Síndrome de Ogilvie

Tomografia coronal revela um cólon amplamente dilatado em uma idosa com síndrome de Oglivie

Síndrome de Ogilvie ou pseudo-obstrução colônica aguda é a dilatação aguda do cólon em ausência de qualquer Obstrução intestinal mecânica em pacientes gravemente doentes. Os sintomas dessas síndrome são típicos de obstrução intestinal, por isso[1]

A pseudo-obstrução colônica aguda é caracterizada pela dilatação maciça do ceco (diâmetro maior a 10 cm) e cólon direito na radiografia abdominal. Se não for descomprimido, o paciente corre o risco de uma isquemia intestinal, perfuração intestinal e peritonite com taxa de mortalidade de até 40%. É um tipo de megacólon, por vezes referido como "megacólon agudo", para distingui-lo do megacólon tóxico.

É mais comum entre homens e idosos. A mortalidade é de 30%, não por sua gravidade, mas por frequentemente ser secundaria a outras doenças graves em pacientes idosos debilitados.[2]

CausasEditar

A síndrome de Oglivie está frequentemente associada a outras condições, incluindo[3]:

  • Cirurgia recente.
  • Trauma recente ou procedimento ortopédico.
  • Infecção subjacente.
  • Transtornos cardíacos recentes.
  • Desequilíbrio eletrolítico.
  • Medicamentos (opioides, anticolinérgicos, antidepressivos, diuréticos...)
  • Transplante de órgão sólido.

Foi postulado que a reativação do vírus da varicela zoster (que causa catapora e herpes-zoster) nos gânglios entéricos pode ser uma das causas da síndrome de Ogilvie.[4]

Sinais e sintomasEditar

Geralmente, o paciente sofre distensão abdominal, dor cólica, constipação e movimentos intestinais alterados. Também pode haver náuseas, vômitos, ruídos intestinais reduzidos e sensibilidade a dor.[5]

DiagnósticoEditar

O diagnóstico começa com o exame físico, observação e entrevista do paciente. Imagens para diagnosticar a dilatação do cólon e descartar causas de obstrução (Póstero-anterior abdominal ereto e abdômen supino). Se mais imagens forem necessárias, uma TC pode ser solicitada.

TratamentoEditar

Geralmente resolve com terapia conservadora ao interromper as ingesta oral (nil per os) e uma sonda nasogástrica, mas pode exigir descompressão colonoscópica que é bem sucedida em 70% dos casos. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine mostrou que a neostigmina é uma forma farmacológica potente de descomprimir o cólon. Segundo a Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal (ASGE), deve ser considerado antes da descompressão colonoscópica. O uso de neostigmina não é isento de riscos, pois pode induzir bradiarritmia e broncoespasmo. Portanto, uma dose de atropina deve estar ao alcance imediato quando esta terapia é utilizada.[6]

Referências

  1. Ponec RJ, Saunders MD, Kimmey MB (1999). "Neostigmine for the treatment of acute colonic pseudo-obstruction". N. Engl. J. Med. 341 (3): 137–41. doi:10.1056/NEJM199907153410301. PMID 10403850.
  2. Alam HB, Fricchione GL, Guimaraes AS, Zukerberg LR (October 2009). "Case records of the Massachusetts General Hospital. Case 31-2009. A 26-year-old man with abdominal distention and shock". N. Engl. J. Med. 361 (15): 1487–96. doi:10.1056/NEJMcpc0900643. PMID 19812406.
  3. Jain A, Vargas HD; Advances and challenges in the management of acute colonic pseudo-obstruction (ogilvie syndrome). Clin Colon Rectal Surg. 2012 Mar25(1):37-45. doi: 10.1055/s-0032-1301758.
  4. Gershon, A. A. (2013). "Varicella zoster vaccines and their implications for development of HSV vaccines". Virology. 435 (1): 29–36. doi:10.1016/j.virol.2012.10.006. PMC 3595154. PMID 23217613.
  5. Feldman, Mark; Friedman, Lawrence S.; Sleisenger, Marvin H. (July 2002). Sleisenger & Fordtran's Gastrointestinal and Liver Disease (7th ed.). Elsevier. ISBN 978-0-7216-8973-9.
  6. Irwin, Richard S.; Rippe, James M. (January 2003). Intensive Care Medicine. Lippincott Williams & Wilkins, Philadelphia & London. ISBN 0-7817-3548-3. Archived from the original on 2005-11-07.