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Quadrado (Pelotas)

Vista sul: Pontes sobre o Canal São Gonçalo.

O Quadrado é um antigo atracadouro localizado na zona portuária da cidade de Pelotas. Atualmente é local de convívio social frequentado principalmente por jovens e famílias, além de ser usado para atracar os barcos dos pescadores que residem nas proximidades. O nome Quadrado deriva do formato quadrangular do cais, que na realidade representa uma invaginação em forma trapezoidal com uma abertura que o conecta ao Canal São Gonçalo. Muitas pessoas frequentam o local ao final da tarde para sorver o tradicional chimarrão e desfrutar do pôr do sol por detrás das pontes sobre o Canal São Gonçalo que ligam Pelotas a sua vizinha Rio Grande. O local também é apreciado por pescadores amadores que lançam suas linhas em direção ao canal. Os habitantes mais velhos da cidade costumam referir-se ao cais pelo nome de 'Doquinhas', já que esta era a função inicial da estrutura e é o nome que atualmente designa a vila de pescadores ao lado do Quadrado.

ArredoresEditar

O Quadrado está situado próximo à região da zona portuária conhecida como Doquinhas onde residem diversas famílias de pescadores. Ao lado encontra-se o Clube Náutico Gaúcho, de onde os sócios partem para a prática de remo nas águas do Canal São Gonçalo. Em outra lateral está um armazém de estocagem de matéria-prima para a indústria cimenteira. No local há um bar chamado Katanga's, e uma casa onde residem o proprietário do bar e sua família. Do local, visando a direção sul, pode-se ver as três pontes que unem as cidades de Pelotas e Rio Grande: a antiga ponte rodoviária, hoje desativada, a nova ponte rodoviária e a ponte ferroviária, ambas em funcionamento. Ao norte vê-se o porto da cidade de Pelotas, a vila de pescadores, o novo campus da Universidade Federal de Pelotas e o restante da região marginal do canal.

Acesso e infra-estruturaEditar

Há um único acesso para carros ao Quadrado através da Rua Alberto Rosa. A pé é possível chegar até o Quadrado também pela Rua Álvaro Chaves, porém é caminho incomum. No local há espaço para estacionar carros e motos, havendo poucos locais para estacionar bicicletas com segurança. Não há bancos, mas os degraus do cais oferecem acomodação para sentar-se. O bar existente no local dispõe de refil para água quente, bebidas refrigerantes e alguns petiscos. Por ser um local muito aberto lá costuma ventar constantemente, por isso considere levar consigo um agasalho para o cair da tarde.

PolêmicaEditar

Em reportagem do jornal Diário Popular o Quadrado é apontado como ponto de consumo de drogas, especialmente maconha.[1] O local, no entanto, é amplamente frequentado por famílias e grupos de jovens em busca de ar livre, sol e da bela vista do canal, e este atentado estigma é procedente de ações isoladas de alguns veículos de mídia, e frequentadores que se valem do sossego do local para ilicitudes.

Para os vizinhos do local o consumo de cannabis parece ser o menos relevante dos problemas como mostra a declaração da moradora ao jornal: “Além do grande fluxo dos carros que entram e saem, temos que aguentar a música alta e o cheiro da “droga”. Embora a ênfase seja o problema do barulho, e o cheiro da "droga" seja última preocupação, o texto da reportagem destaca a sua dimensão: “Segundo uma moradora da vila, que prefere não ser identificada, nos finais de semana é possível sentir o cheiro da droga de bem longe.”

O calçamento da Rua Alberto Rosa no acesso ao Quadrado não recebe manutenção, a via é estreita e apresenta vários buracos. O local possui saneamento precário, havendo esgoto a céu aberto e um grande banhado no centro do quarteirão. Crianças costumam brincar próximo a rua, o que justifica a preocupação dos moradores com o movimento de carros. Não há barreiras naturais para a propagação do som desde o lado onde se concentram as pessoas até a vila de pescadores e a direção do vento pode potencializa-la sensivelmente. Grande parte do barulho poderia ser evitado pela moderação do volume dos aparelhos de som automotivo dos frequentadores.

A posição de destacar o Quadrado como local de consumo de “drogas” por que existem algumas pessoas que consomem maconha no local estigmatiza todos os frequentadores, sendo desproporcional o destaque dado pelo jornal a questão do cheiro em relação a pouca infra-estrutura do local para habitação e convívio social que gera problemas mais relevantes tanto aos moradores quanto aos frequentadores, aparentemente os únicos grupos interessados neste extremo relegado da cidade.

Esta discussão se insere no debate sobre a legalização do uso da cannabis para fins industriais, medicinais e recreativos, que em diversos países apresenta bons resultados. Este debate só tem real valor no âmbito federal, de onde deriva a legislação sobre substâncias regulamentadas, especialmente em relação a cannabis que é equivocadamente englobada nas “drogas” como componente de um único mal social, sem distinção na pauta de discussão entre as várias substâncias regulamentadas e suas particularidades, o que abre precedente para estigmatizações como a que envolveu o Quadrado.

Referências

  1. Cidade: Maconha é consumida ao ar livre sem pudor. em: http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=3857[ligação inativa]