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Primeira Retirada
Guerra do Paraguai
Data 1 de janeiro de 1865
Local Rio Feio, Laguna
Desfecho Vitória paraguaia
Beligerantes
Flag of Paraguay (1842-1954).png Paraguai Flag of Brazil (1870–1889).svg Império do Brasil
Comandantes
Capitão Blas Rojas Coronel Dias da Silva
Forças
2 000 homens 200 civis e militares
Baixas
3 número incerto 70 número contestado

Pouco conhecida da historiografia sobre a Guerra do Paraguai, o evento, que alguns consideram como Primeira Retirada, foi um episódio que ocorreu ainda no início da Campanha do Mato Grosso em que cerca de 200 brasileiros entre civis e militares sob o comando do Cel. Dias da Silva enfrentaram uma coluna paraguaia de 2 000 homens comandados pelo capitão Blas Rojas. Após uma tentativa fracassada de diálogo entre ambas as partes, as duas forças se engajaram em combate nas proximidades do rio Feio, no município de Laguna no dia 1 de janeiro de 1865, onde o desfecho foi derrota e retirada das forças imperiais para Nioaque. É considerada a primeira reação brasileira após a invasão do Império. Ficou conhecida como Primeira Retirada devido a derrota e posterior retirada dos soldados da região de Laguna, antecedendo a famosa Retirada da Laguna que ocorreu dois anos depois.

Índice

ContextoEditar

A invasão paraguaia se inicia em 27 de dezembro de 1864 quando uma coluna de 5 000 homens avançam sobre o Forte Novo de Coimbra encontrando forte resistência dos 195 brasileiros ali aquartelados, resistindo por cerca de 3 dias até abandonarem o forte por falta de munição, mantimentos e distante de qualquer ajuda.[1]

No dia 30 de dezembro chega a Vila de Nioaque a notícia da invasão. Imediatamente o Coronel Dias da Silva, comandante da região, organiza uma resistência composta de militares e civis. Todos os militares são organizados e também se inicia uma convocação geral de todos os que conseguissem empunhar uma arma. Dos que iniciaram a contra-ofensiva apenas 20 era formada por voluntários que responderam o chamado, com o resto fugindo dentre as matas; 129 destes eram da cavalaria, cuja cavalhada era maltratada, magra, de pouca eficiência.[2]

Dias da Silva inicia a marcha a pé se dirigindo ao sul ainda no dia 30 de dezembro com 130 homens deixando 19 aquartelados em Nioaque. No alvorecer do dia 31 as tropas se encontram as margens do desbarrancado, um afluente rio Santo Antônio. Logo chegam a uma fazenda de nome Miranda composta de quatro casebres de sapé. No local o coronel fica sabendo, através do Capitão Pedro Rufino que comandava uma vanguarda de 21 homens, que os paraguaios se encontravam do outro lado do rio Feio, distante cerca de três quartos de légua de lá.[2]

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Pedro Rufino chega com a informação de que o comandante Blas Rojas desejava conversar com os brasileiros. Dias da Silva então parte e atravessa o rio Feio e aguarda o contato dos paraguaios. Tudo em vão. Impaciente pela demora redigiu a lápis uma comunicação ao paraguaio, que ignorava quem fosse confirmando os seus desejos de entendimento para explicações sobre as instruções que havia recebido do governo imperial quanto à defesa de que estava incumbido. Os paraguaios respondem propondo que Dias da Silva se renda com suas tropas para que se evitasse maiores danos. O mesmo recusa em nova nota e ainda protesta contra a invasão dos paraguaios.[2]

O combateEditar

Após a negativa do comandante brasileiro em se render, Rojas ordena um tiro de artilharia contra o brasileiro que foje do local em direção ao rio Santo Antônio. Em seu encalço está um batalhão de cavalaria sob o comando do tenente Blas Ovando. Ao encontrar com suas tropas, Dias da Silva ordena a destruição de uma ponte que ligava o Desbarrancado a fazenda Miranda com o intuito de impedir que o inimigo frustrasse a retirada dos mesmos. Pedro Rufino e seus 21 enfrentam os paraguaios na beira do rio Feio e conseguem impetrar três baixas neles, incluindo um oficial, o tenente Camilo Castelo, porém tal registro paraguaio pode ser inexato. Ainda segundo esse registro as baixas brasileiras somaram 57 praças mortos e 13 prisioneiros, tendo esse número sido contestado pelo coronel Dias da Silva e outros dois oficiais.[3]

Depois de violentos tiroteios na região do rio Feio, e diante da exigência do comandante paraguaio de uma rendição imediata, os brasileiros recuam para as margens do rio Santo Antônio, mas, já sem condições de fazer enfrentamento, o comandante brasileiro manda incendiar a ponte e retira-se para Nioaque.[3]

ConsequênciasEditar

A província de Mato Grosso, praticamente despovoada, era desprovida de guarnição. A retirada das tropas de Dias da Silva proporcionou o avanço rápido das forças paraguaias em direção do Desbarrancado, Miranda e posteriormente Nioaque, que a essa altura se encontrava abandonada.[4]

Referências

  1. Borga 2015, p. 40.
  2. a b c Borga 2015, p. 105.
  3. a b Borga 2015, p. 106.
  4. Borga 2015, p. 108.

BibliografiaEditar

  • Borga, Ricardo Nunes (2015). QuestÕes Do Prata - Guerra da Tríplice Aliança, O conflito que mudou a América do Sul 2 ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores