Vírus do Nilo Ocidental

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Vírus do Nilo Ocidental
Vírus do Nilo Ocidental
Classificação científica
Reino: Virus
Família: Flaviviridae
Género: Flavivirus
Espécie: Vírus do Nilo Ocidental

O vírus do Nilo Ocidental é um vírus ARN de fita simples que causa a febre do Nilo Ocidental. É membro da família Flaviviridae, mais especificamente do género Flavivirus, que também inclui o vírus zica, vírus da dengue e vírus da febre amarela. O vírus do Nilo Ocidental é geralmente transmitido pela picada de mosquitos do género Culex. O principal reservatório natural do vírus são aves.[1]

VirologiaEditar

Este vírus pertence à família dos flavivírus, e o seu genoma é de RNA simples de sentido positivo (pode ser usado diretamente como mRNA para a síntese proteica). Produz cerca de 10 proteínas, sendo sete constituintes do seu capsídeo, e é envolvido por envelope bilipídico. Multiplica-se no citoplasma e os vírions descendentes invaginam para o retículo endoplasmático da célula-hóspede, a partir do qual são expelidos por exocitose. Tem cerca de 50 nanómetros de diâmetro. Infecta principalmente os macrófagos.

TransmissãoEditar

A propagação do vírus do Nilo Ociental é feita através de duas formas:[2]

  • Mosquitos infectados: Na maioria dos casos, o vírus do Nilo Ocidental é transmitido através da picada de um mosquito infectado. Os mosquitos são vetores do vírus, que infectaram-se ao picar pássaros com a doença. Os mosquitos infectados podem então transmitir o vírus a humanos e a outros animais que venham a picar.
  • Transfusões, transplantes e de mãe para filho: Em pouquíssimos casos, o vírus do Nilo Ocidental pode também se propagar através de transfusões de sangue, transplante de órgãos, amamentação e até mesmo durante a gravidez de mãe para filho.

O vírus não se propaga através do contato casual, como tocar ou beijar uma pessoa portadora do vírus.

EpidemiologiaEditar

 
Fêmea de mosquito Culex após sugar sangue humano

É transmitido por mosquitos do género Culex, em climas ou estações quentes. Existe endemicamente em África, incluindo Uganda, onde nasce o rio Nilo e Ásia tropical ou mediterrânica. Nos EUA o vírus surgiu em 1999, e vem provocando diversas mortes, especialmente no verão quente da cidade de Nova Iorque. Os especialistas acreditam que o Vírus do Nilo Ocidental é estabelecido como uma epidemia sazonal na América do Norte que irrompe no verão e continua até o outono.[2] Em Portugal, surgiu pela primeira vez no Algarve, no ano de 2004. Não se sabe ainda se o vírus conseguiu estabelecer-se com sucesso nessa região do sul de Portugal, mas, ainda que não tenha, é possível que o faça no futuro. No Brasil o primeiro caso foi confirmado em dezembro de 2014, em um agricultor do interior do Piauí.[3] Já o segundo caso, também no Piauí, foi confirmado em fevereiro de 2019, em uma mulher que foi internada no Hospital Universitário de Teresina em 2018, recebendo alta sem sequelas. [4]

pássaros que servem de reservatório para o vírus e são especialmente importantes para a sua sobrevivência em climas com invernos frios sem mosquitos (como o de Nova Iorque e mesmo do Algarve). Os humanos não têm viremia suficientemente prolongada para servirem de reservatório significativo e são sempre infectados por pássaros, via mosquito mediador.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Mackenzie, John S; Gubler, Duane J; Petersen, Lyle R (2004). «Emerging flaviviruses: the spread and resurgence of Japanese encephalitis, West Nile and dengue viruses». Nature Medicine. 10 (12s): S98–S109. PMID 15577938. doi:10.1038/nm1144 
  2. a b Centers for Disease Control and Prevention (26 de agosto de 2004). "Folha informativa do CDC" (PDF) . Domínio Público. Acessado em 13h26min de 26 de Outubro de 2008 (UTC).
  3. «primeiro caso de febre do nilo ocidental.». 9 de dezembro de 2014 
  4. «Secretaria de Saúde confirma 2º caso de Febre do Nilo no Piauí e faz alerta.». 8 de fevereiro de 2019 

Ligações externasEditar