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Mariana Claudina Barroso Pereira de Carvalho, a Condessa do Rio Novo (Três Rios, 1816 - Londres, 5 de junho de 1882) foi uma fazendeira brasileira. Ela recebeu o título de condessa após enviuvar-se de José Antônio Barroso de Carvalho, primeiro barão e visconde do Rio Novo.[1]

Considerada uma das fundadoras da cidade de Três Rios, interior do estado do Rio de Janeiro, ela é tida como ícone no município por ter distribuído, antes de morrer, seus bens e terras a mais de 300 escravos que tinha, que também ganharam alforria seis anos antes da Lei Áurea[2].

BenfeitoriasEditar

  • À Mariana é atribuída a criação da primeira reserva ecológica da região, no distrito de Bemposta, numa área em que ela proibiu a plantação de café.
  • O Hospital Nossa Senhora da Piedade, de Paraíba do Sul, que presta assistencialismo de asilo, educandário e hospitalar, nasceu da vontade deixada por testamento da Condessa.

Morte e SepultamentoEditar

Mariana veio a falecer em 1882, aos 66 anos, vitimada por um câncer. Segundo documentos e cartas, em 1877, a condessa descobriu um tumor no ovário e, em 1882, partiu para a Inglaterra para se tratar. Ela viajou acompanhada de uma escrava e do médico Randolpho Penna, casado com uma sobrinha dela.

Em 3 de junho de 1882, ela chegou a Londres. Ali seria atendida pelo médico Thomas Spencer Wells (1818-1897), obstetra e pioneiro em cirurgias abdominais. O procedimento foi marcado para o dia 5. Cartas arquivadas no Itamaraty contam que a condessa morreu às 18h do mesmo dia, por exaustão, ao não conseguir se recuperar da cirurgia, conforme atestou o então cônsul-geral do Brasil em Londres, José Luiz Cardoso de Salles.[3]

Em seu testamento, ela doou seus bens, e terras, e libertou seus escravos. No documento, Mariana manifestou ainda o desejo de ser enterrada em sua terra natal, junto aos pais e ao marido.

SepultamentoEditar

Segundo a história contada na cidade, o corpo foi trazido para a Capela Nossa Senhora da Piedade, no bairro Cantagalo, anos depois[4].

Na segunda metade da década de 2010, porém, a pesquisadora Cinara Jorge descobriu que seu corpo pode estar sepultado nas catacumbas de um cemitério na capital britânica[4].

Ela chegou a essa conclusão ao colher informações para o livro ‘Pioneiros dos Três Rios - A Condessa do Rio Novo e sua Gente’, de sua autoria, a pesquisadora descobriu, ao ler uma notícia do jornal “Novidades”, datada do Século 19, que, no momento do sepultamento, o caixão foi aberto e, para a surpresa de familiares, foram encontrados apenas alguns ossos envolvidos em serragem, sem a arcada dentária e cabelos, o que levantou suspeitas de possível fraude[4].

Sua busca para desvendar o mistério começou por analisar registros históricos guardados no Arquivo Nacional, no Museu da Justiça, na Biblioteca Nacional, no Itamaraty e no Consulado do Brasil, em Londres[4].

O mistério aumenta já que, na época, esqueletos como o enviado para Três Rios, em 1882, eram estudados em laboratórios e somente médicos tinham acesso. Porém, segundo a pesquisadora, ao se analisar documentos históricos, estes levantam suspeitas sobre a conduta e personalidade do médico Randolpho Penna, revelando que ele preencheu cheques assinados pela Condessa e deu calote no aluguel em Londres[4].

Referências

  1. g1.globo.com/ Condessa do Rio Novo pode não estar sepultada em Três Rios, RJ
  2. odia.ig.com.br/ Restos mortais da maior heroína de Três Rios podem não estar na cidade
  3. BBC A misteriosa história da condessa brasileira que tem dois túmulos
  4. a b c d e odia.ig.com.br/ Restos mortais da maior heroína de Três Rios podem não estar na cidade