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Abrigo de pastor em pedra solta; Marrocos, 2003.

Chamam-se de pedra solta muros e paredes eretos a custo de simples justaposição de pedras mais ou menos trabalhadas, sustidas por simples gravidade e encaixe trivial. É uma das mais primitivas técnicas de construção, espalhada por todo o mundo e ainda em uso, contando numerosas variações, sincrónicas e diacrónicas, variando localmente com as disponibilidades de matéria prima, necessidades arquitetónicas, e recustos tecnológico-culturais.[1]

Importância culturalEditar

Conhecimentos e técnicas da arte de construir muros em pedra solta
 
Restauro de muro em pedra solta
País(es)   Chipre
  Croácia
  Eslovênia
  Espanha
  França
  Grécia
  Itália
  Suíça
Domínios Conhecimentos e usos relacionados com a natureza e o universo
Técnicas artesanais tradicionais
Tradições e expressões orais
Referência 01393
Região Europa e América do Norte
Inscrição 2018 (13.ª sessão)
Lista Lista Representativa
   

A arte de construir paredes em pedra solta inclui o conhecimento e práticas sobre a sua realização com um mero empilhamento de pedras sem o uso de outros materiais de construção, exceto terra também solta, em algumas ocasiões. Estes muros estão espalhados dentro e fora das áreas habitadas na maioria das regiões rurais, principalmente em terrenos íngremes, embora também possam ser encontrados em algumas regiões urbanas. A estabilidade estrutural destes muros é obtida graças a uma seleção e posicionamento extremamente cuidadosos das pedras que os formam. Com estas paredes, diversos tipos de habitats humanos foram criados, assim como estruturas para agricultura e pecuária, que configuraram paisagens muito numerosas e variadas. Estas construções são um testemunho dos métodos e práticas usadas pelas populações desde a pré-história até aos tempos modernos, com o intuito de organizar os seus espaços de vida e trabalho aproveitando ao máximo os recursos naturais e humanos locais. As paredes de pedra solta desempenham um papel essencial na prevenção de deslizamentos, inundações e avalanches, no combate à erosão e desertificação da terra, na melhoria da biodiversidade e na criação de condições microclimáticas favoráveis ​​à agricultura. Os depositários e praticantes desse elemento do património cultural são as comunidades rurais nas quais ele está profundamente enraizado, assim como os profissionais do setor da construção. As estruturas de pedra solta são sempre feitas em perfeita harmonia com o ambiente e as técnicas utilizadas são um exemplo de uma relação equilibrada entre o ser humano e a natureza. A transmissão desta arte de construção é realizada principalmente através de práticas adaptadas às condições específicas de cada local. [2]

Em 2018, os conhecimentos e técnicas da arte de construir muros em pedra solta foram integrados pela UNESCO na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, numa proposta apresentada por 8 países europeus.[2]

BibliografiaEditar

  • Construire et restaurer à pierre sèche (ss la dir. de Christian Lassure), L'architecture vernaculaire (CERAV, Paris), tome XX (1996), 129 p. (em francês)
  • Louis Cagin, Laetitia Nicolas, Construire en pierre sèche, Paris, éditions Eyrolles, 2008 (em francês)
  • Murs de pierres, murs de vignes (ss la dir. d'Anne-Dominique Zufferey-Périsset), Musée valaisan de la vigne et du vin, 2012, 264 p. (em francês)
 
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Referências

  1. Adam Thompson: “The Character of a Wall. The changing construction of agricultural walls on the island of GozoJournal of Applied Anthropology (2007): p.31-37 (2006.09).
  2. a b UNESCO. «Conocimientos y técnicas del arte de construir muros en piedra seca» (em espanhol). Consultado em 25 de janeiro de 2019 
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