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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Moáuia.
Moáuia ibne Hixam
Nascimento fl. 725
Morte 737
Nacionalidade Califado Omíada
Etnia Árabe
Progenitores Pai: Hixam ibne Abdal Malique
Filho(s) Abderramão I
Ocupação Príncipe e general
Principais trabalhos Guerras bizantino-árabes
Religião Islão
Causa da morte Queda de cavalo

Moáuia ibne Hixam,[1] Hixeme[2] ou Híxem[3] (Mu'awiya ibn Hisham - lit. "Moáuia, filho de Hixam"; fl. 725 — m. 737) foi um príncipe e general árabe omíada, filho do califa Hixam ibne Abdal Malique (r. 723–743). É célebre sobretudo pelo seu papel nas guerras bizantino-árabes, nas quais comandou várias invasões de territórios do Império Bizantino na Ásia Menor.

VidaEditar

Pouco se sabe de Moáuia além de algumas campanhas militares. A primeira expedição sua de que há registo ocorreu no verão de 725. Foi levada a cabo em conjunto com um ataque naval de Maimum ibne Miram contra o Chipre. Segundo as fontes árabes, o exército de Moáuia chegou pelo menos até Dorileia (atual Esquiceir), no noroeste da Anatólia Central, e no seu decurso foram capturados muitos prisioneiros e saqueados várias fortalezas. Há também registo de uma expedição em 726, possivelmente no inverno.[4][5]

Em 727 comandou outra expedição, juntamente com Abdallah al-Battal. Battal começou por tomar e arrasar Gangra (atual Çankırı) e depois, juntamente com Moáuia, tomou a fortaleza de Ateus, avançando posteriormente para Niceia (atual İznik). Apesar do cerco de 40 dias a essa cidade, as tropas árabes não lograram conquistar a cidade.[4][5] Em 728 Moáuia liderou uma expedição no sul da Ásia Menor, ao mesmo tempo que o seu irmão Saide ibne Hixam comandou uma expedição ao norte. Nenhum dos irmãos parece ter tido grande êxito.[6]

As fontes muçulmanas atribuem a Moáuia a captura da fortaleza de Carsiano, na Capadócia, em setembro ou outubro de 730, mas as crónicas bizantinas de Teófanes, o Confessor referem que isso teria sido da responsabilidade do tio de Moáuia, Maslama ibne Abdal Malique. No ano seguinte, as suas tropas foram incapazes de penetrar a fronteira, e uma segunda expedição, comandada por al-Battal sofreu uma pesada derrota. Em 732, Moáuia logrou chegar com as suas tropas até Acroino.[7]

Em 733 comandou uma expedição na Paflagónia, que se repetiu anualmente durante alguns anos seguintes. Estas incursões penetraram profundamente no interior da Ásia Menor em busca de saque. Uma delas chegou até Sardes, mas aparentemente não foram capturadas quaisquer cidades ou fortalezas.[8] No verão de 737, Moáuia comandou novamente uma expedição no sul, mas segundo Teófanes morreu devido a ter caído do seu cavalo durante uma caçada.[5] [9]

O filho de Moáuia com uma concubina berbere, Abderramão (731–788), escapou da Revolução Abássida fugindo ao Alandalus (Península Ibérica), onde reinou como Abderramão I (r. 756–788) e fundou o Emirado de Córdova.[10]

Notas e referênciasEditar

  1. Franca 1994, p. 105.
  2. Domingues 1997, p. 170.
  3. Alves 2014, p. 564.
  4. a b Blankinship 1994, p. 120.
  5. a b c Lilie 1998, p. 321.
  6. Blankinship 1994, p. 168
  7. Blankinship 1994, p. 162.
  8. Blankinship 1994, p. 168.
  9. Blankinship 1994, p. 169.
  10. Taha 1998, p. 234.

BibliografiaEditar

  • Alves, Adalberto (2014). Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa. Lisboa: Leya. ISBN 9722721798 
  • Blankinship, Khalid Yahya (1994). The end of the jihâd state: the reign of Hisham ibn ‘Abd al-Malik and the collapse of the Umayyads (em inglês). Albany, Nova Iorque: State University of New York Press. ISBN 0-7914-1827-8 
  • Domingues, José D. García (1997). Portugal e o Al-Andalus. Lisboa: Hugin. ISBN 9728310471 
  • Franca, Rubem (1994). Arabismos: uma mini-enciclopédia do mundo árabe. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife 
  • Lilie, Ralph-Johannes; Ludwig, Claudia; Zielke, Beate et al. (2013). Prosopographie der mittelbyzantinischen Zeit Online. Berlim-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften: Nach Vorarbeiten F. Winkelmanns erstellt 
  • Taha, ‘Abd al-Wahid (1998). The Muslim conquest and settlement of North Africa and Spain. Londres: Routledge. ISBN 978-0-415004749