Mosteiro de São Julião de Samos

O Mosteiro de São Julião de Samos é um mosteiro medieval situado no concelho do mesmo nome, na província de Lugo, Galiza. Pertencente à ordem dos beneditinos, foi fundado no século VI segundo a tradição por Martinho de Dume, chegando a ser um dos de maior importância da Galiza.

Fachada
Mosteiro de São Julião de Samos
Claustro do mosteiro
Mosteiro de São Julião de Samos
"A Inmaculada" de Francisco de Moure. Igreja do mosteiro.

HistóriaEditar

A fundação é atribuída a S. Martinho de Dume. Sabe-se que foi renovado por São Frutuoso no século VII, mas o primeiro escrito que o menciona é de 665: uma inscrição nos muros do claustro da portaria que diz que foi reconstruído pelo bispo de Lugo Ermefredo. Depois desta restauração foi abandonado com a invasão muçulmana, até a reconquista do rei Fruela I das Astúrias, por volta de 760. Quando, anos mais tarde, este foi assassinado, nele encontraram refúgio sua viúva e seu filho, o futuro Afonso II, o Casto. Ganhou com isto a proteção real, começando pelas propriedades em média milha ao redor, que propiciaria seu crescimento. Em princípios do século X, o bispo de Lugo, Dom Ero, tentou ficar com o seu controlo e expulsou os monges. No mesmo século foi reocupado a pedido do rei Ordonho II e desde 960 a comunidade viveu sob a regra de São Bento, embora no século XII se somasse à reforma cluniacense com o bispo Dom João.

O mosteiro de Samos desfrutou de grande importância durante a Idade Média, o que se reflete em que possuía duzentas vilas e quinhentos lugares. Em 1558, incorporado já a San Benito El Real de Valladolid, sofreu um incêndio que obrigou à sua total reedificação. A comunidade foi exclaustrada em 1835, embora os monges beneditinos regressassem em 1880. Sofreu outro incêndio em 1951, após o qual foi reconstruído.

Descrição.Editar

Nele encontram-se três estilos arquitetônicos, o tardo-gótico, o renascentista e o barroco.

A igrejaEditar

A igreja, barroca, foi construída entre 1734 e 1748. Tem planta de cruz latina e três naves. O interior é luminoso e solene. A abóbada está iluminada por oito óculos e as pinturas dos quatro doutores marianos beneditinos (Anselmo, Bernardo, Ildefonso e Ruperto). O retábulo maior também é classicista e tem uma imagem do padroeiro do mosteiro, São Julião, obra de Xosé Ferreiro. A fachada, barroca, vai precedida de uma escadaria em forma de laço que recorda a do Obradoiro. Está dividida em dois corpos, com uma porta ladeada por quatro colunas de ordem dórica sobre pedestais, que se repetem no corpo superior ladeando o óculo. A sacristia, de finais do XVIII, consiste numa abóbada de planta octogonal apoiada em arcos de volta perfeita. A biblioteca, de 31 m. de longo, conta com um fundo de 25 000 volumes.

Os claustrosEditar

Conta com dois claustros. O Claustro Grande foi construído entre 1685 e 1689 e tem 3000m2 (54 m. de lado), pelo qual é o maior da Espanha. Conhece-se como "do padre Feijoo", por ter tomado este o hábito beneditino neste mosteiro em 1690, estando presidido por uma estátua sua, obra de Francisco Asorey. O estilo é uma combinação austera e simples de classicismo e herrerianismo: nove arcos de volta perfeita por cada lado no piso térreo, colunas dóricas nos dous primeiros andares e jônicas nos vitrais do terceiro. Os muros do andar superior foram decorados com cenas da vida de São Bento e são obra de Enrique Navarro, Célia Cortês e Xosé Luís Rodríguez.

O Claustro Pequeno ou "das Nereidas" foi construído entre 1539 e 1582 pelo monfortino Pedro Rodríguez, cujo nome aparece numa das chaves da banda Sudoeste. Imita o estilo gótico e conta com curiosos motivos de decoração, como a inscrição jocosa "O que olhas, bobo?" numa chave. O centro do claustro ocupa-o da fonte barroca das Nereidas, de começos do XVIII.

O mosteiro foi colégio de Teologia e Filosofia e é parada importante do Caminho de Santiago, já que conta com uma hospedaria.

Ver tambémEditar

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Mosteiro de São Julião de Samos

BibliografiaEditar

  • ANDRADE CERNADAS, J.M. (1992). El monasterio de Samos y la hospitalidad benedictina con el peregrino (s. XI-XIII). El Camino de Santiago: la hospitalidad monástica y las peregrinaciones, Valladolid. [S.l.: s.n.] 
  • ARIAS, P. (1941). El R.P. Fr. Juan Vázquez, arquitecto de la magnífica iglesia de Samos. Boletín de la Comisión Provincial de Monumentos Histórico Artísticos de Lugo, I. [S.l.: s.n.] 
  • ARIAS, P. (1943). El monasterio de la Peña y el abad Virila en la restauración de Samos. Boletín de la Comisión Provincial de Monumentos Histórico Artísticos de Lugo, I. [S.l.: s.n.] 
  • ARIAS CUENLLAS, M. (1957). El monasterio de Samos». Galicia emigrante, 26. [S.l.: s.n.] 
  • ARIAS CUENLLAS, M. (1992). Hª del monasterio de San Julián de Samos. [S.l.: s.n.] 
  • BONET CORREA, A. (1966). La arquitectura en Galicia durante el siglo XVII. Madrid. [S.l.: s.n.] 
  • CABANILLAS, R. (1995). Samos. Santiago. [S.l.: s.n.] 
  • DURAN, M. (1947). La Real Abadía de San Julián de Samos: estudio histórico-arqueológico. Madrid. [S.l.: s.n.] 
  • GARCIA CONDE, A. (1948). El obispo lucense Ermenfredo y la restauración de Samos. Boletín de la Comisión Provincial de Monumentos Histórico Artísticos de Lugo, III. [S.l.: s.n.] 
  • GONZALEZ, V. (1994). Samos y Lugo en la historia del monasterio. Lucensia, 8. [S.l.: s.n.] 
  • GONZALEZ VAZQUEZ, M. (1991). El dominio del monasterio de San Julián de Samos en el s. XIV (1325-1380). Cuadernos de Estudios Gallegos, XXXIX. [S.l.: s.n.] 
  • PORTILLA, P. DE LA (1978). Monasterio de Samos: guía histórico-artística. Lugo. [S.l.: s.n.] 
  • PORTILLA, P. DE LA (1984). El monasterio de Samos. Madrid. [S.l.: s.n.] 
  • PORTILLA, P. DE LA (1993). San Julián de Samos: monasterio benedictino. León. [S.l.: s.n.]