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Como ler uma infocaixa de taxonomiaNeotyphodium coenophialum
Neotyphodium coenophialum.jpg
Classificação científica
Reino: Fungi
Filo: Ascomycota
Classe: Sordariomycetes
Ordem: Hypocreales
Família: Clavicipitaceae
Género: Neotyphodium
Espécie: N. coenophialum
Nome binomial
Neotyphodium coenophialum
(Morgan-Jones & W. Gams) Glenn, C.W. Bacon & Hanlin
Sinónimos

Neotyphodium coenophialum é um simbionte (endófito) sistémico e transmissível por semente de Festuca arundinacea (festuca-alta), uma erva endémica da Eurásia e Norte de África, mas largamente naturalizada na América do Norte, Austrália e Nova Zelândia.

Este endófito foi identificado como a causa da síndrome de toxicose da festuca que por vezes afecta o gado que pasta em ervas infectadas por N. coenophialum. Entre os sintomas possíveis incluem-se reduzido aumento de peso, temperatura corporal elevada, fertilidade reduzida, agalactia, pelagem áspera, necrose gordurosa, coxear ou gangrena seca das patas. Devido à sua semelhança com os sintomas de ergotismo em humanos, pensa-se que os agentes provavelmente responsáveis pela toxicose da festuca sejam os alcaloides ergotínicos, sobretudo a ergovalina produzida por N. coenophialum.[1]

A continuada popularidade da festuca-alta com este endófito, apesar da toxicose episódica do gado, é atribuível à produtividade e tolerância desta planta em pastagens e campos de feno. O endófito produz dois tipos de alcaloides, os alcaloides lolínicos e a pirrolopirazina peramina, um insecticida e um dissuasor de insectos, respectivamente, e a presença do fungo aumenta a tolerância à seca, a utilização do nitrogénio, a aquisição de fosfato, e a resistência aos nemátodes.[2][3] Recentemente, estirpes naturais de N. coenophialum, com pouca ou nenhuma produção de alcaloides ergotínicos, foram introduzidas na festuca-alta para desenvolvimento de novos cultivares. Aparentemente estas estirpes não são tóxicas para o gado,[4] e também fornecem alguns, mas não necessariamente todos, benefícios atribuíveis às estirpes "tóxicas comuns" nos cultivares de festuca-alta mais antigos.[3][4]

A análise filogenética molecular indica que N. coenophialum é um híbrido interespecífico com três ancestrais: Epichloë festucae, Epichloë typhina e uma espécies não descrita ou extinta de Neotyphodium que também contribuiu um genoma para o endófito híbrido Neotyphodium occultans, entre outros.[5][6]

Referências

  1. Lyons PC, Plattner RD, Bacon CW. (1986). «Occurrence of peptide and clavine ergot alkaloids in tall fescue grass». Science. 232: 487–489. PMID 3008328. doi:10.1126/science.3008328 
  2. Malinowski DP, Belesky DP (2000). «Adaptations of endophyte-infected cool-season grasses to environmental stresses: Mechanisms of drought and mineral stress tolerance». Crop Sci. 40: 923–940 
  3. a b Timper P, Gates RN, Bouton JH. (2005). «Response of Pratylenchus spp. in tall fescue infected with different strains of the fungal endophyte Neotyphodium coenophialum». Nematology. 7: 105–110. doi:10.1163/1568541054192216 
  4. a b Parish JA, McCann MA, Watson RH, Paiva NN, Hoveland CS, Parks AH, Upchurch BL, Hill NS, Bouton JH. (2003). «Use of nonergot alkaloid-producing endophytes for alleviating tall fescue toxicosis in stocker cattle». J Animal Sci. 81: 2856–2868 
  5. Tsai HF, Liu JS, Staben C, Christensen MJ, Latch GC, Siegel MR, Schardl CL. (1994). «Evolutionary diversification of fungal endophytes of tall fescue grass by hybridization with Epichloë species». Proceedings of the National Acadademy of Sciences USA. 91: 2542–2546. PMID 8172623. doi:10.1073/pnas.91.7.2542 
  6. Moon CD, Craven KD, Leuchtmann A, Clement SL, Schardl CL. (2004). «Prevalence of interspecific hybrids amongst asexual fungal endophytes of grasses». Molecular Ecology. 13: 1455–1467. PMID 15140090. doi:10.1111/j.1365-294X.2004.02138.x