Maschinengewehr 08
Maschinengewehr 08 1.jpg

MG 08 com mira óptica
Tipo metralhadora
Local de origem  Alemanha
História operacional
Em serviço 19081942
Histórico de produção
Criador Hiram Maxim
Data de criação 1908
Variantes sMG 08, leMG 08/15, LMG 08/15 e leMG 08/18
Especificações
Peso 62 kg
Calibre 7,92 mm Mauser
Cadência de tiro 400 tpm
Velocidade de saída 900 m/s
Alcance efetivo 4000 m
Sistema de suprimento fita de munições
Soldados alemães da Reichswehr com sua metralhadora MG08.

A MG 08 (Maschinengewehr 08 - Metralhadora 08) foi a metralhadora padrão do Exército Alemão, durante a Primeira Guerra Mundial. Sendo uma cópia quase idêntica da metralhadora inventada por Hiram Maxim em 1884, a MG 08 é também conhecida por Maxim Alemã ou Maxim MG 08. A MG 08 manteve-se ao serviço alemão até ao início da Segunda Guerra Mundial, só sendo definitivamente retirada em 1942.

A Machinengewehr 08, assim denominada por ter sido adoptada no ano de 1908, resultou de um aperfeiçoamento da MG01 produzida na Alemanha sob licença da Maxim. Podia atingir uma cadência de tiro de 400 tpm, usando cintas de tecido, cada uma com 250 munições de 7,92 mm. O fogo sustentado podia produzir-lhe um sobreaquecimento, que era minorizado através do arrefecimento a líquido, usando uma manga que envolvia o cano e que continha cerca de 4,5 litros de água.

O alcance prático da MG 08 situava-se entre os 2.200m e os 4.000m. A arma estava montada num tripé que era transportado em carros ou, em acção, aos ombros dos militares à maneira de uma maca.

A produção da arma antes da Primeira Guerra Mundial foi levada a cabo pela DWM em Berlim e pelo Arsenal do Estado em Spandau. Por isso a armas também são conhecidas por DWM MG 08 e Spandau MG 08. Quando a guerra começou em 1914, já estavam disponíveis nas unidades de combate, cerca de 12.000 MG 08, com 200 unidades produzidas por mês. À medida que a guerra avançava, a produção foi aumentada para 3.000 armas por mês em 1916 e 14.400 por mês em 1917.

Depois de desenvolvidas as suas variantes mais ligeiras, a MG 08 original, passou a ser designada sMG 08 (schwere Maschinengewehr 08 - Metralhadora pesada 08).

HistóricoEditar

Adoção e desenvolvimentoEditar

A Comissão Alemã de Rifles começou a disparar testes da arma Maxim em Zorndorf em 1889.[1] Em 1892, a empresa de Ludwig Loewe assinou um contrato de sete anos com Hiram Maxim para a produção da arma em Berlim.[1] A marinha imperial alemã encomendou armas Maxim de Loewe em 1894.[2] A Marinha os implantou nos conveses dos navios e para uso em guerra anfíbia.[2] Em 1896, Loewe fundou uma nova subsidiária, a Deutsche Waffen- und Munitionsfabriken (DWM), para lidar com a produção.[2] O acordo com a Maxim concluído em 1898 e a DWM recebeu ordens da Áustria-Hungria, Argentina, Suíça e Rússia.[2]

O Exército Imperial Alemão primeiro considerou usar a arma Maxim como arma de artilharia.[2] As tropas alemãs de infantaria leve Jäger começaram os testes com a arma em 1898.[2] O Corpo de Guardas, o Corpo XVI e o Corpo XVI fizeram mais experimentos em 1899.[3] Os testes produziram uma recomendação de destacamentos independentes de seis armas para marchar com a cavalaria, com as armas montadas em carruagens puxadas por cavalos.[4]

O Exército comprou as versões modificadas MG 99 e MG 01 da arma Maxim da DWM em quantidades limitadas.[4] O MG 99 introduziu o suporte de trenó que permaneceria padrão no MG 08.[4] O MG 01 adicionou rodas raiadas leves, possibilitando o empurrão e o puxão da arma.[4] O MG 01 também foi exportado para o Chile e a Bulgária.[4] Em 1903, o exército alemão tinha 11 destacamentos de metralhadoras servindo em divisões de cavalaria.[5]

As críticas ao MG 01 enfatizaram sua mobilidade e incapacidade limitadas para acompanhar a cavalaria.[5] O DWM e o Spandau Arsenal desenvolveram ainda mais o design, diminuindo o peso em 7,7 kg, adicionando um escudo de canhão destacável, uma opção para uma mira óptica e removendo as rodas.[6] O resultado foi o MG 08, que entrou em produção em Spandau em 1908.[7]

O exército alemão observou a eficácia da arma Maxim na guerra russo-japonesa de 1904 a 1905, muitas delas exportações alemãs.[5] Com a importância da metralhadora aparente, o Exército solicitou financiamento adicional ao Reichstag para aumentar o suprimento de metralhadoras.[6] Após críticas ao pedido dos deputados socialistas, a demanda do Exército por seis armas por regimento foi reduzida para seis armas por brigada em 1907.[6] O Projeto de Lei do Exército de 1912 finalmente deu ao Exército a exigência de seis armas por regimento.[6] Em 3 de agosto de 1914, logo após o início da Primeira Guerra Mundial, o Exército possuía 4.411 MG 08s, juntamente com 398 MG 01s, 18 MG 99s e dois MG 09s.[8]

Treinamento e usoEditar

O treinamento foi regulamentado pelo Regulamento de Serviço de Campo de 1908, fornecendo ao Exército alemão seis anos para treinar com as armas antes do início da Primeira Guerra Mundial.[9]

leMG 08/15Editar

Com o decorrer da Primeira Guerra Mundial, o Exército Alemão, começou a sentir falta de uma metralhadora ligeira que pudesse acompanhar as movimentações rápidas da Infantaria, do tipo das Lewis usadas pelos Britânicos e das Madsen usadas pelos Russos. A sMG 08 era demasiado pesada para isso. Foi então desenvolvida uma sua versão mais leve, a MG 08/15, introduzida em 1915, também designada leMG 08 (leicht MG 08/15 - MG 08/15 ligeira). Com apenas 18 kg, a leMG 08/15 era mais leve e manejável que a sMG 08. Dispunha de uma coronha, punho e bipé. Apesar disso, não conseguiu servir para os fins para que foi produzida, não tendo a necessária mobilidade no campo de batalha. Acabou por ser usada, essencialmente, para fins defensivos, nomeadamente como arma antiaérea.

Por curiosidade, a designação da MG 08/15 (em Alemão: null-acht-fünfzehn, ou seja: zero-oito-quinze) manteve-se na Língua Alemã como um termo popular para designar algo padronizado, ou seja, uma coisa sem nenhuma característica especial que a distinga das outras.

LMG 08/15 e leMG 08/18Editar

No outono de 1915 foi desenvolvida uma versão aeronáutica da leMG 08/15, arrefecida a ar e mais para ser usada num reparo fixo no aeroplano Focker Eindecker. Nesta versão foram eliminados a coronha, o punho e o bipé da leMG 08/15, sendo a sua manga perfurada de modo a que o ar pudesse circular à volta do cano, refrigerando-o. O desenho da leMG 08/15 arrefecida a ar falhava no facto da manga do cano ser demasiado perfurada, enfraquecendo a estrutura da arma que ficava, assim, sujeita a desfazer-se nos combates aéreos. A manga perfurada foi então aperfeiçoda de modo a tornar-se mais resistente. A partir daí foi desenvolvida uma verdadeira versão aeronútica refrigerada a ar, a LMG 08/15 (Luft MG 08/15 - MG 08/15 aérea), muito mais robusta e com uma caixa de culatra bastante mais leve.

Em 1918, entrou em produção uma versão terrestre arrefecida ar, mais móvel e pesando apenas 15 kg, denominada MG 08/18 ou leMG 08/18. Esta versão também foi desenvolvida para apoio directo da Infantaria, durante os seus avanços. Ou seja, deveria ser uma arma verdadeiramente ofensiva, e não apenas defensiva. No entanto, tal como a leMG 08/15 não se mostrou capaz de ser usada desse modo, continuando, como aquela a ser usada defensivamente, nomeadamente na cobertura da retirada alemã de 1918.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Bull 2016, p. 10.
  2. a b c d e f Bull 2016, p. 11.
  3. Bull 2016, pp. 11–12.
  4. a b c d e Bull 2016, p. 12.
  5. a b c Bull 2016, p. 13.
  6. a b c d Bull 2016, p. 14.
  7. Bull 2016, p. 15.
  8. Bull 2016, p. 28.
  9. Bull 2016, p. 44.

BibliografiaEditar

  • Bruce, Robert (1997). Machine Guns of World War I. [S.l.]: Windrow and Greene Ltd. ISBN 1-85915-078-0 
  • Bull, Stephen (2016). German Machine Guns of World War I: MG 08 and MG 08/15. Oxford: Osprey. ISBN 978 1 4728 1516 3 
  • Goldsmith, Dolf L. (1989). The Devil's Paintbrush: Sir Hiram Maxim's Gun. [S.l.]: Collector Grade Publications. ISBN 0-88935-282-8 
  • Woodman, Harry (1997). Spandau Guns, Windsock Mini-Datafile No.10. [S.l.]: Albatros Publications Ltd. ISBN 0-948414-90-1 

Ligações externasEditar

 
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