Abrir menu principal

O protestantismo em Portugal é uma religião minoritária. As reformas implementadas pelo Concilio de Trento (1545-1563), alicerce da reforma da Igreja Católica surtiram efeito em Portugal e Espanha quanto à não adopção do protestantismo, tendo o inicio da abertura para este movimento reformista apenas no século XVIII devido ao fortalecimento do Estado e consequentemente da alteração da relação entre a Igreja Católica e a Coroa Portuguesa.[1]

Índice

HistóricoEditar

O protestantismo em Portugal não resulta de uma dissidência religiosa face quase ao nulo impacto da reforma protestante no século XVI, o protestantismo surge sobretudo a partir do século XIX pelos ingleses que residiam no país. A Sociedade Bíblica, fundada em Inglaterra no início do século XIX, estabelece uma agência em Portugal em 1864, assim as primeiras igrejas nacionais, as do chamado protestantismo histórico, começam então a implantar-se nas áreas de maior presença britânica: Lisboa e Porto.[2]

Com a Revolução de 25 de Abril de 1974 e a consequente liberdade política, esta permite um aumento da prática religiosa: As Testemunhas de Jeová, reivindicaram o direito de exercer livremente a sua atividade e em meados dos anos 80, a Igreja Universal do Reino de Deus começa a reforçar a sua presença.[2]

O crescimento do protestantismo deu-se pela multiplicação das “igrejas evangélicas de recorte pentecostal”, algumas vezes numa lógica de aliança e dissidência entre os pastores numa dinâmica de angariação de novos membros.[2]

Em 2010, contavam-se em Portugal 1 065 templos protestantes/evangélicos, sem contar com os 122 dos Adventistas do Sétimo Dia, os 84 das Testemunhas de Jeová, os 49 da Igreja Maná e os 64 templos mórmons.[2]

Estima-se que os protestantes em Portugal sejam aproximadamente 5% daqueles que se afirmam como religiosos sendo que mais de 60% dos protestantes se concentram na Área Metropolitana de Lisboa e cerca de 15% na região do Algarve, mais de metade tem menos de 35 anos reunindo mais homens do que mulheres, sendo menos escolarizados do que os católicos com menos de 10% com ensino superior. O crescimento do protestantismo e das inúmeras igrejas em Portugal fez-se por influencia da imigração, sobretudo proveniente do Brasil e dos países africanos de língua oficial portuguesa, representando 50% do total de crentes.[3]

Em Portugal a presença protestante é composta “de uma minoria muito plural de igrejas que, em muitos casos, não se reconhecem entre si como representantes de um protestantismo puro e que se veem como concorrentes”, “a realidade protestante em Portugal é feita historicamente de muitas camadas”.[2]

Nas camadas mais recentes, convivem as mais representativas igrejas pentecostais, agrupadas sob a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) e que vão dos batistas aos membros das Assembleias de Deus, passando pela Igreja dos Irmãos (darbistas).[2]

A raiz protestante, herdeira da reforma do século XVI inclui ainda as mais recentes neopentecostais Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e Igreja Maná, embora sejam excluídas pelas duas principais famílias protestantes representadas pelo Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC) e pela AEP, existindo inclusivamente uma rejeição de alguns rituais praticados.[2]

Ainda no complexo universo protestante português surgem as Testemunhas de Jeová, que representa pouco mais de 1% da população portuguesa que se diz cristã, e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (conhecidos como mórmons), embora não se considerem protestantes derivam do protestantismo.[2]

Ver tambémEditar

Referências

  1. https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:sngitRBii18J:https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/4390/4/4390%2520-%2520LS_S2_12_LuisASantos.pdf+&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt-O PROTESTANTISMO EM PORTUGAL(SÉCULOS XIX E XX): LINHAS DE FORÇADA SUA HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
  2. a b c d e f g h Faria, Natália (31 de outubro de 2017). «Minorias protestantes em Portugal formam um puzzle em contínuo crescimento». Público 
  3. Teixeira, Alfredo (2011). «Identidades Religiosas em Portugal: Representações, Valores e Práticas – 2011» (PDF). Centro de Estudos e Sondagens de Opinião e Centro de Estudos de Religiões e Culturas. Universidade Católica Portuguesa 

Ligações externasEditar