dakota, estabelecido pelo Bureau of Indian Affairs, e o seu avô maternal, Patrick Gourneau, foi o presidente tribal do Turtle Mountain Band of Chippewa Indians durante muitos anos.[7] Quando Erdrich era criança, o seu pai pagava-lhe um níquel por cada história que ela escrevia. A sua irmã Heidi é uma poetisa que vive também no Minnesota e publica sob o nome de Heid E. Erdrich.[8] Outra irmã, Lise Erdrich, escreve literatura infantil e colectâneas de ficção e ensaios.

Erdrich frequentou Dartmouth College de 1972 a 1976 como parte da sua primeira turma mista, tendo obtido um Bachelor of Arts em Inglês. Lá conheceu o futuro marido, o antropologista e escritor Michael Dorris, na altura director do novo programa de Estudos dos Povos Nativos dos Estados Unidos. Erdrich obteve um Master of Arts nos Seminários de Escrita na Universidade Johns Hopkins em 1979. Erdrich casou-se Michael Dorris em 1981 e criaram três crianças adoptadas e três filhos biológicos até à sua separação em 1995 e o suicídio de Dorris em 1997. Erdrich vive no Minnesota.

Regressou a Dartmouth em 2009 para receber um Doutoramento de Letras honorário e fazer o discurso de formatura.[9]

Erdrich e as suas duas irmãs têm organizado formações para escritores na Reserva Índia de Turtle Mountain no Dakota do Norte.[10]

Erdrich sobreviveu a um cancro da mama em fase inicial.[11]

CarreiraEditar

A sua herança de ambos os pais é uma influência na sua vida e proeminente no seu trabalho.[12]

Em 1979 escreveu "The World's Greatest Fisherman", um conto sobre June Kashpaw, uma mulher Obíjua divorciada que a morte por hipotermia trouxe os seus familiares a uma reserva ficcional no Dakota do Norte para o seu funeral. Venceu o Prémio Nelson Algren Short Fiction e tornou-se o primeiro capítulo do seu romance de estreia, Love Medicine, publicado por Holt, Rinehart, and Winston em 1984.[9]

Love Medicine venceu o prémio de 1984 National Book Critics Circle Award.[13] Foi também destacado no National Advanced Placement Test for Literature.[14] Erdrich continuou Love Medicine com The Beet Queen (1986), que continuou a sua técnica de usar múltiplos narradores e expandiu o universo ficcional da reserva de Love Medicine de forma a incluir a cidade vizinha de Argus, Dakota do Norte. A acção do romance passa-se maioritariamente antes da II Guerra Mundial. Leslie Marmon Silko acusou The Beet Queen  de Erdrich de estar mais preocupado com a técnica pós-moderna do que com as lutas políticas dos povos nativos dos Estados Unidos.[15]

Tracks (1988) volta ao início do século XX na formação da reserva e introduz a figura trickster de Nanapush, que tem uma dívida a Nanabozho.[16] Tracks mostra os primeiros confrontos entre os modos tradicionais e a Igreja Católica Romana. The Bingo Palace (1994), passa-se nos anos 1980, descrevendo os efeitos de um casino e uma fábrica na comunidade de uma reserva. Tales of Burning Love (1997) termina a história da Irmã Leopolda, uma personagem recorrente nos livros anteriores, e introduz um novo ambiente para os brancos no universo da reserva.

The Antelope Wife (1998), o primeiro romance de Erdrich depois do seu divórcio de Dorris, foi o primeiro dos seus romances a passar-se fora da continuidade dos livros anteriores.[17] Mais tarde voltou à reserva e cidades vizinhas, e publicou cinco romances desde 1998 lidando com eventos naquela área ficcional. Entre estes estão The Last Report on the Miracles at Little No Horse (2001) e The Master Butchers Singing Club (2003), um mistério macabro que usa novamente a herança de Erdrich dos povos nativos dos Estados Unidos e americana de origem alemã. Ambos os romances têm ligações geográficas e nas personagens a The Beet Queen. Em 2009, o romance de Erdrich The Plague of Doves foi finalista do Prémio Pulitzer de Ficção. A narrativa foca-se no linchamento histórico de quatro pessoas nativas dos Estados Unidos acusadas erradamente do assassínio de uma família caucasiana, e os efeitos desta injustiça nas gerações actuais.

As interligações complexas entre as séries de romances de Erdrich têm levado a comparações com os romances Yoknapatawpha  de William Faulkner. Tal como Faulkner, os romances sucessivos de Erdrich criaram múltiplas narrativas na mesma área ficcional e combinaram a tapeçaria de história local com os temas correntes e a consciência moderna.[18]

Birchbark BooksEditar

A livraria dinamiza leituras e outros eventos, incluindo a apresentação de cada nova obra de Erdrich bem como as obras e carreiras de outros escritores, particularmente escritores locais Nativos. Erdrich e os seus empregados consideram que a Birchbark Books é uma “livraria de ensino”.[19] Em adição aos livros, a loja vende arte Nativa e medicinas tradicionais, e jóias Nativas. Uma editora pequena sem fins lucratios fundada por Erdrich e a sua irmã, Wiigwaas Press, é afiliada com a loja.[19]

PrémiosEditar

  • 1983 Pushcart Prize em Poesia
  • 1984 National Book Critics Circle Award for Fiction, com Love Medicine[13]
  • 1985 Guggenheim Fellowship em Artes Criativas[20]
  • 1987 O. Henry Award, pelo conto "Fleur" (publicado na Esquire, Agosto de 1986)[21]
  • 1999 World Fantasy Award, por The Antelope Wife[22]
  • 2000 Prémio Lifetime Achievement Award do Native Writers' Circle of the Americas[23]
  • 2005 Associate Poet Laureate of North Dakota
  • 2006 Scott O'Dell Award for Historical Fiction, pelo livro infantil "The Game of Silence"[24]
  • 2007 Doutoramento Honorário da Universidade do Dakota do Norte; recusado por Erdrich devido à sua oposição à mascote da universidade North Dakota Fighting Sioux[25]
  • 2009 Doutoramento Honorário (Doutor das Letras) do Dartmouth College[26][27]
  • 2009 Anisfield-Wolf Book Award, por Plague of Doves[28]
  • 2012 National Book Award de Fiction por The Round House[29][30]
  • 2013 Rough Rider Award
  • 2014 Dayton Literary Peace Prize, Richard C. Holbrooke Distinguished Achievement Award[31]
  • 2014 PEN/Saul Bellow Award for Achievement in American Fiction[32]
  • 2015 Library of Congress Prize for American Fiction[5]

ObrasEditar

RomancesEditar

  • Love Medicine (1984)
  • A rainha da beterraba - no original The Beet Queen (1986)
  • Tracks (1988)
  • The Crown of Columbus [coescrito com Michael Dorris] (1991)
  • The Bingo Palace (1994)
  • Tales of Burning Love (1997)
  • The Antelope Wife (1998)
  • The Last Report on the Miracles at Little No Horse (2001)
  • The Master Butchers Singing Club (2003)
  • Four Souls (2004)
  • The Painted Drum (2005)
  • The Plague of Doves (Harper, 2008)
  • Vida de sombras - no original Shadow Tag (Harper, 2010)
  • A casa redonda - no original The Round House (2012)
  • LaRose (2016)
  • Future Home of the Living God (2017)

Colectâneas de históriasEditar

  • The Red Convertible: Collected and New Stories 1978-2008 (2009)

Literatura infantilEditar

  • Grandmother's Pigeon (1996)
  • The Birchbark House (1999)
  • The Range Eternal (2002)
  • The Game of Silence (2005)
  • The Porcupine Year (2008)
  • Chickadee (2012)

PoesiaEditar

  • Jacklight (1984)
  • Baptism of Desire (1989)
  • Original Fire: Selected and New Poems (2003)

Não-ficçãoEditar

  • Route Two [co-escrito com Michael Dorris] (1990)
  • The Blue Jay's Dance: A Birthyear (1995)
  • Books and Islands in Ojibwe Country (2003)

Como editora or contributoraEditar

  • The Broken Cord by Michael Dorris (Foreword) (1989)
  • The Best American Short Stories 1993 (Editor, with Katrina Kenison) (1993)

EntrevistasEditar

  • Conversations with Louise Erdrich and Michael Dorris, ed. Allan Chavkin and Nancy Feyl Chavkin (Mississippi UP, 1994)
  • Louise Erdrich, The Art of Fiction No. 208 Interview with Louise Erdrich by Lisa Halliday in The Paris Review

Ver tambémEditar

Leitura adicionalEditar

MonografiasEditar

  • Seema Kurup, Understanding Louise Erdrich (Columbia, SC: U of South Carolina P, 2015).
  • Frances Washburn, Tracks on a Page: Louise Erdrich, Her Life and Works (Santa Barbara: Praeger, 2013).
  • David Stirrup, Louise Erdrich (Manchester: Manchester UP, 2012)
  • Peter Beidler and Gay Barton, A Reader's Guide to the Novels of Louise Erdrich (Columbia: Missouri UP, 2006)
  • Connie A. Jacobs, The Novels of Louise Erdrich: Stories of Her People (Peter Lang, 2001)
  • Lorena L. Stookey, Louise Erdrich: A Critical Companion (Westport: Greenwood, 1999)

Colectâneas de ensaiosEditar

  • Louise Erdrich: Critical Insights, ed. Jane Hafen (Ipswich, MA: Salem Press, 2012).
  • Louise Erdrich, ed. Deborah L. Madsen (London: Continuum, 2011).
  • The Chippewa Landscape of Louise Erdrich, ed. Allan Chavkin (Birmingham: Alabama UP, 1999).

Guias de ensinoEditar

  • Approaches To Teaching The Works Of Louise Erdrich, ed. Greg Sarris, Connie A. Jacobs and James Richard Giles (MLA, 2004)

ReferênciasEditar

  1. Stookey, Lorena Laura (1 de janeiro de 1999). Louise Erdrich: A Critical Companion. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. pp. 1–. ISBN 9780313306129. Consultado em 7 de novembro de 2013 
  2. «Louise Erdrich : Voices From the Gaps : University of Minnesota». Voices.cla.umn.edu. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  3. The Anisfield-Wolf Book Awards - Winners by Year
  4. Leslie Kaufman (14 de novembro de 2012). «Novel About Racial Injustice Wins National Book Award». New York Times. Consultado em 15 de novembro de 2012 
  5. a b Alexandra Alter (17 de março de 2015). «Louise Erdrich Wins Library of Congress Award». New York Times. Consultado em 18 de março de 2015 
  6. «Birchbark Books & Native Arts | Minneapolis, MN | Welcome!». Birchbarkbooks.com. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  7. «"Faces of America: Louise Erdrich"»  PBS, Faces of America series, with Professor Henry Louis Gates, Jr., 2010.
  8. See her website Heid E. Erdrich.
  9. a b Lisa Halliday (inverno de 2010). «Louise Erdrich, The Art of Fiction No. 208». Paris Review 
  10. The Three Graces, Minneapolis Star Tribune, 4 de fevereiro de 2008, consultado em 23 de setembro de 2010 
  11. http://www.startribune.com/with-new-novel-out-louise-erdrich-is-exulting-in-life/171861621/
  12. [1]
  13. a b «Louise Erdrich: About the Author: HarperCollins Publishers». Harpercollins.com. 24 de março de 2010. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  14. «AP Literature: Titles from Free Response Questions since 1971». Mseffie.com. 13 de maio de 2013. Consultado em 23 de outubro de 2013. Arquivado do original em 30 de novembro de 2014 
  15. Susan Castillo "Postmodernism, Native American Literature, and the Real: The Silko-Erdrich Controversy" in Notes from the Periphery: Marginality in North American Literature and Culture New York: Peter Lang, 1995. 179-190.
  16. There are many studies of the trickster figure in Erdrich's novels: A recent study that makes the connection between Nanabozho and Nanpush is "The Trickster and World Maintenance: An Anishinaabe Reading of Louise Erdrich's Tracks" by Lawrence W. Gross [2] Arquivado em 23 de abril de 2008, no Wayback Machine.
  17. Lorena Laura Stookey, Louise Erdrich: A Critical Companion, Greenwood Publishing Group, 1999 ISBN 0-313-30612-5, ISBN 978-0-313-30612-9
  18. See, e.g., Powell's Books (book review), Christian Science Monitor, August 2, 2004
  19. a b «Our Story | Birchbark Books & Native Arts | Minneapolis, MN». Birchbarkbooks.com. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  20. «Louise Erdrich - John Simon Guggenheim Memorial Foundation». Gf.org. Consultado em 23 de outubro de 2013. Arquivado do original em 19 de agosto de 2014 
  21. «Bold Type: O. Henry Award Winners 1919-2000». Randomhouse.com. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  22. World Fantasy Convention (2010). «Award Winners and Nominees». Consultado em 4 de fevereiro de 2011 
  23. «Lifetime Achievement Awards from the Native Writers Circle of the Americas». Hanksville.org. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  24. [3] Arquivado em 13 de abril de 2015, no Wayback Machine.
  25. «Author Louise Erdrich rejects UND honor over 'Sioux' nickname | Minnesota Public Radio News». Minnesota.publicradio.org. 20 de abril de 2007. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  26. «Dartmouth 2009 Honorary Degree Recipient Louise Erdrich '76 (Doctor of Letters)». Dartmouth.edu. 7 de junho de 2010. Consultado em 23 de outubro de 2013. Arquivado do original em 19 de agosto de 2014 
  27. «Native American author Louise Erdrich '76 to give Dartmouth's 2009 Commencement address Sunday, June 14». Dartmouth.edu. 7 de junho de 2010. Consultado em 23 de outubro de 2013. Arquivado do original em 3 de dezembro de 2014 
  28. «Anisfield-Wolf Book Awards | The Plague of Doves». Anisfield-wolf.org. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  29. «Louise Erdrich, The Round House - National Book Award Fiction Winner, The National Book Foundation». Nationalbook.org. 24 de outubro de 2012. Consultado em 23 de outubro de 2013 
  30. «Dartmouth Alumna Louise Erdrich '76 Wins National Book Award | Dartmouth Now». Now.dartmouth.edu. 15 de novembro de 2012. Consultado em 23 de outubro de 2013. Arquivado do original em 19 de agosto de 2014 
  31. Lisa Cornwell (17 de agosto de 2014). «Writer Louise Erdrich wins Ohio peace prize». TwinCities.com. Associated Press. Consultado em 18 de agosto de 2014 
  32. Hillel Italie (9 de setembro de 2014). «Erdrich wins lifetime achievement literary prize». Nashoba Publishing. Associated Press. Consultado em 11 de setembro de 2014