Nasceu, nasceu, pastores

Uma canção de Natal portuguesa de origem espanhola.

"Nasceu, nasceu, pastores" ou, em castelhano, "Nació, nació, pastores" é um vilancico de Natal de origem espanhola que se popularizou em Portugal.

HistóriaEditar

 
Rizi: Adoração dos pastores (1668) no Museu do Prado.

A origem espanhola desta vilancico de Natal é referida em 1906 pelo autor português António C. de Menezes na sua obra chamada Melodias de Sala. Nesta, Menezes inclui uma adaptação lusa, com letra da autoria do padre Joaquim Dias Silvares e acrescenta ainda que "Nasceu, nasceu, pastores" ter-se-ia tornado popular em Portugal por volta de 1876.[1]

Segundo o musicólogo português Mário de Sampayo Ribeiro, que recolheu uma outra adaptação portuguesa proveniente da freguesia de Linhares no concelho de Celorico da Beira, a música foi composta entre os anos de 1700 e 1725.[2]

Em Espanha, "Nació, nació, pastores" é bastante conhecido na harmonização de Amadeu Vives i Roig, um célebre compositor catalão.[3] Em Portugal, embora tenha sido harmonizada por Mário de Sampayo Ribeiro[4], a fama que conquistou deve-se, em grande parte, à versão de 1988 de César Batalha para o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras[5], também intérpretes do clássico natalício "A todos um Bom Natal".

LetraEditar

 
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Partitura de Nasceu, nasceu, pastores (1906).

O tema da letra deste vilancico é a adoração dos pastores.

A letra com que se canta em português é em parte uma tradução da versão castelhana:

Versão de
Joaquim Dias Silvares
Versão original
em castelhano

Nasceu, nasceu, pastores,
Jesus, o suspirado!
Com passo apressurado
Corramos a Belém!
Voemos à lapinha,
A ver o Rei divino,
Que um Deus, o Deus Menino,
Do Céu salvar-nos vem!

¡Nació, nació, pastores,
Jesús el Niño hermoso!
¡Con paso presuroso
Vayamos le a adorar!
¡Mirad aquel establo,
Mirad aquellas pajas,
Son estas las alhajas,
De quien nos quiso amar!

Olhai-lhe os lindos olhos,
Estrelas rutilantes.
Mais claros que diamantes,
Mais vivos que os rubins!
Mirai-lhe o lindo rosto,
Que excede na candura
Dos jaspes a brancura,
A neve dos jasmins![1]

Mirad aquellos ojos,
Estrellas son radiantes.
¡Y vence los brillantes,
Del rostro el resplandor!
¡Los labios le sonríen
Cual flor de primavera
Que alegra la pradera
Con su galano olor![6]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Menezes, P. A. (1906). Melodias de Sala 1 ed. Braga: Pap. Universal e Tipografia a Vapor 
  2. Ribeiro, Mário de Sampayo (1939). «Música do Natal português». Lisboa. Ocidente. 6 e 7 
  3. Escuela Experimental de Música (2014). «Nació, nació pastores» (pdf) (em espanhol). Consultado em 14 de setembro de 2015 
  4. Coro Polyphonia Schola Cantorum. «Harmonização de Mário Sampaio Ribeiro». Consultado em 10 de setembro de 2015. Arquivado do original em 4 de maio de 2016 
  5. Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras. «Repertório» 
  6. Cantoral de Palat de Rey (pdf). Con licencia eclesiástica (em espanhol). 2 1 ed. León: Arfiro. 1937. p. 14. 16 páginas