Maria Helena Vaquinhas de Carvalho

poetisa e escritora portuguesa

Maria Helena Vaquinhas de Carvalho (Lisboa, 29 de Março de 1906 - Lisboa, 1998)[1], também conhecida pelos pseudónimos Maria Helena e Maria Helena Duarte de Almeida,[2] foi uma poetisa portuguesa, com obras publicadas em Portugal e no Brasil.

Maria Helena Vaquinhas de Carvalho
Maria Helena Vaquinhas de Carvalho
Nascimento 29 de março de 1906
Lisboa
Morte 1998 (91–92 anos)
Lisboa
Cidadania Portugal
Ocupação escritora, poetisa

Era filha de David José de Carvalho e de Hortensia Vaquinhas de Carvalho.[3] Avós paternos :António José de Carvalho e Amélia Augusta de Carvalho. Avós maternos: Francisco Rodrigues Vaquinhas e Francisca Lopes Vaquinhas. Gémea de Maria Fernanda Vaquinhas de Carvalho Varela Cid, sua única irmã, falecida em 1950.

Viveu em Lisboa e em Itália, entre Milão e Roma, durante determinado período do seu casamento com Fingard Duarte d’Almeida, de quem teve o seu único filho, Nuno António Vaquinhas de Carvalho Duarte de Almeida. Durante o casamento e antes do divórcio, publicou sob o nome de Maria Helena Duarte de Almeida (Maria Helena).

Contemporânea de José Régio, Miguel Torga e António Botto, entre tantos outros, Maria Helena nunca integrou grupos ou escolas, antes revelou ao longo da sua vasta obra poética uma personalidade autónoma, de tom predominantemente lírico e subjectivista. Os seus sonetos e poemas traduzem a permanente tensão entre céu e terra, a ascese e o amor, o verbo e a carne, feita numa leitura claramente feminina e isolada, tal como a de Florbela Espanca.

Os temas eternos da poesia encontram na sua obra, a par de uma pureza marcadamente rítmica e algo romântica, uma pujança traduzida confessionalmente no permanente diálogo entre o absoluto e o temporal, no conflito interior entre a caminhada para o Alto e os anseios de realização física, na contradição que torna impossível a paz entre a alma e os sentidos.

Toda a poesia de Maria Helena é escrita num estilo íntimo de grande expressão emotiva e exuberante vivência lírica

Dela escreveu Teixeira de Pascoais. “Que dizer dos poemas de Para além da vida? Que são a única obra poética dramática depois, no tempo, dos sonetos de Antero”. E Júlio Dantas sobre o conjunto da sua obra:: “ Ousadia excessiva na sua poesia admirável? Talvez alguém o suponha ou diga. Eu confesso-lhe que nesse esplendor de nudez de uma alma - no que faz pensar numa antologia dos assombrosos poetas gregos da decadência! - eu não vi senão candura, candura infantil, resplandecente e heróica. Só candura? Não! Alguma coisa mais. Génio.”

Na colectânea coordenada e editada por Aníbal Nobre, "Poetas Imortais", Porto de Mós, 2015, 6 vols, Maria Helena é referida a pp. 55-68 do vol.I como "uma genial Poetisa e uma Poetisa verdadeiramente imortal." No Brasil, Manuel Bandeira reconhece que a poesia de Maria Helena “ não precisa de chancela de ninguém” e J G Araujo Jorge considera Maria Helena “não apenas como uma grande poetisa portuguesa, mas da mais alta expressão de lirismo português dos nossos dias.”

Obra publicada editar

  • Amanhecer, Portugália, Lisboa, 1925[4]
  • O palhaço francês (infantil), Lisboa, 1927,[4] Biblioteca dos Pequeninos,nº7, ed. da Empresa Diário de Notícias, com ilustrações de Eduardo Malta
  • Ascensionais (Sonetos e Poemas), Lisboa, 1946, Portugália Editora[5][4]
  • Via Láctea, poemas. Edição da Imprensa Portuguesa 1948[4]
  • Presença (Poesia), Porto, 1949, Imprensa Portuguesa
  • Da luz que vem do alto, (Poemas), Lisboa, 1950, Imprensa Portuguesa - premiado em Siracusa
  • Para além da vida, Lisboa, 1951, Imprensa Portuguesa - Porto
  • Poemas sem sentido, Lisboa, 1952, Imprensa Portuguesa
  • Cântico da carne , Lisboa, 1953, Imprensa Portuguesa
  • À eterna luz dos infinitos sóis (Poesias), Lisboa, 1954
  • Poemas, Lisboa, 1956
  • …E a carne se fez verbo!, Lisboa,1957
  • Concerto a quatro mãos (com J.G. de Araujo Jorge) Editora Vecchi, Rio de Janeiro, 1959
  • Alguns nocturnos para as minhas mãos cansadas, Lisboa, 1960, Imprensa Portuguesa, com desenhos de Álvaro Duarte de Almeida
  • De mãos dadas ( (com J.G. de Araujo Jorge) Editora Vecchi, Rio de Janeiro, 1962
  • Ciclo das múltiplas sensações (colectânea de sonetos), Brasil, 1968, Editora Quipapá
  • Tempo de ser quase manhã (Poemas) Rio de Janeiro, Editora Itacolomy
  • Ciclo das múltiplas sensações (Coroa de sonetos), Rio de Janeiro,1968, Editora Quipapá


Continuam inéditas as suas seguintes obras de poesia:

  • Poemas sem sentido (2º volume)
  • Poemas da vida e da morte I
  • Poemas da vida II
  • Poemas da morte …
  • E depois o menino ( infantil )
  • Os passos e o caminho
  • O sermão da planície
  • Nós, o cais e a distância…
  • Stanchezza ( em italiano)
  • Hauteur ( em francês )
  • Lejos ( em espanhol )

Em prosa publicou:

  • Conto Agreste (Prémio S.N.I.)
  • A visita de D.Pedro II a Portugal (conferência)
  • Música Russa (conferência)
  • D. Manuel II, o grande infortunado (conferência)
  • Sousa Costa - O escritor e a obra (conferência)
  • Teatro: Joaninha (de colaboração com Laura Chaves e Paulo Freire)
  • Ego te absolvo

Referências

  1. «ALMEIDA, Maria Helena Vaquinhas de Carvalho e Duarte de. 1906-1998, poetisa». Arquivo Municipal Alfredo Pimenta - archeevo.amap.pt. Consultado em 8 de janeiro de 2022 
  2. Andrade, Adriano da Guerra (1999). Dicionário de pseudónimos e iniciais de escritores portugueses 1a ed ed. Lisboa: Biblioteca Nacional. p. 187. OCLC 44614648 
  3. Fernandes, Aparício (1972). Trovadores do Brasil, Volume 2. [S.l.]: Editôra Minerva. p. 266 
  4. a b c d Oliveira, Américo Lopes (1983). Escritoras brasileiras, galegas e portuguesas. [S.l.]: Tip. Silva Pereira. p. 118 
  5. Via láctea (Poemas), Porto, 1948, Imprensa Portuguesa